Cepticismo, naturalismo e divulgação científica. Uma discussão sobre o que é ou não matéria de facto.
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domingo, 14 de abril de 2013
Sofrem? Essa é a questão.
-Jeremy Bentham
A ideia de valorizar as pessoas e os animais pela inteligência é injusta, embora pareça subrepticiamente disseminada pela sociedade. Aos animais, nós (pelo menos alguns bastante numerosos) os desprezamos por serem, como se diz: irracionais. E às pessoas, silenciosa mas implacavelmente as fazemos passar pelo filtro do QI. Claro que também existe a sorte, mas isso é outra história. Pessoas mais inteligentes ganham mais dinheiro, são mais felizes, são mais bem sucedidades na escola, são mais saudáveis e vivem mais, etc. É essa a maneira como as coisas estão montadas para o comum dos mortais, e claro, para além da sorte. A vida é mais fácil para as pessoas mais inteligentes. Quem não é tem forçosamente de se esforçar mais. E não é caso para se dizer que cada um é responsável pela muita ou pouca inteligencia que tem - de facto parece que podemos, ou não, agradecer de nascer com ela. Ao longo da vida o QI tende cada vez mais para um valor previsto pela hereditaridade, sendo mais variaveis nos mais jovens.
E é injusto porque o que custa mesmo nesta vida é o sofrimento, e esse não requer muita inteligência para sentir.
Era bom se pudessemos cortar com o sofrimento sem qualquer outra consideração. Mas não creio que seja possivel. O mundo está longe de ser o melhor mundo possível. Mas parece-me que há pelo menos uma tendencia positiva que pode ser seguida e que deve ser seguida. Existe alguma aversão à crueldade a crescer nos paises mais civilizados, mesmo para com animais.
E há uma outra coisa. Se a inteligencia não parece ser um factor determinante para a capacidade de sentir, e logo sofrer, a consciencia não me parece que seja indiferente ao problema do mesmo modo.
Creio, por tudo o que posso perceber, que é diferente - e pode moderar ou ampliar o sofrimento. Neste caso interessa-me filosofar sobre a ultima possibilidade, que me parece bastante frequente.
Alterações do estado de consciencia dão diferentes precepções da dor, sendo que o alcool foi dos primeiros sedativos usados neste mundo. Dissociativos e sedativos são usados ainda para diminuir o sofrimento e percepção da dor, até em seres pouco inteligentes.
Há muita coisa a considerar neste aspecto. Este é o raciocinio que proponho:
Penso que seres mais conscientes terão um significado mais forte para o bem estar e sofrimento. Agressões ou sinalização de lesões a esse bem estar tem por conseguinte um maior significado também;
Se a consciencia é o sentimento de Si próprio e o conhecimento de Si próprio, isto parece-me consequente. Porque temos um palco maior para o que pensamos e sentimos; porque podemos contemplar os nossos próprios sentimentos;
As sensações (do exterior) dão origem a mais que reflexos - não vivemos num fluxo de reflexos sensoriais; Processamos essas sensações e integramos tudo num quandro maior, num mapa mental não só do mundo mas também de nós próprios;
Para além de termos emoções temos sentimento dessas emoções. E temos consciencia desses sentimentos. Em ultima análise temos até consciencia de ter consciencia. E isso não é algo notável? Acabamos por ser capazes de dar sentido a nós próprios, às nossas escolhas, ao que nos rodeia... O universo pode não ter um sentido, a vida pode não ter sido criada com um fim em vista. Mas a vida de um ser consciente parece ter o sentido que este lhe pode dar - em paralelo com o grau de consciencia que tem.
Adiante:
Nem todos os animais parecem ser igualmente conscientes, pelo que proponho que devemos dar o nosso maior respeito àqueles que parecem ter uma capacidade de sofrer mais perto da nossa.
E se a consciencia não parece ser igualmente repartida por todos os animais, obviamente o é para todos os seres humanos. E essa é uma razão para respeitar a vida de cada um de nós sem discriminação de cor, credo, sexo, inteligência ou idade. Todos nós sentimos e sabemos o que sentimos. Temos consciencia.
Não nos esquecendo que para os outros, nós é que somos o outro - Não há um ponto de vista previligiado para a moral se valorizarmos assim a consciência e o bem estar (autobiográfico e instantaneo) acima da riqueza, da cor, do credo ou da inteligência ou da beleza.
Apenas que temos de respeitar os seres conscientes como nós, sejam eles como eles forem noutros aspectos.
Claro que esta exposição não diz que podemos ser crueis para animais como os peixes, que me parece terem um estado de consciencia mais superficiais que o nosso. Apenas sugiro que nos esforcemos no sentido de diminuir o sofrimento e que começemos por distribuir os nossos esforços para quem eles podem ter mais significado. Seres humanos no topo, seguidos dos primatas e depois outros mamiferos. Naturalmente que insectos e vermes, por exemplo, no fim da lista.
E agora que sabemos como podemos fazer uma alimentação baseada em vegetais que é na mesma saudavel e que as carnes vermelhas nem por isso são assim tão boas, começar a reduzir nos mamiferos.
Voltando aos seres humanos, claramente há também muito por onde lutar.
Por fim, isto não é uma tentativa de meter tudo no mesmo saco e desvalorizar uns por valorizar outros. Isto é mesmo uma tentativa de dar uma prespectiva completa e consistente sobre a procura possível de diminuir o sofrimento neste mundo. A começar por nós. Se eu quero começar por nós por eu ser humano ( e não macaco ou bactéria) , tenho as minhas dúvidas já que o suporte racional me parece sólido, mas se é, também me parece que não é um mau ponto de partida, já que se estende por aí fora... Por outro lado tenho serias reservass de quem diz ser capaz de abandonar completamente o ponto de vista humano quando propõe uma outra teoria qualquer. Ainda por cima, incosistentes e incompletas com uma série de outro conhecimento que temos como as que andam para aí.
O nosso conhecimento, será sempre humano enquanto nós formos humanos. E o nosso conhecimento terá sempre de ser assente na nossa epistemologia. O que interessa é ser o melhor possivel em consistencia, completude, poder preditivo e clareza.
Notas: As ideias expressas acerca da consciencia, já que também não há ainda uma conceptualização cientifica final, são as baseadas nos livros de Damásio.
quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
Chimpanzés mostram sentido de justiça.
Perante parceiros participativos a "ficha equalitária" foi a mais escolhida.
Mas quando o ajudante era passivo, não sendo precisa a sua intervenção para recolher o prémio, tanto crianças como chimpanzés optavam pela ficha que os priveligiava. Esta é também a resposta tipica de humanos adultos.
Nenhum primata reparte tão bem tarefas e resultados do trabalho como o ser humano. Embora alguns, para além do género homo, partilhem comida e recursos com familiares próximos e membros do grupo, os chimpanzés não têm sido, até agora, vistos consistentemente a entrar neste tipo de actividade pró-social - de repartir comida ou prémios.
O seu sentido de justiça não os leva a castigar infractores de terceiros, apenas ataques ao próprio, mas têm o hábito de consolar vitimas, sobretudo se o agressor se mostrar indiferente ao que fez.
Será que podemos ver aqui fundamentos de um sistema moral pouco desenvolvido? Na minha opinião, sim. São dados que sugerem que outros primatas são capazes de reconhecer "o outro" como semelhante.
Existem modelos que mostram que o conceito mais complexo e profundo de uma sociedade equalitária surge da união bem sucedida de grupos contra "bullies" fisicamente mais fortes. A meu ver, isto requer cooperação, empatia, sentimento de justiça e claro massa critica, já que derrubar alguns "bullies" bem organisados é um sarilho.
Parece-me que são versões simples mas inequivocas de empatia, cooperação e sentido de justiça o que vêmos aqui.
quarta-feira, 20 de julho de 2011
"The Moral Landscape" por Sam Harris.
Tem como subtitulo: "Como pode a ciência determinar os valores humanos?" e pretende dar resposta a esta pergunta com um numero mínimo de pressupostos, de acordo com o que já sabemos sobre a moral, a neurociencia e a ciência em si própria.
Para Sam Harris, a moral é a maximização do bem estar. A julgar pela sua argumentação, mais relacionado com a distribuição do bem estar do que com a sua medida absoluta em qualquer momento.
E o bem estar, defende, é algo que nós podemos vir a medir com rigor cientifico, ou pelo menos com um grau de incerteza tolerável, sobretudo se usarmos uma abordagem neurológica. O bem estar defende, deverá corresponder a um estado cerebral. Neste enquadramento biológico podemos por princípio usar todo o aparato teórico e tecnológico cientifico para dizer o que pode ser melhor para nós e como podemos consegui-lo.
Sam Harris não tenta esconder que cada um dos pressupostos do enquadramento em que propõe abordar a moral não levantam problemas por si próprios.
Tais como sejam:
Queremos procurar o maior valor absoluto para o bem estar? É uma medida de distribuição? E medir a distribuição da moral como? É uma média do bem estar numa população? E o bem estar será realmente algo que todos valorizam da mesma maneira (ja sabendo que nem todos gostam das mesmas coisas)? Fará sentido por si próprio? Como distinguimos isso de alegria ou felicidade momentânea? E será possível encontrar sempre soluções para uma distribuição justa do bem estar em situações limite e complexas ou serão sempre problemas sem resposta ou com resposta apenas após ponderação quase infinita (problemas não-P em matemática).
O que ele propõe é que em princípio o que sabemos hoje já é suficiente para iniciar esta abordagem, já que não precisamos de saber tudo para saber alguma coisa. Ou pelo menos, pressupor que sabemos.
De facto, o grande problema para abordar a moral é conseguir um objectivo, um fim, para que possamos procurar soluções. Esse objectivo, envolve uma escolha. A tal escolha que tem tornado a moral um problema não cientifico. E essa escolha, Sam Harris não nega, será sempre uma escolha subjectiva, por ser referente a sujeitos. Mas os sujeitos somos nós e podemos tentar perceber se a escolha é ou não algo que diga alguma coisa a todos. Mas não é isso que obriga a Moral a ficar plenamente no campo da filosofia.
Mesmo que, como ele argumenta, essa escolha seja provavelmente uma ilusão. A escolha de querer estar bem, pode não ser bem uma escolha (idem, ver "link" acima). Segundo ele, não temos realmente livre-arbítrio: "O livre-arbitrio é uma ilusão de uma ilusão". Mas isso, de não haver escolha, não é um problema neste contexto.
O problema é que sem um fim em vista para a moral, não há soluções para a moral. Apenas afirmações em aberto sem valor. Hipoteses indistintas. É a queda num relativismo moral absurdo.
Se queremos distinguir afirmações de moral umas das outras, e aceitamos que há coisas mais morais que outras, é porque alguma coisa temos em vista, existe um objectivo algures para a especulação moral. É porque tivemos de fazer uma escolha algures.
Ele propõe definir esse objectivo, como já disse, com o “bem estar”, e que essa seja a escolha já subjacente a toda a racionalização sobre a moral que nós já fazemos neste momento, e até de um modo relativamente consensual – pois se temos consensos acerca de moral em algumas coisas é porque é plausível que procuremos a mesma coisa.
E consensos acerca da importância do bem estar e do que isso significa para nós, parece que também não será difícil. Mesmo indo para outras espécies animais, parece que valorizamos basicamente as mesmas coisas (referencias na própria obra). E se isso – o consenso - é o suficiente para dizer que há conhecimento na ciência acerca de algo, porque não há de ser na moral? E se temos conhecimento do que procuramos, se temos um fim a atingir porque não podemos saber cientificamente qual a melhor maneira de o obter? Porque havemos de recusar ter vidas melhores, de um modo geral, se soubermos com o podemos fazer?
Na minha opinião não há razão para evitar a abordagem cientifica à moral, por princípio. Na realidade tenho argumentado nesse sentido desde há algum aqui neste blog. Mesmo os problemas que o Sam Harris sugere já tinha abordado alguns. As soluções são as mesmas. É por isso difícil para mim fazer uma boa critica a este livro. Ele tem a mesma opinião que eu e que eu já tinha antes de ler o livro. Não vejo talvez por isso muitos problemas, para além de que me deixou um pouco insatisfeito porque esperava que conseguisse desenvolver mais o tema.
A única objecção racional possivel (mas idiota) para esta abordagem é a apologia da maldade e dizer que é correcto escolher o mal estar para qualquer um. É dizermos que não querermos que haja uma distribuição justa do bem estar. Que não há justificação para a moral em si outra que querermos o melhor para todos e que podemos não querer o melhor para todos. Mas isso não só não é o que entendemos por moral, como leva a auto-destruição, e se pensassemos assim não estariamos preocupados com a moral. Acho que quem levantar esta objecção vai cair na posição do egoista e do psicopata e não conseguirá mostrar que é um sistema consistente e estável andarmos a dar facadas uns aos outros como contributo civico. Quanto aos que querem o bem estar só para si, isso pode funcionar até que sejam apanhados a darem cabo do bem estar dos outros. Na realidade estas pessoas podem ter repercursões muito mais sérias no bem estar das populações do que "apenas" nas pessoas directamente atingidas. Ja para não falar que uma vida, no caso de um psicopata assassino, será sempre mais valiosa que uns momentos de aceleração. Quero com isto dizer que o registo na distribuição do bem estar vai passar por valores mais baixos. Isso é suficente para explicar porque é que tal não é argumentavel num sistema que é feito a pensar em todos e não apenas em alguns especiais. E a moral é para todos. Senão estaremos a falar de outra coisa. Não me parece que venha a ser um problema chegar a consenso sobre isto.
Eu tenho defendido ocasionalmente que isto de escolher ser moral, de considarar moral como o bem, é uma escolha obrigatória no contexto de uma escolha mais básica que é querermos viver e escolhermos viver. Creio que uma sociedade que fique completamente maldosa colapsará nas suas próprias maquinações. Escolher a moral é escolher o caminho que leve a que qualquer pessoa em qualquer lugar tenha provavelmente o melhor que se pode esperar dos outros. E isso é o resultado de todos podermos ser essa pessoa. E de compreender que querermos todos viver o melhor possível e que na realidade nós somos também “o outro”.
Claro que pode haver indivíduos que procurem o bem estar sem se preocuparem com o que fazem aos outros para conseguir isso, desde o simples egoísta ao psicopata. Mas a moral não é a procura do bem estar individual de um individuo especial em detrimento de todos. Isso será o inverso da moral com origem em escolhas iniciais e princípios igualmente antagónicos: não distribuir o bem estar... E que daria, plausivelmente ao colapso da sociedade e não à sobrevivência nas melhores condições possíveis.
Porque queremos viver o melhor possível? Porque queremos viver de todo? Bem, essa é a questão. Não temos resposta absoluta. Resta saber se teremos também escolha. Não parecemos ter. Somos filhos de gerações e gerações de seres que escolheram (durante pelo menos uma grande parte do seu tempo) viver. O Sam Harris também aborda esta questão e também chega a esta falta de conclusões. E não tendo resposta absoluta, temos uma relativa a nós.
Mas o que é importante, é que parece que criamos a moral com este objectivo e que quer tenhamos escolha ou não, não parece haver duvidas que queremos bem estar. E que essa escolha, errada ou não, é para já aquilo que fazemos quando procuramos respostas morais. E que sendo assim, saibendo o que pretendemos atingir, estejamos completamente dentro do foro da ciência. A moral, se é a distribuição do bem é algo que pode ser abordado cientificamente. Mesmo com todas as dúvidas que ainda levanta.
Diria eu que é tal e qual como a medicina. A escolha de querermos ser saudáveis está certa ou errada? Tal como a moral, parte do principio que viver é certo, e que essa questão não impede que abordemos a saúde de modo científico, ainda que seja em si uma área cheia de incógnitas.
A escolha de querer bem estar, de querer viver, será sempre subjectiva. Será sempre relativa a sujeitos. Sem sujeitos não há fim em vista para a moral. É uma construção social e mental para que possa haver mais bem estar. Mas é uma que podemos estudar cientificamente em função desses sujeitos que somos nós. E é a escolha que por tudo o que sabemos TEMOS de fazer. Quer haja um deus ou não. De outro modo colapsamos.
O universo não deve estar ralado com a moral e com o bem estar. Mas nós estamos. É esse o sentido da moral. Pelo menos para nós é, mas somos nós que a fazemos, a moral é para nós. Não é para as pedras, para as estrelas e para o Sol. E se for aplicavel a estas coisas é sempre em relação a nós e ao que significa para nós. Por isso as coisas encaixam consistentemente... Que mais justificação pode haver? Que mais justificação que esta é sensato pedir?
Não sei. Mas mesmo que haja algo por responder, como em tudo, parece que temos o suficiente para fazer medições, projecções, modelos, testes, etc, Essas coisas da ciência.
AVISO IMPORTANTE: O livro contém, na discussão sobre psicopatas, o relato pessoal do que uma destas bestas fazia ao próprio filho. Esse relato é extremamente violento e aconselho a não ler a quem puder passar por cima. Não perde nada.
PS:
O autor tem uma secção onde discute o direito a acreditar. Não considerei a abordagem convincente mas levanta questões importantes que ainda não consegui processar. Não a achei de qualquer modo de relevo para esta reflexão sobre a obra.
quarta-feira, 3 de março de 2010
A moral objectiva
Para defender que Deus existe agora argumenta-se (outra vez) que a moral é objectiva e que só pode ser objectiva se deus existir
- e logo deus tem de existir.
Mas quando chega à altura de mostrar que a moral é objectiva ficam os defensores desta tese sem recursos. Porque não têm saída.
Porque:
Se a moral é objectiva porque há coisas que são consensuais, é falso. Nem tudo é consensual. E o que é consensual é porque é fácil de explicar relativamente a outras opções morais. Istp se for de facto justificável porque senão não passa de um "ad populum".
Se se justificar a moral objectiva por ser a melhor, é ser redundante. Não acrescenta justificação.
Se determinada regra moral é objectiva por ser a mais racional, então isso é o que defendem os ateus - que a justificação deve ser baseada na inteligência e no respeito pelos outros. (excepto que não consideram que objectiva seja igual a ser a "melhor possível").
Se a moral é objectiva por ser o que deus quer, então é preciso provar que deus existe e mostrar como sabemos que é o que deus quer. E não se pode provar que deus existe porque a moral é objectiva e que a moral é objectiva porque vem de deus. Ciclo vicioso.
Se se disser que a moral tem de vir de deus porque temos de ter uma moral objectiva - chama-se a isso "wishfull thinking", uma falácia conhecida.
Mas a moral não é objectiva. É um conceito relativo ao homem - relativo aos agentes morais, ao sujeito. É por isso subjectiva. E deve ser aberta a refutação e critica. E pode ser avaliada apesar de ser relativa, tal como o espaço ou o tempo.
O facto de se chegarem a consensos mostra como a inteligência e a empatia têm um papel na sua génese.
Em suma, quando se diz que a moral x é objectiva é preciso mostrar que é de facto objectiva, melhor que as restantes opções e porquê. Se não forem capazes de o fazer, é porque não é objectiva. Se forem capazes de o fazer só mostram que não precisam de deus para o fazer. A não ser que mostrem como sabem que a moral vem de deus.
Há! E o perigo não é não ter uma moral absoluta. É achar que se a tem. E agir autoritariamente dizendo que se esta a fazer o que deus quer. Sem realmente saber o que deus quer, ou se existe.
PS: Parece que alguém quer definir como objectivo como aquilo sobre o qual se pode pensar. Whatever. Aproveito apenas para lembrar que: Se se chama objectiva à moral por outra razão qualquer que não ser de origem divina, não implica que deus exista. E carece de prova que tenha origem divina. Senão toda a ciência, toda a poesia, até as autoestradas provam a existência de deus.