quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Porque discutir com criacionistas III (e com os outros pseudocientistas)

Quem faz a ciência é o cientista. Mas quem toma decisões é o poder politico. Nas suas mãos está o poder executivo, em maior ou menor grau. Tenta-se que esse poder seja o mais possível a materialização das necessidades e desejos dos povos que lideram. Mas por vezes, e apesar de eu acreditar que este é o melhor sistema possível, algumas das suas caracteristicas podem ser exploradas negativamente.

O criacionismo perdeu a batalha no meio académico algumas luas atrás quando alguém fez com a diversidade biológica o mesmo que outros tinham feito com a chuva, os relampagos, o fogo e as doenças. Isto é, encontrou uma explicação natural, e deixou de dizer que era um milagre.

Mesmo com o investimento feito pelo Discovery Institute em meios humanos e materiais, cerca de 95% dos biólogos (US) são defensores do modelo evolutivo.

Mas existe uma segunda via para os derrotados. Que é convencendo o povo em geral. Tentar na praça publica aquilo que não se conseguiu no meio académico. E onde é muito mais fácil impor argumentos (não somos todos formados em biologia). Atingindo uma determinada massa critica, a sua voz será ouvida. Serão então eventualmente adoptados por uma fação partidária que para o bem e para o mal está lá para representar a vontade das pessoas. E através da politica e opinião publica impor uma idealogia que de outro modo não tinha pernas para andar. E que pode demorar uma eternidade a fazer o percurso inverso depois de instalada.

Até podem manter-se uma minoria. As minorias são para ser ouvidas. E não estou a ser irónico. O que acontece é que isso também pode ser explorado negativamente.

E por via da vontade do povo, muitos ou poucos, aparece uma nova via para impor convicções pseudocientificas. O que não se ganha em termos cientificos, ganha-se em popularidade.

É o caso das medicinas alternativas, que com uma base popular tão forte como a que têm actualmente conseguem inclusivamente infiltrar o meio académico para desespero de muitos que lá trabalham. Mas o dinheiro para as faculdades tem de vir de algum lado e é preciso dar resposta às exigências das pessoas.

Por isso, eu acho que estas coisas não são para ser proibidas, isso é anti-democrático, mas sim para ser discutidos o mais possível. Logo desde cedo. Informar, debater, dialogar, refutar, etc. E isso é um pressuposto da democracia. É a participação das pessoas ser informada e não aleatória. E que as pessoas saberão quase sempre o que é melhor para elas. Mas para isso é preciso informarem-se.

Depois há sempre o problema de não se poder estar em todo o lado a toda a hora e considerar ter a verdade no bolso. A tarefa é quixotesca para poucos, mas apenas uma parte saudável do processo democrático se forem muitos.

E numa sociedade tão dependente do conhecimento, quem vir a ciência a arder num fogo pequenino, por favor tente apaga-lo. Não vá pegar e arder tudo.

Ouça-se mais o meio académico e o consenso cientifico (1).

(1) http://cronicadaciencia.blogspot.com/search/label/consenso%20científico

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