Legendado em Português.
Cepticismo, naturalismo e divulgação científica. Uma discussão sobre o que é ou não matéria de facto.
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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Sistema Imunitário - Teoria da Selecção Clonal
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terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
Não é querer silenciar. É querer que seja discutido como tudo o resto. Sem previlégios.
Tendo lido as cartas trocadas entre Dawkins e Hutton e a maneira como essa discussão é retratada pelo prof. Alfredo Dinis num post intitulado "Debate com Dawkins", não posso deixar de mostrar o meu desagrado. As afirmações de Dawkins são distorcidas e re-escritas e se bem que o ideal seria que todos lessem as cartas que eles trocaram apresento aqui uma versão sumária dos equívocos criados pelo Prof. Alfredo Dinis.
O prof Alfredo Dinis diz: "A religião, no caso o Cristianismo, deve, segundo ele, permanecer no silêncio e no segredo do íntimo de cada um. " Mas não é isso que Dawkins defende.
Dawkins não pretende calar os crentes pela força e ele di-lo explicitamente (1). Tal como eu com este post não quero calar o prof. Alfredo Dinis.
Ele quer convencê-los que Deus não existe (2) e que a religião não deve ter qualquer tipo de papel directo nos assuntos da nação(3) , da mesma maneira que o Prof. Alfredo Dinis quer convencer-nos a todos que Deus é amor.
E quer convencer através da discussão. Discussão essa a que Dawkins mostra abertura ao comparecer nos debates promovidos pela Igreja. Se quisesse a Igreja calada o melhor era não lhe proporcionar dialogo. E verdade seja dita, a Igreja Anglicana também dever receber a sua parte de mérito por proporcionar estes debates, a nota de abertura neste caso é para os dois lados. Naturalmente que discordarão um do outro, mas quando se quer calar pela força não se entra em debate publico não censurado.
Depois continua dizendo: "Não deixa de ser surpreendente que seja um não crente a dizer aos crentes de que modo devem viver a sua dimensão religiosa." Quando claramente essa não é a questão que está debatida.
A questão não é aquilo que diz respeito a cada um exclusivamente na sua dimensão religiosa, mas aquilo que vindo da religião diz respeito a todos, por estar relacionado com as regras, leis, padrões morais e etc de uma sociedade e um estado. A oposição ao casamento gay, do uso de preservativo, a participação previligiada na Câmara dos Lordes, etc, etc, etc, são exemplos. Não é nada surpreendente que um não crente (ou um crente noutra religião) não queira aceitar algo para a sociedade em geral só porque se diz ser religião (pelo menos desde a idade média não devia ser surpreendente).
Não é nada surpreendente que o que se faz e o que se diz deva ser discutido em relação ao que é e não em relação à suposta origem religiosa. Considerar isso surpreendente é não compreender nem o secularismo, nem o ateísmo, nem a pluralidade de religioes (cuja melhor maneira de co-habitarem é o secularismo).
Depois o Alfredo Dinis diz assim: "Objectivamente, ele assume atitudes que critica nos Cristãos: a sua palavra é indiscutível, infalível. Que eu saiba, nunca admitiu que em alguma coisa se tenha enganado, ou que as suas posições possam ser postas em dúvida. Os seus argumentos são para ele inatacáveis e quem os não aceita revela falta de inteligência e de objectividade. "
Quando isso é pouco importante. Eu também nunca vi o Prof Alfredo Dinis dizer que se enganou e pouca diferença me faz. Não é esse enganar - em alguma coisa - que está em causa. O que interessa é ver em que é que se apoia o Dawkins no quadro geral das coisas que se dizem e se acreditam. Em que pressupostos assenta o seu conhecimento. E se ele está disposto a rejeitar esses pressupostos se aparecerem evidencias em contrário. E ele explicitamente diz que está. É essa em grande parte até a origem do ateísmo. É rejeitar como conhecimento ou como pressupostos válidos aquelas coisas que não tenham uma justificação que as distinga da infinidade de coisas que nos possam passar pela cabeça. Não há uma fundação cognitiva numa fé. É essa a diferença. E é esse ponto que está em causa, não se o Dawkins se enganou nisto ou naquilo. O problema é que até agora não há fundamentos para justificar tanta fé e até haver não podemos dizer "há e tal enganei-me" só para sermos populares.
Quando isso é pouco importante. Eu também nunca vi o Prof Alfredo Dinis dizer que se enganou e pouca diferença me faz. Não é esse enganar - em alguma coisa - que está em causa. O que interessa é ver em que é que se apoia o Dawkins no quadro geral das coisas que se dizem e se acreditam. Em que pressupostos assenta o seu conhecimento. E se ele está disposto a rejeitar esses pressupostos se aparecerem evidencias em contrário. E ele explicitamente diz que está. É essa em grande parte até a origem do ateísmo. É rejeitar como conhecimento ou como pressupostos válidos aquelas coisas que não tenham uma justificação que as distinga da infinidade de coisas que nos possam passar pela cabeça. Não há uma fundação cognitiva numa fé. É essa a diferença. E é esse ponto que está em causa, não se o Dawkins se enganou nisto ou naquilo. O problema é que até agora não há fundamentos para justificar tanta fé e até haver não podemos dizer "há e tal enganei-me" só para sermos populares.
"As muitas obras de análise crítica das suas obras não lhe merecem mais que um sorriso de desdém. " Falso. Há muitos livros do Dawkins muito bem recebidos pela critica.
"Mas as críticas de Dawkins, como as dos ateus em geral, enfermam de muitas das falácias que constam de qualquer manual de teoria da argumentação." Como por exemplo?
(1) Pode ler-se por exemplo: "Isso não significa que que as pessoas religiosas não possam defender a sua religião. Desde que não lhes sejam consedidos direitos especiais para o fazer (o que neste momento têm) claro que o devem fazer."
(2) Por exemplo: "Eu pessoalmente - e não a minha fundação - gostaria de persuadir as pessoas para o ateísmo. Mas não há nada de iliberal na persuasão. O que é iliberal e não é persuasão é impor a opinião."
(3) "(...) a minha fundação faz campanha pelo laicismo."
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terça-feira, 10 de janeiro de 2012
Então, até à verdade...
A SIC está a dar uma nova comédia chamada: “Até à verdade.”
Deve ter este nome, porque, até à hora da verdade vamos ouvir uma data de disparates. Penso que será no último episódio em que nos dirão a todos que era uma brincadeira.
De qualquer modo não vale a pena perder tempo. Tem pouca graça já que parece que estão a fazer as coisas a sério. Só vi a apresentação e chega.
Vejamos. Logo na apresentação começa com o mito de que só usamos 10% do nosso cérebro e por conseguinte temos 90% que pode ser usado para outra coisa qualquer que lhes passe pela cabeça. Neste caso, a outra coisa qualquer que lhes passa pela cabeça são os testados e descredibilizados poderes mediúnicos para descobrir crimes.
Se não houvesse muita gente a acreditar nesta mentira, até tinha graça por isto num canal publico para uma audiência geral. Mas muita gente não tem bases para saber um pouco do que se passa no cérebro e se bem que seja verdade que não usamos mais que 30 a 40% para tarefas corriqueiras e pontualmente, ao longo do tempo usamos o cérebro todo.
Não faz sentido de qualquer modo, mesmo que fosse verdade a coisa dos 10%, propor que há uns que só usam 10% do cérebro mas que outros, eleitos e especiais, conseguem usar os outros 90% para fazer coisas que só eles dominam. E que desaparecem quando submetidas a análise rigorosa e metódica. Teríamos de admitir uma de duas coisas, ou os 90% extra estão lá apenas para chatear, ou ainda não saberíamos para que serviria. Partir para o apelo à ignorância é, bem... Uma falácia.
Também os apelos à autoridade logo no principio do programa são falaciosos. Ninguém conseguiu demonstrar o que eles alegam, não existem dados que suportem aquelas alegações, e não foi por ausência de testes. Logo não há campo de especialidade para se afirmarem como autoridade.
A tentativa de passar algo como verdade só por que alguém pode acreditar que é verdade não tem graça. Qualquer um pode inventar qualquer treta e há sempre alguém disposto a acreditar. Mesmo se forem muitos - relembrando a falácia do apelo à popularidade. Coisas que possam ser justificadas por evidencias recorrendo a um mínimo de pressupostos é que é difícil. Mas talvez para mostrar o atraso na epistemologia básica da nação temos esta comédia...
Se os mediums fossem obrigados a pagar as despesas das coisas que mandam fazer sem resultados... Se calhar já não andavam por aí mandar postas na televisão. Acho que era começar a pedir justiça por aí. Ou provam de modo cientifico que são úteis, ou então... Isto de abusar da credibilidade, da tendência para a confirmação e de relembrar os resultados positivos tem de ter um preço.
Fazer as coisas encaixar à posteriori no que disseram, com re-interpretações das supostas imagens que têm (e das afirmações vagas que produzem) não chega para justificar dinheiro e tempo perdido gastos em pistas erradas.
Aqui estão alguns artigos para saber mais sobre este assunto:
http://news.bbc.co.uk/2/hi/ uk_news/8369369.stm (artigo de divulgação que refere custos)
http://www.cicap.org/new/ articolo.php?id=101006 (explicação do aparente sucesso)
https://www.ncjrs.gov/App/ Publications/ abstract.aspx?ID=56166 (científico, muito bom)
http://www.csicop.org/si/show/ psychic_defective_sylvia_browne s_history_of_failure/(avaliação sistemática retrospectiva da medium Sylvia Brown)
http:// peicurmudgeon.wordpress.com/ 2011/06/09/ the-cost-of-psychics/ ("post" de blog, muito bom no conteúdo)
http://www.dailymail.co.uk/ news/article-1225417/ Police-spend-thousands-investig ating-suicide-murder-psychics- claim-spoken-dead-mans-ghost.h tml
http://www.nytimes.com/1999/ 12/20/nyregion/ dorothy-allison-74-psychic-dete ctive-consulted-by-police.html (medium famosa em que o chefe que a usava diz que ela resolveu muitos casos - mas nenhum do que tentou publicamente, vá-se lá perceber...)
http:// www.merseysideskeptics.org.uk/ 2009/11/ the-real-cost-of-psychic-tipste rs/(nota acertadamente que atrasam a investigação para além dos custos económicos).
http://news.bbc.co.uk/2/hi/
http://www.cicap.org/new/
https://www.ncjrs.gov/App/
http://www.csicop.org/si/show/
http://
http://www.dailymail.co.uk/
http://www.nytimes.com/1999/
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segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
sábado, 22 de outubro de 2011
Vacinas são bastante seguras, é a conclusão de uma meta-analise recente.
Uma revisão de mais de 1000 estudos sobre efeitos adversos das vacinas conclui que tais efeitos são raros e quase sempre reversíveis. A revisão foi levada a cabo pelo Institute of Medicine (EUA).
Aqui:
http://www.iom.edu/Reports/2011/Adverse-Effects-of-Vaccines-Evidence-and-Causality.aspx
Neste ultimo relatório foi avaliada a evidência para riscos relacionados com a vacina da varicela, da gripe (excepto a de 2009 para H1N1), da hepatite b, do papiloma vírus humano, da tríplice; sarampo rubéola e papeira ( a tal do autismo), da hepatite e meningite menigococica.
As vacinas não são seguras para pessoas imunodeficiência, mas os casos graves em pessoas normais são extremamente raros, aparecendo apenas relatos pontuais ( um ou outro em toda a população vacinada), sem relevância epidemiológica.
A anafilaxe continua a ser a reacção adversa grave mais frequente mas é reversível se adequadamente tratada.
Aqui:
http://www.iom.edu/Reports/2011/Adverse-Effects-of-Vaccines-Evidence-and-Causality.aspx
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
"Coisas que a ciência nem reconhece" e a velocidade da luz.
Ouço muitas vezes algo como "é explicado por coisas que a ciência nem reconhece". Mas existem tais coisas? Como sabemos que existem se não têm factos para as suportar? E se têm que razões há para dizer que a ciência não os reconhece? Alguma vez isso aconteceu significativamente?
Há uns dias atrás a comunidade científica foi confrontada com algo que não deveria acontecer segundo a sua crença.
A saber, o laboratório CERN anunciou que mediu neutrinos a moverem-se mais depressa que a luz.
No entanto, em vez de negar a existência desse novo facto, divulgou-o para o mundo inteiro ficar a saber que algures nas bases de uma das teorias mais importantes da física, muito provavelmente existe uma excepção fatal. Sim, este facto novo pode ser suficiente para falsificar a teoria da relatividade. Uma qualquer teoria que emerja da integração desta nova informação vai ter de ser fundamentalmente diferente da gravidade ainda que tenha de ter resultados quase idênticos para uma série de outras questões.
O surgimento de uma nova anomalia é tanto temida como desejada pela comunidade científica e é importante notar como reage nestas situações. Neste caso, sabemos que os autores da experiencia, demoraram algum tempo para a divulgar (meses) e só o fizeram depois de terem uma grande confiança nas medições. Tinha de ser. A certeza de uma medição com este género de resultado não pode ser considerada de confiança sem um grande rigor na medição e publicar resultados trapalhões não pode ser. Tem de se afastar a hipótese de erro, já que contraria os resultados de muito mais experiencias efectuadas antes e que levaram à confirmação da teoria da relatividade. Mas uma vez obtida essa confirmação, com um grau de certeza bastante razoável, esse resultado foi divulgado.
A comunidade científica em geral, reagiu da mesma forma, no momento logo após a publicação. Em vez de negarem a existência de coisas que não podem explicar começaram por passar a pente fino os procedimentos. De um modo geral lembro-me que as reacções eram de espanto perante o rigor da experiencia. Logo de seguida, levantaram-se as questões da replicação independente. Nada de novo também. Uma coisa que falta é que um grupo independente e concorrente possa por neutrinos a viajar mais depressa que luz e segundo consta existem várias experiencias a correr que podem ser modificadas para o efeito.
Mas seja como for ninguém está a fingir que não vê o que não pode explicar. Pelo contrário.
A quantidade incrível de artigos que surgiram a tentar explicar estes resultados é ilustrativa. Ninguém está a dizer: “isso não aconteceu porque é impossível!”. E se a ciência tivesse esse tipo de procedimento nas suas fundações, esta era a altura de a usar. Mas não tem. Não funciona assim. A ciência é acerca de factos e explicações para esses factos. Temos é de saber que não são apenas impressões e são mesmo factos.
Como disse a inundação de artigos é enorme e alguns nem esperam a confirmação independente para avançar com explicações: Desde a possibilidade dos neutrinos terem usado dimensões extra para chegar ao destino (a teoria das cordas assume várias dimensões), a outras em que se propõe que esta seja a velocidade máxima absoluta e não a dos fotões (luz)). Muitos artigos exploram minuciosamente que fragilidades podem haver e onde a experiência pode ter falhado – o que é muito importante para as repetições que se seguirem.
De resto, parece-me que se está a seguir os passos normais do processo cientifico, da dúvida metódica e a repetir o que é feito quando grandes anomalias são encontradas. O mesmo aconteceu quando se descobriu que a luz tinha a mesma velocidade independente da velocidade da fonte. Foi repetido até se ter a certeza que era um facto e quando se teve a certeza que era um facto tivemos de encontrar uma explicação. Foi muito difícil e precisámos de uma mente como a de Einstein. Mas que a luz tinha a mesma velocidade em qualquer direcção medida independente da velocidade da fonte já era aceite como um facto. Senão ninguém tinha aceitado a relatividade. Claro.
Existem cientistas que não acreditam nestes resultados e dizem-no abertamente. Mas dizem também que esperam que as próximas experiencias mostrem onde está o erro que deu origem a estas medições, o que pressupõe que se isso não acontecer que terão de rever a sua crença. Em todo o caso, estão a tentar adivinhar, era mais sensato esperar.
Mas o que é fundamental é que a comunidade científica está, como sempre esteve, preparada para seguir aonde levarem as evidências. E isso é o que podemos concluir até agora, ainda se não podemos ter uma certeza com rigor cientifico de que os neutrinos andem mais depressa que a luz. Está-se a fazer o que é preciso para clarificar essa questão, com abertura e racionalidade.
Aquelas acusações de haver coisas que a ciência não reconhece têm dois grandes problemas. Uma é explicarem como é que sabem que essas coisas existem e não são apenas palpites mandados à toa. A outra é que justificações têm para dizer que a ciência não reconhece seja o que for que possa ser bem estabelecido como real. É porque não sabem como funciona a ciência e nem sequer querem saber. Dão sempre a ideia que a ciência tem uma lista de coisas que tem de esconder para continuar a ter sucesso. Se isso fosse verdade, nada mais importante para estar nessa lista que violações à velocidade da luz.
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
Medicina Tradicional Chinesa - doenças crónicas e a esperança média de vida.
A China tinha, no inicio do século passado, uma esperança média de vida de cerca de 30 anos. Na Europa por essa altura a esperança média de vida era no mínimo 10 anos mais - em muitos países era quase 20 anos mais (mesma referência).
Só 50 anos mais tarde é que a média de vida na china chegou aos 40 anos, em 1950.
Hoje, a esperança média de vida na china é de cerca de 74,5 anos. Menos 4 anos em média que em Portugal.
Se a medicina tradicional chinesa é uma pratica milenar como vem sendo dito, é óbvio que não era suficiente para dar à China uma longevidade a par da vivida no ocidente. E é óbvio também, pela mesma razão, que não foi esse o factor que permitiu o aumento da esperança média de vida, nos últimos anos. Existem autores que atribuem isso à chegada da medicina cientifica. Mas podem estar errados, claro.
Também pode dar-se que as causas de uma longevidade tão baixa não estejam apenas ligadas a falta de eficiência da medicina tradicional chinesa mas sobretudo a não saber para o que ela serviria. E portanto a aplicá-la mal.
Afinal, arranjar o Qi podia ser ineficaz não só contra doenças infecciosas mas também contra Qis desalinhados devido a carências alimentares ou duras condições de vida. Afinal não podemos esperar que alinhar os Qis por meio de agulhas resolva todo o tipo de problemas não é? Mesmo que fossem as questões mais pertinentes nessa altura. Afinal o que essa gente precisava era de uma alimentação melhor, saneamento básico, vacinas, etc. que aquele tipo de desatino no Qi não se arranjava com agulhas.
Felizmente esses problemas estão resolvidos e a acupunctura pode agora brilhar nas coisas para que realmente serve.
Parece que segundo as tendências actuais, alinhavar os Qis por meio de agulhas, é sobretudo bom para doenças crónicas, de preferência ligadas a dor crónica (1). É bom, porque se não serviu para aumentar a longevidade para lá dos 30 ou 40 anos durante milénios, ao menos agora serve para resolver doenças que surgem em quem vive mais.
Resta a dúvida de para que é que aquilo servia em pessoas com menos de 30 anos... E mais. Onde é que a medicina tradicional, dita milenar, aprendeu algo sobre doenças crónicas em populações com esperança média de vida até aos 30? Que sorte formidável ter conseguido sobreviver durante milénios sem dar resultados para nos ajudar agora contra doenças crónicas. Essas coisas que só aparecem depois dos 30.
É... Suponho que a acupunctura deve ter sido mesmo útil foi a resolver doenças auto-limitantes em jovens. E duvido que seja mais útil para doenças crónicas que para as agudas.
Seja como for, não me parece um bom argumento falar em doenças crónicas ou na longa história de existência da acupunctura para a defender. Isso levanta questões que não lhe são favoráveis.
O problema é que os testes científicos também.
(1) Deixei uma referência, mas isto foi me dito pessoalmente por um senhor, vestido com roupas chinesas e tudo, que estava num congresso de veterinária a vender os seus serviços e que me abalroou enquanto eu ia nos meus afazeres.
Só 50 anos mais tarde é que a média de vida na china chegou aos 40 anos, em 1950.
Hoje, a esperança média de vida na china é de cerca de 74,5 anos. Menos 4 anos em média que em Portugal.
Se a medicina tradicional chinesa é uma pratica milenar como vem sendo dito, é óbvio que não era suficiente para dar à China uma longevidade a par da vivida no ocidente. E é óbvio também, pela mesma razão, que não foi esse o factor que permitiu o aumento da esperança média de vida, nos últimos anos. Existem autores que atribuem isso à chegada da medicina cientifica. Mas podem estar errados, claro.
Também pode dar-se que as causas de uma longevidade tão baixa não estejam apenas ligadas a falta de eficiência da medicina tradicional chinesa mas sobretudo a não saber para o que ela serviria. E portanto a aplicá-la mal.
Afinal, arranjar o Qi podia ser ineficaz não só contra doenças infecciosas mas também contra Qis desalinhados devido a carências alimentares ou duras condições de vida. Afinal não podemos esperar que alinhar os Qis por meio de agulhas resolva todo o tipo de problemas não é? Mesmo que fossem as questões mais pertinentes nessa altura. Afinal o que essa gente precisava era de uma alimentação melhor, saneamento básico, vacinas, etc. que aquele tipo de desatino no Qi não se arranjava com agulhas.
Felizmente esses problemas estão resolvidos e a acupunctura pode agora brilhar nas coisas para que realmente serve.
Parece que segundo as tendências actuais, alinhavar os Qis por meio de agulhas, é sobretudo bom para doenças crónicas, de preferência ligadas a dor crónica (1). É bom, porque se não serviu para aumentar a longevidade para lá dos 30 ou 40 anos durante milénios, ao menos agora serve para resolver doenças que surgem em quem vive mais.
Resta a dúvida de para que é que aquilo servia em pessoas com menos de 30 anos... E mais. Onde é que a medicina tradicional, dita milenar, aprendeu algo sobre doenças crónicas em populações com esperança média de vida até aos 30? Que sorte formidável ter conseguido sobreviver durante milénios sem dar resultados para nos ajudar agora contra doenças crónicas. Essas coisas que só aparecem depois dos 30.
É... Suponho que a acupunctura deve ter sido mesmo útil foi a resolver doenças auto-limitantes em jovens. E duvido que seja mais útil para doenças crónicas que para as agudas.
Seja como for, não me parece um bom argumento falar em doenças crónicas ou na longa história de existência da acupunctura para a defender. Isso levanta questões que não lhe são favoráveis.
O problema é que os testes científicos também.
(1) Deixei uma referência, mas isto foi me dito pessoalmente por um senhor, vestido com roupas chinesas e tudo, que estava num congresso de veterinária a vender os seus serviços e que me abalroou enquanto eu ia nos meus afazeres.
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