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quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Drama e argumentos homeopáticos.


Isto começa com um  "post" pertinente que  o David Marçal escreveu no blogue "De Rerum Natura" e de que eu aqui fiz eco imediatamente. Era sobre a regulação das medicinas alternativas e de como isso é contra o que devíamos estar a fazer. Uma actividade regulada é uma actividade legitimada em certos aspectos. E para quem não sabe mais, isso é como que uma recomendação institucional. Por isso eu, o David Marçal e muitos outros achamos mal regular a actividade pseudomédica. E depois, quem tem uma ideia do processo que leva a isto, tem uma ideia muito boa em que moldes as coisas vão ser feitas. Vai tratar-se de facto de uma legitimação das pseudomedicinas. Ou então alguém consegue mudar o rumo das coisas.


O Desidério Murcho, filósofo de serviço do De Rerum Natura, fez em reflexo ao texto do David Marçal um "post" em que fazia a defesa do direito à palermice e que o David Marçal não podia proibir a homeopatia. Mas o David Marçal não pode nem nunca quis proibir a homeopatia (nada no texto dele aponta para isso). Nem ele, nem a maioria dos que lhe responderam (para não dizer todos).

De facto, os ceticos da praça parecem estar todos de acordo que não se podem proibir as pseudomedicinas. Mas isso também não quer dizer que elas nesseçariamente sejam de algum modo recomendadas ou que sequer se deva tomar uma acção que sugira que são recomendadas. Por exemplo, eu escrevi um post sobre o que achava que devia ser feito, logo a 14 de Setembro, quando a coisa começou fervilhar, dizendo o que esperava de uma regulação (mas que não é o que vai acontecer certamente) e onde esclareci logo que não queria proibir nada. O Ludwig Kripphal escreveu depois um post muito bom em resposta ao do Desidério e o David Marçal também, todos notando que não queremos proibir nada, apenas não aprovar. Isto, porque o post (e comentários do próprio nesse post e seguintes) além de acusar de algo que ninguém quer fazer, usava os argumentos mais estranhos. Sugeria que talvez houvesse alguma verdade na homeopatia, que eventualmente haveria uma espécie de conspiração contra a homeopatia. Argumentava também algo do género  de que se não faz mal a terceiros andar a vender gato por lebre  e quem compra gato continua convencido que é lebre, então devia poder vender-se gato por lebre. Isto foi-lhe tudo respondido adequada e convincentemente. 



No entanto o Desidério achou que ainda tinha mais uma cartada na manga. É a do cientificismo. Que não deixa que as discussões politicas sejam verdadeiras discussões porque não nos deixa querer alcançar a verdade. Aparentemente, estas discussões apenas servem aqueles que querem empurrar o mundo na direcção que querem, não porque se tenha investigado, estudado, ponderado um assunto, mas porque sim. Porque ao que parece, o direito a empurrar o mundo pertence apenas àqueles que estudam filosofia. Esses sim, porque os outros sofrem de cientificismo. E o apelo à autoridade para o próprio e para Rawls está lá. E se bem que ninguém defenda um regime autoritário em que as pseudomedicinas são proibidas, o espantalho do cientificismo monstruoso contra a bela filosofia está lá. Num novo post.

Descobri-o através de um optimo post do Marco Filipe no Comcept. Pensava que o Desidério tinha compreendido que estava a dar tiros ao lado e a usar maus argumentos para disparar esses tiros. Mas não. Ele decidiu mesmo lançar a cartada do cientificismo, chamar ignorantes a todos e reservar o direito de ter verdadeiras discussões a ele e a quem estudar filosofia. Os outros estarão apenas a ter pseudodiscussões, e a tentar empurrar o mundo, coisa que ele não percebe que também faz ao dizer como devem ser os participantes numa discussão ou que o mundo deve ser assim ou que não se pode fazer assado.

Quanto ao cientificismo, neste caso, se significar tirar conclusões diretas de como deve ser algo a partir do que as coisas são é errado. É uma espécie de falácia do naturalista. No entanto o que estamos a fazer ou a tentar fazer, é ver como as coisas são para tentar dizer como elas devem ser para vir a ter determinados resultados que levem a um mundo melhor de acordo com as nossas escolhas. Para todos. E isso inclui a liberdade pessoal e o direito a ela. Por isso não estamos a tentar proibir nada, mesmo que isso fosse melhor para a saude das pessoas, só para que não se sintam menos livres. Porque temos de respeitar gostos das maiorias e manter a estabilidade social e criar um ambiente onde as coisas sejam discutidas racionalmente. Para chegar à verdade.

Mas o cientismo e querer empurrar o mundo, diz o Desidério, faz com que não estejamos querer saber a verdade.

Só que aquilo a que o Desidério chama cientificismo, julgando pelas respostas que eu li ao seu post e que ele acusa, é um espantalho. Está longe de não ser uma posição em resultado de pensamento racional e investigação honesta, em relação aos factos em disputa. Factos esses que o Desidério põe em causa ao apelar à dúvida sobre o conhecimento cientifico e em cuja tentativa de descredibilização assenta parte da sua argumentação. Talvez não se possa ter a certeza de nada, mas por tudo o que se sabe que serve para validar uma afirmação sobre o mundo empirico, e é sobre este que estamos a falar, as respostas que foram dadas ao Desidério são originadas por imensas linhas convergentes de investigação sugeitas aos mais rigorosos critérios para eliminar entre outras coisas a parcialidade. Talvez não sirvam para especular sobre entidades inventadas que podem não existir fora das nossas mentes. Mas é o melhor que temos para dizer o que há nas nossas mentes e fora delas. E para fazer precisões sobre o mundo empirico.  E se queremos fazer planos para o futuro, temos de tentar basear as nossas decisões naquilo que sabemos que é o mais próximo da realidade que aquilo que sabemos não se lhe aplica. Sabemos que a democracia é algo a proteger. Não podemos ferir  a estabilidade social proibindo coisas populares. Mas sabemos também que a homeopatia não funciona.

Não podemos proibir. Mas podemos também não incentivar. E chamar a atenção que aquilo que parece ser uma liberdade de escolha, na realidade não o é. Porque não faz aquilo que a pessoa pensa que escolheu.

Não é o mesmo que gostar e ter o direito de por caca de cotovia na sandes. É muito mais como comprar a Lua. Há liberdade de escolha quando as opções são legitimas. Não há liberdade de escolha se o que nos é dado não é o que nós escolhemos. Há quando o que nos é dado é o que nós escolhemos.

E no entanto esta confusão é um dos argumentos do Desidério. Não devemos dar a homeopatia a quem a escolhe ser tratado porque a homeopatia não é tratamento. Devemos dar-lhes a homeopatia porque não temos maneira de explicar a todos porque estão enganados.  Ainda. Mas temos de alertar para o engano através de "posts" como o do David Marçal.

É de notar ainda que em outros casos obrigamos a vacinar, por o cinto, usar capacete, não usar drogas pesadas, não por demasiado sal no pão que se vende no supermercado, etc, etc,etc... É uma questão também da popularidade e do resentimento que isso pode causar.

Por isso, acho mesmo que estas discussões são importantes. Não pretendo calar quem tenha a opinião oposta e estou disposto a apresentar uma longa série de razões para desacreditar a homeopatia. Não pretendo apenas apelar para a autoridade da ciencia, ou para a minha, como argumento e responder ao Desidério que de homeopatia não pode discutir comigo. Apelos à autoridade são sempre uma forma fraca de argumentação já que apelam por outro lado a infalibilidade de alguém. Apelos a consensos de especialistas são melhores heuristicamente, mas isso não aconteceu.


A não ser que o Desidério ache que as pessoas não devem ser protegidas contra aldrabices que podem nunca vir a descobrir, (como ter um seguro de vida falso, não lhe cair o teto de casa em cima, ir ao hospital e ser atendido por um pseudomedico sem saber, etc),  então a razão para não se proibir a homeopatia não é para dar liberdade. É para que as pessoas não sintam que perderam a liberdade. Porque liberdade é a de poder escolher e ter o que se escolheu, o melhor possivel. Ter liberdade é muito mais ter boas opções que uma data delas imaginarias. Só a crença é pouco para validar uma escolha. Tem de ser ter em conta o efeito na sociedade dessa escolha. E uma vez que estamos a falar de precepção de liberdade, nem de liberdade em si, é bom que tenhamos bons argumentos para sugeitar a sociedade à descredibilização do valor da ciencia.

Mais uma vez, este arguento não é para proibir. Mas é para poder discutir. E de preferencia não legitimar.

Outro erro que o Desidério repete uma e outra vez e que já lhe tinha sido respondido é que não faz mal a terceiros, que é uma escolha privada, pessoal.  Mas faz. Pode fazer mal por aumentar o tempo de contágio de uma doença por falta de tratamento, aumentar o numero de focos de contágio por ausencia de vacinação adequada, aumento do dispendio de recursos médicos por permitir o agravamento de doenças antes de chegar a um hospital a sério, etc. Faz mal por ser uma industria não produtiva que em nada contribui para a sociedade em que todos vivemos, por eventualmente começar a sair do erário público e por criar um sentimento anti-cientifico, (já que estes pseudos são todos pró-ciencia até começarmos a argumentar com eles. Começam logo a desbastar na ciencia quando se lhes mostra que os argumentos cientificos são em maioria contra as suas ideologias). 

E depois, diria mesmo que  promove o pensamento irracional. "Wishfull Thinking", a validação da evidencia anedótica, o pensamento mágico, etc, etc, etc. E depois de promover o pensamento irracional, e de legitimar  quem consiga ter popularidade, apesar de vender gato por lebre, acaba por corromper o objectivo ultimo da sociedade de maximizar recursos e bem estar. Estariamos a dedicarmo-nos aos recursos errados, como na idade do pensamento mágico.

Outra coisa: Ninguém pode estar a par de tudo o que é treta ou  não é o tempo todo. Tem de haver um estado que protege em grande medida para haver segurança. E para muita coisa há, e a pedido geral das pessoas. É aliás uma marca da democracia, ter um estado em que as pessoas têm confiança naquilo que propõe (e ainda assim queixarem-se).  E a medicina já existe, já é regulada, e não precisamos destas confusões. Eles que a pratiquem sem qualquer tipo de recomendação, certificação, aprovação ou legitimação.


Mas quer me parecer que o problema desta troca de posts, é muito mais a cientofobia que a defesa racional de uma liberdade que ninguém quer tirar. É que já se disse que faz mal a terceiros, que nada, mas mesmo nada que não seja relativista ao extremo suporta a validade da homepatia. Já se disse que não há aumento da liberdade, apenas a percepção desta e que mesmo assim não queremos acabar com a percepção desta. Agora é se podemos ou não ter discussões verdadeiras porque não somos filosofos? Que não queremos chegar ao fundo das coisas? Que isso é por causa do alegado cientificismo?

Cientofobia. 

Volto a dizer. A melhor maneira de lutar contra crenças populares baseadas na ignorancia é mesmo pela via da discussão livre e educação.

Por ultimo queria comentar a alegação de que os "cientificistas" são aversos à filosofia e à história. Para os Naturalistas, como eu e outros aparentemente no ramo do "cientificismo"  a filosofia e a ciência misturam-se e são a mesma coisa em muitos aspectos. A história idem. É em muitos aspectos uma ciência e cada vez mais para lá caminha. As teses históricas são sempre naturalistas, procuram basear-se em factos que podem ser verificados por todos, tentam cada vez mais ser testadas por condições falsificadoras e usam recursos tecnológicos sem medo. E na ciência também existe especulação, comparação de dados, hipóteses, procura de consensos, etc. Até a procura de fontes independente que sejam convergentes nos mesmos achados é identico em ambas. Eu vejo a história como uma ciência, há é apenas coisas que provavelmente nunca viremos a saber se não andarmos no tempo. E outras que apenas ficarão com um grau variável de plausibilidade.

Update: Alterado 16:11 para corrigir algumas inexatidões menores e pontuação.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

O mecanismo de acção da homeopatia está lá junto com o resto das coisas que se alegam que "não se podem provar que não existem só porque não se encontraram".

Isto é, outra vez a questão de provar uma negativa. Para os defensores de pseudociências não pode ser possível provar uma negativa. Insistem nisto quase todos. Não pode ser possível provar que não existem espíritos, não pode ser possível provar que não existem energias inteligentes, etc.

Desta vez é o presidente da firma de produtos homeopaticos Boiron - o Christian Boiron em pessoa - que insiste que lá porque não se conhece o mecanismo de acção da homeopatia não podemos dizer que não existe – que não é cientifico. É cientifico. Podem provar-se negativas.

Em ciência, e como eu tenho já dito, depois de procurar exaustivamente um mecanismo ou entidade e não o encontrar, a conclusão é que não existe. E isso foi o que se passou com a homeopatia. Primeira eram os miasmas, depois a memória da agua, etc. Nenhuma dessas alegações se demonstrou ser verdade, após procura exaustiva e sistemática.

O que pensam que vai acontecer com a particula de Higgs se não for encontrada nas condições em que devia aparecer? Ou com a supersimetria? Ou com todos os outros medicamentos (que não sendo rotulados de alternativos) não encontrem eficacia e mecanismo de acção comprovados?

Para mais, não existe nenhuma diferença lógica funcional entre uma afirmação positiva e uma negativa, já que pela dupla negação temos a afirmação original “de volta”. Isto pode ser usado para converter afirmações positivas em negativas e fazer avaliações lógicas. Ver este artigo aqui acerca disto.

Temos de ver que de entre as coisas que se procurou exaustivamente e não se encontrou prova é de que tenha de existir um mecanismo de acção. A homeopatia não funciona, logo não encontrar o mecanismo de acção é o esperado. O Christian Boiron diz que a homeopatia trata muita gente. Mas isso não é verdade. Do mesmo modo, quando repetimos sistematicamente testes que dizem que não há eficácia, a conclusão é que não há eficácia. Não é que “apesar de ainda não termos demonstrado que havia eficácia logo, não quer dizer que ela não exista”.

Na prática, provar uma negativa pode dar mais trabalho porque pode exisgir que se repita uma experiencia até deixar de ser plausivel aceitar que exista esse efeito. Ou, até chegar a um ponto, onde esse efeito mesmo que exista, é tão reduzido que não tem significado (como por exemplo o efeito de mais uma ou duas moleculas de agua ingeridas por dia).

Mas sem efeitos e sem mecanismo de acção nem vale a pena estar a arranjar problemas que nem sequer são verdadeiros. Pode-se provar uma negativa.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Companhia homeopata ameaça com processos legais crítico italiano.

A Boiron, uma empresa que produz artigos homeopáticos ameaçou um blogger italiano com um processo legal por este a ter criticado abertamente. E exigiu ao servidor de internet que alojava o site para impedir o acesso ao dito site.

Não havendo outros argumentos aparentemente esta ideia ter-lhes há parecido uma boa solução. Ou talvez tenham só avançado para ver como é que a coisa corria, afinal se puderem calar os críticos todos e todas as vozes a dizer "o rei vai nú", talvez se possa continuar negócio sem sobresaltos.

Mas a coisa aparentemente correu mal - ou está a correr - e já se comenta pelo mundo fora. O assunto é inclusivamente noticiado pelo British Medical Journal.

É um atentado ao direito de expressão. É um atentado à divulgação e discussão de ideias. E é um atentado à ciência em si que vive e cresce na discussão de ideias. Mandar calar e tentar calar em vez de argumentar é cobarde, é antidemocrático e anti-cientifico.

Ainda por cima ele tem razão. Os medicamentos homeopatas não têm eficacia e nem era esperado que tivessem. São apenas agua ou açúcar e funcionam como um placebo. Vendido ao preço de medicamento.



domingo, 3 de julho de 2011

Homeopatia: Afinal que critérios?

De vez em quando deparo-me com alegações do género "funciona com outra filosofia" ou "que a ciência ocidental não pode ver".

Desta vez foi que: "os critérios de evidência aos quais a Homeopatia tem sido submetida, estão totalmente errados" (1)

É difícil manter uma resposta séria a alegações destas. Os critérios com que avaliamos eficácia estão errados?
Como por exemplo querer saber se realmente cura e trata doenças?

Se calhar devíamos usar outros critérios. Quais?

Talvez o critério com que consegue vender agua ao preço de medicamento, não?

Porque é para aí que leva defender a "evidencia anedótica" como é da praxe nestas coisas.
(1)http://homeopatia-chl.blogspot.com/2011/02/mentes-fechadas.html

Via "Que treta" do Prof, Ludwig Krippahl de quem aconselho o respectivo post:

http://ktreta.blogspot.com/2011/07/treta-da-semana-mentes-fechadas.html

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Homeopatetices, o conselho da farmacêutica, e a lista negra.

No sábado, como planeado, fui fazer numero no protesto anti-homeopatia. Depois de muito ponderar e ler mais umas coisas, e não tendo encontrado nenhum artigo sobre resíduos tóxicos ou de fármacos em produtos homeopáticos, nem o que me lembrava de ter lido, considerei que o risco era baixo e participei do mesmo modo que os outros. Tomei uma dose cavalar daquilo, meia embalagem de uma vez, (já que partilhei o meu produto porque ainda custa 10:45), mas ainda cá estou. Às 10:23 como combinado. No resto do mundo seguiu-se a mesmo acontecimento.

Infelizmente éramos muito poucos. Se os homeopáticos tivessem razão esta seria uma poderosa demonstração, mas infelizmente penso que é preciso continuar este tipo de coisas para alertar as pessoas.

Nesse dia, quando comprei o produto, tive em primeira mão a confirmação da nessecidade de explicar o que é a homeopatia e explicar porque não funciona. A senhora farmacêutica que me atendeu, depois de me por o produto na mão começou a dizer como se devia tomar. E como funcionava. Perante a minha resposta de que não funcionava, ainda insistiu que sim e chegou mesmo a salientar que era farmacêutica (WTF!?)  acabando por concluir que se calhar eu tinha uma formação parecida.

Não é tolerável que as farmácias abusem da sua autoridade para vender produtos que não têm eficácia comprovada e não têm plausibilidade nenhuma no mecanismo de acção que propoêm.

É só agua e açúcar. Mais nada. É preciso que as pessoas saibam que é só agua e açúcar. Porque eu penso que muitas quando souberem que aquilo é só agua e açúcar e que não se consegue melhor que o efeito placebo vão tentar gastar o dinheiro em placebos melhores como um chocolate quente ou um filme bonito.

Naturalmente que deixei a farmacêutica saber desta minha opinião. Foi um choque ouvir tamanho disparate ser proferido com tanta naturalidade por uma pessoa que estudou para saber mais que aquilo. Bem sei que um curso superior não transforma idiotas em pessoas inteligentes, mas não deixo de ficar pasmado. Claro que ela podia estar apenas  a seguir instruções, mas o problema mantém-se.

Eu sugeria que se fizesse uma lista das farmácias que  para lá de vender medicamentos homeopáticos não se importam de os aconselhar e dizer que funcionam. Sugeria mesmo que essa lista fosse obtida às claras e explicando porque é que a estávamos a fazer. Os dados deveriam ser obtidos directamente do director clínico e não anonimamente. A recusa a responder devia igualmente ser anotada e divulgada.

Creio que o numero de farmácias que assumam a responsabilidade de dizer que a homeopatia funciona vai reduzir muito  se for tudo feito publicamente e à claras. É não só uma oportunidade para o cliente saber do que pode contar numa farmácia em relação aos seus conselhos, como para algumas farmácias se destacarem da tenda de feiticeiro com que algumas não se importam de confundir.

PS: Descobri agora no expresso que o presidente da ordem dos farmacêuticos diz que há medicamentos homeopaticos registados com eficacia comprovada. Não só os medicamentos homeopaticos não precisam de ser eficazes para ser registados (sim, é incrivel) como tal eficacia nunca foi comprovada. Para quem acha que há conspiração das farmaceuticas espero que isto mostre em que sentido ela poderá ser.... Link para o expresso, aqui:

 http://aeiou.expresso.pt/farmaceuticos-contra-ioverdosei=f630172

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Homeopatia. Conspiração das farmacêuticas?

Só se meio litro de tinta der para corar todos os oceanos de amarelo... Do princípio:

Os defensores da homeopatia continuam a falar em conspiração por parte das grandes farmacêuticas para explicar a atitude de pessoas como eu ou os activistas que vão fazer a campanha 10:23 já este sábado (ver notas).

Mas isso é tolice. Não só as farmacêuticas podiam todas fazer medicamentos homeopáticos como ainda enriqueceriam com isso. Algo que provavelmente não lhes escapa. Se não o fazem, pelo menos com o nome de marca, é por uma questão de prestígio. Como é que se pode confiar em quem defende algo como isto:

A teoria da homeopatia diz  a que a agua guarda memória das coisas em que esteve em contacto. Por isso diz que pode se diluir milhares de vezes uma solução e que a actividade inicial ainda está presente mesmo quando já só temos agua.

Uma solução padrão de 30X, em homeopatia, significa diluir uma solução em 10 partes e repetir o feito 30 vezes (1).

Ou seja, põe-se uma gota de produto activo em 9 de agua e temos 1X. Tiramos daí uma gota e colocamos em 9 de agua e temos 2X. Até fazer os 30X.

Portanto  2X é uma solução de 1/100 e a solução homeopática 30X é igual a...    1/1000000000000000000000000000000 da solução original!

Isso é igual a 1 litro misturado num oceano com 10 elevado a 30 litros. Que é mais que toda  a agua que existe na Terra! (Terra = 1,35 elevado a 18 para todos os oceanos).

Qualquer pessoa que já tenha pelo menos cozinhado e usado temperos sabe que não há maneira de conseguir mais com menos. Pelo menos no que respeita à intensidade do efeito dos temperos. O sabor, neste caso.

Esta é a trêta que a homeopatia quer  vender. É que diluir 30X uma gota de agua do mar em agua destilada causaria na língua o efeito aumentado da agua do mar. Seria mais salgado na língua, graças à memória da agua e diluição infinitésimal.

Portanto, mesmo que os miasmas que ela se propõe reorganizar existissem, não havia maneira de em tamanha diluição haver qualquer efeito sobre eles.

Não há conspiração nenhuma. Há é bom senso, e pessoas que não são capazes de ficar caladas enquanto uns abusam da credulidade de outros.

E é verdade. 30X nem é o mínimo. Eles usam 30C, 200C, é só fazer render a agua. Em que 30C é igual a 60X.

Claro que os ensaios clínicos que excluam placebo e acaso dizem que não funciona. É apenas o esperado...

(1) http://en.wikipedia.org/wiki/Homeopathic_dilutions

Ver mais em:

http://1023portugal.wordpress.com/2011/01/25/homeopatia-o-teste/

Agredecimentos ao Pedro Homero pelas indicações dos erros. Ver comentários.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Manifestação anti-homeopatia e dilemas da ética céptica.

Tenho estado a pensar participar na campanha anti-homeopatia (1) apesar de ainda não ter conseguido arranjar companhia. Mas a minha consciência insiste que devo ir - a sociedade precisa que as pessoas que fazem parte dela sejam activas. As manifestações são mais que um direito (pelo menos em alguns casos). Não é aqui que está o problema.

O problema é que a manifestação inclui engolir uma data de medicamentos homeopáticos. É esse todo o ponto da questão. Simular uma overdose para mostrar que só com água não é possível.

O problema está em que eu não confio naquela gente, nos produtores de tretas homeopáticas, nem para lavarem os frascos que usam para vender aquilo.

Como é que é suposto confiar que aquilo é o que eles dizem, se eles dizem também que tratam e curam centenas de doenças quando sabemos não têm realmente eficácia nenhuma? Se não se importam de cobrar dezenas de euros por frascos alegadamente só com agua e açúcar sem eficácia terapêutica?

Quem me garante que cumprem normas de higiene, usam recipientes não tóxicos e que não metem mais nada lá para dentro, nem que seja um bocadinho de paracetamol e cafeína para ter de facto qualquer efeito?

Porque haveria de confiar que um medicamento homeopático é só agua e açúcar se todo o contexto é uma aldrabice pegada?


É simples, não confio. De resto, até me lembro de há uns anos ler um artigo que falava em resíduos de metais pesados e outros medicamentos nestas tretas homeopáticas.

Enviei um email à organização do protesto, e responderam-me que estão com a mesma preocupação. Que estariam a fazer uma lista de medicamentos homeopaticos que fizessem justiça à sua palavra para comprar depois na farmácia. Cada um leva o seu. Mas ainda que não me tenham dito como se obteria tal lista, uma vez que andar a testar tudo fica caro, a verdade é que andei a procurar no site da manifestação e não a encontrei ainda.

Se eu comprar um frasco e puser lá agua dentro, na prática estou a fazer um medicamento homeopático, ainda que sem aquelas feitiçarias de bater com o frasco não sei quantas vezes e etc. Mas não seria um medicamento comercial e não estaria a participar realmente da manifestação de mostrar a impossibilidade de overdose com medicamentos homeopáticos comerciais por não haver lá mais que agua e açúcar, precisamente com medo de que haja lá mais que agua e açúcar, ainda que por motivos de falta de cuidado ou aldrabice redobrada.

Estaria realmente a mentir. E a mascarar outra dúvida que sempre tive, que é quem garante que eles fazem o que dizem, já que o que dizem não faz nada.

Para isso não vale a pena ir. Ir sim é para emborcar aquilo ou ficar a ver. E ficar a ver... Para quê?

Sugestões?

(1) http://1023portugal.wordpress.com/desafio-1023/

 PS: Aos organizadores (caso passem por aqui): Eu apoio completamente o que estão a fazer. Como disse, confio é tanto naquela gente para vender agua como para curar  cancro.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

"Homeopatia é só água e açucar!" - Príncipe Real dia 5 Fev. às 10:23, pela nossa saúde (e carteira).

No Príncipe Real, dia 5 de Fevereiro, às 10:23, haverá uma manifestação contra a venda de agua como se fosse panaceia universal. É uma industria milionária que vive de ignorâcia ou falta de escrupulos.

O facto de ser directamente inofensivo - é só agua - não é por si uma justificação. Indirectamente vai permitir o curso normal das doenças e permitir o seu aumento de gravidade desnecessáriamente.

É uma estupidez de todo o tamanho esta feitiçaria estar legalizada e ser socialmente admitida.

Ver mais aqui:


http://1023portugal.wordpress.com/


sábado, 15 de janeiro de 2011

Overdose Homeopática

Obviamente não existe. 
(A não ser que além disso não se vá à casa de banho e se morra com ruptura de bexiga, mas é preciso juntar sempre outra coisa qualquer.)

Num produto homeopatico só existe água, para todos os efeitos.
O ano passado a campanha 10:23 juntou cerca de 400 voluntarios para se  intoxicarem publicamente com medicamentos homeopaticos. Como ainda cá estão este ano pretendem continuar a luta contra a pratica inconsciente da Homeopatia.

Traduzido do site:

"O desafio 10:23 é o seguimento para o protesto overdose que teve lugar na campanha 10:23 em 2010.
Protestantes internacionais de mais de 10 paises, e de mais de 23 cidades  juntar-se-hão no fim de semana de  5-6- FEV,  2011 para fazer uma simples afirmação:

 -  Homeopatia: Não há lá nada. -

O desafio culminará em Fevereiro dia 6 na QED conference em Manchester, onde 300 participantes se juntarão na maior demonstração pontual contra a homeopatia."

Página principal:
http://www.1023.org.uk/

Em Portugal:
http://1023portugal.wordpress.com/desafio-1023/

Organisado por:
http://www.merseysideskeptics.org.uk/

Sobre a conferencia QED - Question, Explore, Discover - Vai ser em Manchester e tem como participantes Simon Singh e Steven Novella entre outros. :
http://www.qedcon.org/

terça-feira, 23 de março de 2010

Urgências de homeopatia

That Mitchell and Webb Look... Homeopathy.

Traduzido e tudo, aqui:


Para ver, rir e aprender (não pensei que se pudesse ridicularizar o ridículo, mas eles conseguem e sem inventar).

Via blog "Cultura Cientifica"


quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Já não era sem tempo.

O membros do parlamento Britânico concluem que a homeopatia não funciona e não deve receber mais fundos para investigação. 

Este é o resultado de um comité cientifico formado especificamente para avaliar a legitimidade da homeopatia enquanto medicina.

Não faz muito tempo, a O.M.S. retirou a homeopatia da sua lista de tratamentos aconselhados. 

Quando é que nós por cá vamos deixar de ver esta agua vendida a preço de antibiótico nas farmácias? 

Via New Scientist: http://www.newscientist.com/article/dn18559-stop-funding-homeopathy-say-british-mps.html

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

OMS passa recomendação contra recurso a homeopatia.

Um grupo de cientistas e jovens médicos do Reino Unido e Africa escreveu uma carta aberta(1) à Organisação Mundial de Saúde a pedir que tomasse uma posição sobre o  aconselhamento de tratamentos homeopáticos para doenças como a malária ou a tuberulose em paises em desenvolvimento.

A resposta da OMS foi uma condenação severa acerca da utilização da homeopatia. (2) Vale a pena ler o que cada membro em cada direcção da OMS escreveu como resposta, traduzido pelo site "cepticismo aberto" - na referencia (3)

Agora essa recomendação está a ser comunicada aos ministros da saude de todos os paises  para chamar a atenção sobre o problema que é a homeopatia. 

Em Portugal a homeopatia é uma das terapias alternativas com enquadramento legal e a sua falta de suporte cientifico é assustadora. Um medicamento homeopata é só agua. E é vendida em farmácias o que para muita gente é um sinal de credibilidade.

Notas e referências:

Mais uma vez, obrigado à Fernanda por me indicar a notícia. 

(1)http://www.senseaboutscience.org.uk/index.php/site/project/331/

(2)http://www.senseaboutscience.org.uk/index.php/site/project/392/

(3)http://www.ceticismoaberto.com/ceticismo/2543/oms-adverte-contra-o-uso-da-homeopatia

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Vodka Homeopático

Obrigado ao Jeferson Arezon que deixou o link (nos comentários de semana da homeopatia) de onde tirei a fotografia. A origem foi o Blog:
http://coletivoacidocetico.blogspot.com/2008/05/homeopatia-honesta.html

terça-feira, 16 de junho de 2009

Semana da Homeopatia

A Associação Britanica dos Homeopaticos declarou que esta era a semana da consciencialização da homeopatia (14-21 Junho) . Mais concretamente na lingua original:"Homeopathy awareness week" (1).

Pois bem, eu acho a ideia óptima. Vamos nessa. Comecemos pelo principio.

O que é a homeopatia?

A homeopatia é a pratica baseada na afirmação que se encontrarmos uma substancia que produza os mesmo sintomas de uma determinada doença e diluirmos até ficar quase com agua pura, temos uma cura para essa doença. Assim, como que por magia.  Resumidamente, parecido cura parecido: "Like cures like".

O hocus-pocus é bem refinado. Na realidade, enquanto se fazem as diluições tem de se bater com os recipientes na vertical um certo numero de vezes. Não ter que se efectuar cantigos pré-históricos é uma sorte. Mas dizem eles, que assim tiramos proveito da chamada "memória da agua"(2). algo que será uma realidade comprovada  noutro universo e publicado entre nós  no "European Journal of alternative chemistry", edição imaterial 2009, Chamon et al, pag 267.

O que há de cientifico ou racional na afirmação anterior? Nada, nickles, niente, rien. A ideia que os parecidos tratam os parecidos (like cures like),  foi tirada da cartola por um médico, há seculos atras, chamado Samuel Christian Hahnemann, e baseada numa única  observação por ele feita.

Depois disso foram descobertas as causas infecciosas, tóxicas, degenerativas, traumáticas, neoplasicas, congenitas e vasculares das doenças. Mas os homeopatas não deram por isso. Continuam a dizer que são os miasmas. Miasmas, duendes, podia ter-lhes dado para outra coisa qualquer. Porquê os miasmas, é um mistério para mim.

Quem achar que a vacina é um exemplo funcional de homeopatia também se desengane. As vacinas são compostas por partes do agente que causa a doença ou por este agente morto ou atenuado e muito importante é que não causam os mesmo sintomas da doença. That's the point of it! Nem são estupidamente diluidas como se não houvesse amanhã.

Continuando. A parte das diluições também não tem justificação na química e física actuais. A explicação de que a agua tem memória só fica na memória por uma tentiva de fraude famosa aquando dos seus testes para a revista Nature e a que o grande Randi assistiu. Tst, tst, not the way to go.

E depois é a tal coisa da cura. Não é uma afirmação de que trata ou melhora. É que cura! Actuando directamente sobre os miasmas a agua activada actua holisticamente sobre o corpo todo e CURA a doença. Com agua. Que ataca os miasmas. Certo? Não errado. Como mostram os estudos metodologicamente correctos e idóneos, não publicados em revistas como o "American journal of vudu and homeopatich praise".

Semana da consciencialização acerca da homeopatia. Vamos a isso. Espero que os meus colegas bloguistas de ciência alinhem.

(1)http://www.trusthomeopathy.org/what_you_can_do/homeopathy_awareness_week.html

(2)http://www.trusthomeopathy.org/research/how_homeopathy_might_work.html