segunda-feira, 31 de agosto de 2009

A ciência não se corrige.

É essa a opinião de Luciano, um bloguer com uma filosofia da ciência original e que se identifica como:

"Uma pessoa que é fã da aplicação do método científico para resolução de problemas corporativos, e especialista em ceticismo empresarial, suportado por frameworks de governança e auditoria. Também é um debatedor com especialidade na aplicação do ceticismo para desmascarar charlatães como Richard Dawkins, Daniel Dennett e Christopher Hitchers, além de seus seguidores. "

Pois este senhor diz que a ciência não é aberta a refutação. Ou melhor o que ele diz mesmo é que a ciência não se corrige. Mas depois de dizer que a ciência é o corpo de conhecimento adquirido cientificamente, era preciso que nunca esse corpo tivesse sido alterado para dizer que não se corrige. E era preciso igualmente dizer que ela não era aberta a refutação e discussão para garantir que não se corrige.

Por isso, ou eu não sei o que é corrigir ou então a ciência corrige-se. Não que o erro seja a caracteristica da ciência, como outros querem fazer crer, mas que a ciência se corrige é um facto.

E não é aberta a debate porque não é aberta a debate. Esqueceu-se, logo ali no meio do método, do "peer-review". E dos debates pós publicação, e dos congressos e sei lá mais o quê. Invoca Popper para sustentar a sua tese, mas não faz citações que possamos confirmar. Faz ameaças:

"E dá para dizer com segurança: se alguém usar esses conceitos deturpados de ciência, e tiver o azar de me encontrar em um debate, já fique sabendo de antemão que será esmagado de tal forma que depois terá vergonha até de olhar de novo no rosto de seus familiares."

Mas sinceramente, não há realmente necessidade de refutar o seu texto. Ele faz isso por si só. Porque de entre todas as vezes que repete que a ciência não se corrige (quer como argumento quer como conclusão - o que acaba por resultar na falta de argumentos para sustentar uma conclusão), e de entre todas os insultos que profere, lá no meio diz:

"O que acontece é que um cientista talvez tenha a sua pesquisa refutada por um outro, assim como no cinema a Pixar trouxe uma nova técnica que superou a antiga animação."

Hãa... Isso não é uma correção?

Mas a minha frase favorita ainda é:

"A ciência só poderia se corrigir se a ciência estivesse errada. Mas não estava. A definição de ciência segue a mesma de sempre"

A ciência não está errada enquanto tem a mesma definição. Boa. Faz as maravilhas de qualquer apaixonado pela ciência como eu.

E agora Popper no seu melhor:

«science is one of the very few human activities – perhaps the only one – in which errors are systematically criticized and fairly often, in time, corrected.» ("Conjectures and refutations: the growth of scientific knowledge").

Ver aqui o texto completo do Luciano:

http://neoateismodelirio.wordpress.com/2009/08/26/ciencia-x-religiao-retardo-mental/#comment-221

Update:

O Luciano Henrique respondeu-me em post aqui:

http://neoateismodelirio.wordpress.com/2009/09/03/a-dificil-arte-de-dialogar-com-os-neo-ateus-parte-2-ou-como-discutir-com-aquele-que-nao-le-o-que-esta-escrito/

Mas a sua justificação para dizer que a ciencia não se corrige é basicamente dizer que a ciência não se corrige porque não tem intencionalidade ou coisa parecida. Isso não só reduz o texto original a um conteúdo ainda mais pequeno, onde só sobram falácias de apelo emocional, como é rídiculo:

Ele explica assim:

" A lata de sardinha é passível de ser aberta: fato

Mas isso não implica que a lata de sardinha se abre"

Sim, ela se abre com um abre latas. E a ciencia se corrige com refutação.


O meu caro leitor siga o link e julgue por si próprio. Acho que não merece um post de resposta.

Update 2:

O Ludwig Krippahl do blogue "Que treta" escreveu um post muito bom sobre o texto do Luciano, (após as duvidas sensatas de se valia a pena ou não perder o tempo para isso...):
http://ktreta.blogspot.com/2009/09/corrigindo.html
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