Em Inglaterra o tempo de consulta médio para humanos ou animais de companhia é de cerca de 10 minutos.Cá as consultas médicas de 10 minutos também são sistema em muitos sítios. Isto sempre me pareceu muito pouco tempo, e defendo que as consultas devem ser mais longas e com limites flexíveis. Dificuldades com limitação de recursos face a populações crescentes com necessidades cada vez mais complexas podem ter levado a este cenário. Mas as coisas até estão a melhorar ainda que lentamente. O problema é que muitos médicos e médicos veterinários (na prática em Inglaterra) consideram mesmo que este tempo é suficiente. Mas muitos outros nem por isso, então eu penso que temos de olhar para os estudos e ver o que dizem. Eu vou apresentar argumentos para que se aumente o tempo de consulta e que se isso requer mais meios que se lute por eles. A desculpa pode ser económica, mas não é médica.
Permitam-me abordar ambas os problemas (medicina humana e veterinária) de uma só vez, por 3 razões. A primeira é que existem poucos estudos e são quase todos de medicina humana pelo que quero juntar o que se pode de medicina veterinária. Outra é porque o problema é o mesmo. Por ultimo, existem paralelos na forma de colher uma história, observar sinais e sintomas e chegar a uma lista de diagnósticos diferenciais e estabelecer uma terapia. Isto porque a fisiologia é a mesma, muitas patologias são as mesmas ou tem o seu análogo, a ciência é a mesma e o método é adaptado a cada espécie mas com poucas diferenças. Poder-se há argumentar que existem imensas diferenças e existem, mas parece-me mais difícil argumentar que isso se traduza em grandes diferenças de necessidades temporais na clínica geral. Consultas de especialidade são outra questão.
Como escrevia antes, existem poucos estudos. Mas existem já alguns que deixo em baixo para referencia e consulta dos interessados. De facto, existem razões fortes para defender consultas superiores a 10 minutos. Eu penso que neste momento a média deveria rondar, não os 10 mas a meia hora. Mas isto é mesmo uma opinião, porque a única coisa que posso sustentar é que 10 minutos não chega para a clínica geral, seja de que espécie de mamífero seja. Dos que são capazes de argumentar ou dos que não são.
Em resumo, pelos resultados dos estudos, posso defender que consultas mais longas têm estas vantagens:
- Mais problemas são discutidos por consulta (e eles aparentemente andam aí)
- Permite fazer perguntas abertas, em vez de perguntas fechadas de sim ou não que podem deixar algo por dizer.
- A relação com o paciente tende a ser melhor numa consulta longa e possibilita construir um ambiente mais positivo que leva a melhores resultados
- O médico pode sentir pressão para cumprir um determinado horário e muitos admitem que isso interferiu nas decisões clínicas.
- Leva a mais consultas de controlo e confirmação do sucesso terapeutico.
- Dar ao doente estimativas de custos e de proporcionar consentimento informado requerem mais que 10 minutos de consulta.
- São detectados mais problemas em consultas mais longas.
- Satisfação do paciente aumenta em consultas longas.
- Pode estar a alimentar a prática da chamada medicina integrativa que pouco mais oferece que tempo.
Parecem-me vantagens substanciais. Do ponto de vista médico parece-me que não deviam deixar dúvidas. Num mundo de recursos limitados, por vezes, pode não ser possível fazer as coisas como se devia, mas esse é outro argumento, para abordar com outras ferramentas.
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Abaixo estão as referencias anotadas.
- 10
minutos provavelmente não são suficientes, nem são adequados ao que os
veterinários têm de fazer na practica. http://onlinelibrary.wiley.com/enhanced/doi/10.1111/jsap.12115
- consultas
em que não há patologia são de maior sociabilidade entre veterinario e paciente
: http://cel.webofknowledge.com/InboundService.do?product=CEL&SID=R2JnRl1lIBzlg3y66lF&UT=WOS%3A000260984300028&SrcApp=Highwire&action=retrieve&Init=Yes&SrcAuth=Highwire&Func=Frame&customersID=Highwire&IsProductCode=Yes&mode=FullRecord. Quando há
patologia, pelo menos 1/4 das vezes o veterinário está "apressado", o
dono ansioso ou abatido e outras componentes importantes são negligenciadas.
- Consultas com ambiente positivo são mais
eficazes.
- Em
medicina humana, consultas mais longas estão ligadas a melhores resultado
(estamos a considerar consultas de 15 minutos como referencia), e cada vez mais
os problemas que aparecem em consulta são complexos. mais problemas são
detectados em consultas mais longas. É
preciso mais interacção com o paciente. Implementar consultas mais longas deve
ser uma prioridade: http://www.bmj.com/content/324/7342/880.full?ijkey=ceef6e5c8149f93ca8ae7ae9f6f3d162f55f09ae&keytype2=tf_ipsecsha
- Em medicina humana, a duração da consulta
está positivamente correlacionada com o numero de problemas discutidos. E em
veterinaria também: http://veterinaryrecord.bmj.com/content/175/19/486.2.full
- Em medicina humana cada novo problema
discutido aumenta a consulta em 2,4 minutos (em média) : http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/11252208
- artigos
de média relatam que consultas curtas podem servir para ter preços mais baixos:
http://www.telegraph.co.uk/news/health/pets-health/11497515/How-much-time-do-you-need-with-your-vet.html
- Client surveys have
shown that clients place caring and communication‟ as top priority, with
clinical skills second. Consultas de 10 minutos podem não ser suficientes e obrigar o cliente
a marcar e pagar consultas duplas.
Parrticularmente questões abertas levam a aumentar o tempo de consulta.: https://eprints.mdx.ac.uk/3625/1/pauls_doctorate_post_viva__(4)_edtd_17.5.07.final_doc.pdf
- consultas para problemas novos demoram 14 min
em média, varianado entre 6 e 25 minutoss.The
average length of consultations in this study was 11 minutes and 45seconds
rising to 14 minutes and 15 seconds for consultations for new conditions. Many
veterinary surgeons reported feeling pressure to try to keep to appointment
times, with some consultations such as vaccinations and post-operative checks
being completed more rapidly as veterinary surgeons attempt to keep to time.
The time pressure also appeared to have an influence on the clinical decision
making in the consultation with veterinary surgeons reporting that they had to
make decisions about which problems to deal with in a particular consultation,
and ongoing consultations being used to assess changes over time and response
to treatment. : http://eprints.nottingham.ac.uk/12051/1/Dissertation_final.pdf
In GP human doctors are considering that
consults must be longer: http://careers.bmj.com/careers/advice/Consultation_times
Em medicina
humana o tempo de consulta é influenciado pelo tipo de cliente e pelo país
(Belgica e Suiça a média é de 15 minutos. Em Inglaterra 10 minutos). Médicos
mais velhos dão consultas mais longas. A lista de espera só diminui o tempo de
consulta quando é muito grande): http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC119444/
Although the length of UK primary care
consultations has increased steadily from the 1960s and is now on average 9.36
min,1 patients still express dissatisfaction with the length of their
consultations. :http://fampra.oxfordjournals.org/content/21/5/479.full
Mean
appointment length was 11.45 minutes (range, 4–28 minutes), with problem and
recheck appointments requiring 14 and 13 minutes, respectively. Most
appointments took an iterative approach that led to 71% exceeding necessary
history-taking. An increase in time budgeting is needed, so that the client has
informed consent and cost estimate. : http://www.veterinaryteambrief.com/article/consultation-style-are-you-following-best-practices
The shortest consultation observed lasted for
just 51 seconds, while the longest lasted for 36 minutes. In human medicine, large
amounts of research has been conducted into the nitty gritty of how
consultations work and the types of issues that are discussed. This has shown
that more lengthy consultations tend to lead to more issues being discussed and
better detection and management of certain conditions: http://blogs.bmj.com/vetrecord/category/veterinary-education/
Time
spent reading or writing clinical notes prior to or following the consultation,
talking to the client in the waiting room, or preparing medications or samples
once the client had left was not included. Consultation length ranged from
51 seconds to 36 minutes 45 seconds with a median of 9 minutes 49 seconds. This suggests that a 10-minute consultation
may not be of sufficient length, particularly as not all tasks associated with
a consultation were included in the timing. http://veterinaryrecord.bmj.com/content/early/2014/09/26/vr.102713.full
This
raised concerns as to whether previously used methods are able to capture the
full complexity of the veterinary consultation and so a method which is able to
gather more detailed data from each consultation is needed. Understanding the
complexity of the consultation will also be useful when directing veterinary
curricula, particularly when teaching consultation skills, and will also have
applications in first opinion practice (e.g. scheduling of appointments). http://veterinaryrecord.bmj.com/content/early/2014/09/26/vr.102548.full
Duração da
acupunctura: http://www.nhs.uk/Conditions/Acupuncture/Pages/How-is-it-performed.aspx
greater patient satisfaction is associated with perceived and actual
visit duration.5,6 . (…) Not surprisingly, however, we found a
clear and consistent relationship between visit duration and provision of
counseling and screening–based care. :
medicos ingleses queixam-se de falta de tempo de consulta, embora os
alemães ainda tenham menos. De qualquer modo uma consulta de exame físico
completo mesmo em Inglaterra dura 20 minotos. Nos estados unidos 30
minutos.: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3621071/
Uma teoria cientifica, tem de explicar o que se sabe e fazer previsões testáveis. Podemos com as teorias construir modelos e levar as previsões um passo ainda mais à frente. Testar as previsões é uma maneira eficaz de avaliar a veracidade das teorias.
E o que a ciência prevê para coisas como o Reiki, é que não se encontrem provas de que funcione. Não mais que o efeito placebo – isto é, por aquilo que reproduz o Reiki em tudo, excepto nas suas caracteristicas especificas.
A ciência prevê isto, porque o Reiki assenta em noções pré-cientificas acerca de entidades e conceitos que sabemos não existirem com um grau de confiança elevado. Não estão nos modelos cientificos que permitem explicar e prever tantas outras coisas.
Por isso, embora existam poucos estudos rigorosos, num contexto de pouca plausibilidade, e sendo que eles suportam a previsão de que o Reiki não tem efeitos que a si possam ser unicamente atribuido, a conclusão que merece confiança é de que o Reiki não se distingue de placebo.
Notar que encontrar
resultados em que imitar Reiki é igual a fazer verdadeiro Reiki está em linha com o que se prevê encontrar com o efeito placebo.
E é isso que acontece. Mais, como o efeito placebo é sobretudo um efeito na percepção e não um efeito sobre a entidade patológica em si, é de esperar também que seja na dor e noutras questões subjectivas que vamos encontrar significado estatistico no uso do Reiki. E claro. É isso que acontece.
O mesmo efeito poderia ser obtido com uma série de mentiras sobre a cura…
Ou simplesmente fortalecendo a crença no tratamento genuino e apoiando psicologicamente as pessoas. Afinal, o efeito placebo é um efeito da crença, não do tratamento, e como tal é muito mais fácil de obter. Existe em tudo. Até nas coisas que funcionam mesmo.
Como já disse antes, o que as pessoas sentem, para além de estarem realmente a ser tratadas, é importante. Mas podemos conseguir isso sem estar a destruir a imagem da ciencia – das coisas que realmente funcionam -e a destruir o próprio beneficio que se tira daí.
Para já, isto é o que a ciencia diz. Sem grandes dúvidas. Caso haja provas em contrário, estou disposto a mudar de ideias. Mas acreditar nisso em face da evidencia disponivel é acreditar que a melhor aposta é no que tem menos hipoteses de ganhar…
E por favor, não disparem no mensageiro. Vejam-se os estudos abaixo:
BIBLIOGRAFIA:
Estudo de revisão: Enquanto que não se encontraram reduções significativas nos sintomas, o Reiki melhorou a boa disposição:
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21584234
Outra revisão onde não se encontra suporte para esta prática:
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/18410352
Não há diferenças entre Reiki verdadeiro e Reiki “à balda” no que se refere à significancia estatistica dos resultados. No entanto, como fazem os acupunctores, conclui-se que ambos funcionam e não que é apenas placebo:
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21531671
“Review” que conclui que não se pode tirar conclusões sobre a eficácia, que é preciso mais testes (como se o que se espera é não se encontrar suporte para o Reiki?):
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21701183
Conclui eficácia para dor (embora p=0,091) e ansiedade em doentes oncológicos:
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21998438
Encontrei apenas dois ensaios clinicos que considero bons por cumprirem regras imporantes de metodologia. São estes dois:
Estudo randomizado, duplo cego (Reiki à distancia) após cesariana – Não funciona:
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3191394/?tool=pmcentrez
Estudo randomizado, controlado com Reiki falso, na fibromialgia – Não funciona:
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3116531/?tool=pmcentrez
Reiki pelo Prof. Edzar Ernst, doutourado em medicinas alternativas e convertido ao cepticismo ao tentar demonstrar que elas funcionavam: http://edzardernst.com/2013/04/reiki-neither-plausible-nor-effective-nor-harmless/
Não encontrei nenhum estudo randomizado, cego, e controlado com placebo (falso Reiki) que sugerisse eficácia no Reiki. Agradeço a quem encontrar algum que me diga.