sábado, 29 de agosto de 2009

Adaptação às alterações climáticas pode ficar mais caro que o que se pensava.

Um novo estudo publicado recentemente vem demonstrar que as previsões anteriores sobre quanto custa adaptarmo-nos às alterações climáticas podem ser muito mais elevadas do que se pensava antes.

Esta nova previsão é muito importante no debate sobre as alterações climáticas. Porque um dos argumentos dos ditos cépticos das alterações climáticas é que mesmo que sejam reais, ficaria mais caro tentar evitar o contributo humano que as causa do que pagar o preço e adaptarmo-nos.

Por exemplo, começar a desalinizar agua, transportar a agua das cheias para as áreas desertificadas, usar mais ares condicionados e aumentar a assistência hospitalar para as novas doenças, etc.

Este novo estudo, não apresenta novos numeros. Muito simplesmente dirige-se a questões já abordadas e mostra que seria mais caro que o resultado do estudo anterior. Ou que há coisas que não foram abordadas e que custam dinheiro.

Ou seja, do ponto de vista puramente económico, mesmo para quem não está ralado com o planeta se transformar numa maquina gigante onde tudo acontece artificialmente, parece que isso é mais complicado.

Eu arrisco-me ainda a dizer que tornar a vida na Terra completamente dependente de suporte artificial, (ou simplesmente a caminhar nessa direcção), é uma loucura de consequências imprevisíveis. E isto dito por quem defende que somos dependentes da técnologia e que não podemos senão apostar nela para ter um mundo melhor. Isto é uma coisa. Dizer que ela é tudo o que precisamos é outra. E que ela nos pode resolver qualquer problema e mais algum é falso. Não ao nível tecnológico actual e previsivel no curto prazo. É que se não gostam da natureza, pensem que os meios humanos para sustentar vida artificialmente são muito caros.

Podem argumentar que ninguém está a defender que fiquemos só dependentes da tecnologia (e economia), mas é precisamente essa a consequência que eu vejo da atitude de "vamos adaptando-nos". Sem duvida que temos de nos ir adaptando. Mas temos de minimizar os estragos também.

Até podemos vir a contruir uma base na lua, no meio da aridez absoluta. Mas para quantas pessoas é que o conseguimos fazer e por quanto tempo? Não para uma população como a Terrestre. Nem interessa durante quantos segundos.

Os cepticos chamam a isto que eu estou a fazer, escrever sobre os limites da tecnologia e sobre o perigo das alterações climáticas, alarmismo.

Eu não sei se estou de acordo. Sim, é um alarme. Mas é despropositado? Não há dados cientificos suficientes para considerar que o risto é plausivel? Na minha opinião há. Porque eu não sou especialista no clima, mas sei como se faz ciência. Vozes discordantes há sempre, é a natureza do bicho! Mas como ja disse, para quem está de fora, é melhor confiar no que acreditam os 90% e não no que defende 10% (dos especialistas na matéria).

Este estudo vem mostrar que confiar no poder economico para ir resolvendo os problemas conforme eles forem aparecendo pode ficar mais caro que o que era usado até agora para defender essa abordagem. As conclusões não me espantam. Provavelmente quanto mais pensarmos no problema mais questões de caracter económico vamos descobrir.

Já para não falar que isto pressupõe que haja dinheiro para pagar as "redomas de vidro" em que teremos de viver(1). E quem não tiver esse dinheiro? Temos o direito de tirar o pouco que sobre às nações que mal produzem para comer? É problema delas.

Eu só vejo problemas nesta abordagem.

Notas:

(1) Eu sei que talvez esteja a exagerar, é uma metafora. E daí talvez não...

Ler noticia na Nature aqui:

http://www.nature.com/news/2009/090827/full/news.2009.871.html

Enviar um comentário