sábado, 2 de janeiro de 2010

Sobre a ciência II - O Reducionismo

Uma vertente da ciência que tem sido muito atacada é a da abordagem reducionista.

O reducionismo é a tentativa de explicar algo reduzindo o objecto de estudo às partículas que o compôem. Mas não só. Também aborda o estudo da forma como estas partículas ou entidades mais simples que o compõem actuam entre si. É oposto de holismo que é abordar um problema como um todo indivisível.

O reducionismo é a solução encontrada para garantir que podemos conhecer todos os factores que influenciam um problema e todas as entidades que estão envolvidas. Tenta-se começar por simplificar o máximo possível, para que não estejamos a estudar influencias externas e para que possamos dizer o que se passa quando todos os outros factores não se alteram.

Compreendidos os processos básicos podemos passar para estudar interacção entre factores, e mesmo deste sistema com outros. E depois, a ciência estuda a vários níveis o universo:

As partículas da física não são as mesmas da biologia. Na biologia poderá dizer-se que a célula é a entidade mais pequena a que é razoável diminuir um organismo, mas não é por isso que deixamos de estudar as relações entre seres vivos. Ou dos mecanismos intracelulares ou de deixar aparecer uma nova ciência só sobre a interacção dos seres vivos como a Ecologia.

Simplificar para compreender é uma ferramenta que não impede, nem proíbe que se estude qualquer problema a vários níveis de complexidade. Até porque existem problemas irredutíveis, mesmo na física. Por exemplo, o planeta Terra tem inúmeros fenómenos sobre a sua superfície que só são explicados se admitirmos que pertence a um sistema maior que inclui o Sol. Torna-se impossível de compreender a vida, a atmosfera, a geografia, etc, se isolarmos o sistema Terra do Sol. A ciência não só reconhece isso sem problemas como o afirma antes de qualquer outros e explica como actua o Sol em inúmeros fenómenos Terrestres, desde a visão.

Se não quisermos reduzir ao máximo um problema voltamos para a abordagem antiga de caixa preta. Avalia-se ao mesmo tempo todas as entradas no sistema e ao mesmo tempo o resultado de saída. Ou seja, todas as causas e todas as consequencias, de uma só vez, sem perceber o que se passa "lá dentro". O resultado é uma confusão de causas e efeitos e uma incapacidade de explicar os fenómenos (que torna atribui-os a deuses uma tentação).

É preciso compreender o funcionamento e ver em detalhe. Saber o que é que está a causar o que aonde. Mas nada força a que não se olhe para a caixa de fora como um todo. Isso aliás como chamei a atenção, é sempre feito na ciência.

Os fenómenos emergentes, os grandes ecossistemas, etc, são por sua vez estudados sendo as unidades mais básicas possíveis. Enquanto outra parte da ciência se preocupa com as partículas sub-atómicas.

O holismo, não sendo uma abordagem tão prolifica se for levado demasiado literalmente, não deixa de ter o seu papel. Mas tem de ser integrado e consistente com o que se sabe passar-se a nível dos constituintes.

As pseudociencias adoram o holismo porque pensam que isso lhes permite falar de um problema sem se preocuparem com o que se passa "lá dentro" ou o que o constitui. Ou pelo menos impingem-nos isso. É muito conveniente particularmente nas medicinas alternativas, em que não é preciso saber nada sobre o corpo para dizer como se trata. Dizem eles, mas não provam. Porque é inventado e não descoberto.

Segundo o holismo destas pessoas uma doença nunca seria resultado do mau funcionamento de um só órgão. E saber onde está o problema não ajudaria a resolvê-lo.

Confunde-se o meio de conhecer, a abordagem em si própria com a realidade. Confunde-se o mapa com o território. Em ciência o território é a realidade e o mapa é o corpo de conhecimentos. Para fazer o mapa usam-se todas as ferramentas possíveis. Esta é uma particularmente fecunda.
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