quarta-feira, 6 de julho de 2011

O que é o conhecimento? O que é saber?

O conhecimento é a crença, verdadeira, justificada.

Basta pararmos um pouco a observar as pessoas para ver que crenças há muitas e portanto o conhecimento não pode ser apenas sinónimo de crença. Também podemos perceber que se uma coisa é verdade mas nós não acreditamos que seja, não faz sentido dizer que temos esse conhecimento. E assim avançamos para a segunda parte.

Para ser conhecimento, essa crença tem de ser verdadeira. Mas aqui temos um verdadeiro problema. Não temos uma maneira infalível para chegar à verdade. Já estamos de acordo (ou deviamos estar) de que não basta acreditarmos para que seja verdade, e aproveito para acrescentar que também não é apenas testando que garantimos a verdade. Já que isso implicaria também infalibilidade. Mas sabemos que não temos isso porque erramos nos testes e nas interpretações várias vezes. Como a verdade não entra por nós adentro por osmose, há quem tenha querido ver-se livre dela. Mas não é possível. Precisamos sempre de um critério para o que consideramos verdadeiro, para caracterizar a correspondencia entre conceitos e a realidade. Basta pensar na frase que o afirma: ”é verdade que a verdade não existe”. Leva a um beco sem saída, é de facto uma afirmação godeliana. É preciso aceitar a falta de absolutismo na aquisição da verdade mas não a descartar. Temos de ver de qualquer modo o que vamos considerar que se aproxima mais ou menos da verdade (já que esta continua em si um conceito absoluto). Por isso passamos para a terceira parte e a mais importante em termos práticos. A justificação.

Conhecimento é a crença, verdadeira e justificada, e já que com as caracteristicas anteriores não podemos contar, apesar de não as podermos descartar, temos de considerar então a justificação que uma crença tem como verdadeira, para que seja conhecimento.

Na realidade, o que distingue duas afirmações quaisquer uma da outra é a justificação que elas têm. Justificar por ser crença de alguém ou por afirmar repetidamente que “é a verdade” ou “eu sei”, são justificações sem sentido. É igual a dizer que “é porque é”. Mas não é conhecimento.

Existe um numero infinito de afirmações que se podem fazer acerca de qualquer coisa. Mas só uma pequena porção corresponderá a algo real (sim, a verdade está em grossa inferioridade numérica, seja ela o que for) . A única maneira que se encontrou até agora para distinguir uma afirmação de outra qualquer nesse conjunto infinito, foi dando importância à justificação. Não conseguimos distingui-las por serem crenças de alguém ou por serem verdade, já que a justificação é o melhor que temos dessa coisa que chamamos verdade.

E já agora, dentro de uma aproximação relativa da verdade, em que não temos certeza se é verdade ou não mas procuramos o melhor possível, é o teste empirico e metódico que faz (tem feito) a maior diferença. O teste empírico não garante por si a verdade absoluta mas até sermos todos deuses é o melhor que temos para justificar afirmações, já que raciocinando apenas tem sido impossivel (muitos, muitos erros) saber como as coisas são fora das nossas póprias mentes (e dentro delas também já que se fala nisso).

Mesmo este bocadinho de texto que os filósofos considerariam filosofia, é conseguido com recurso a experiencia empirica e metodica. Senão ainda acreditavamos que acreditar por si só significava alguma coisa. Ou que existe um modo de sermos “iluminados” e alcançar “a verdade” assim de repente - …e ainda há muita gente que acredita. Infelizmente apresentam más justificações para isso.

Conseguir afirmações que se distingam por serem eficazmente aplicadas à realidade dá muito trabalho. Mas pode-se ensinar como se faz.



Resumindo, a grande Pergunta é:

(Shakespear enganou-se, não é essa)

“Como é que se sabe isso?”

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Anti-vacinação, o direito de escolher e o que isso exige. E porquê.

Com a liberdade e o acesso livre à informação vem a responsabilidade acrescida de saber pensar criticamente antes de chegar a conclusões e tomar decisões. Pensar criticamente não é aceitar intuitivamente uma ideia pelo que ela parece ou pelo quanto ela seduz. Pensar criticamente é tornar consciente o processo de avaliar um argumento e de chegar a uma conclusão. E fazê-lo metodicamente.

Tentar ver as coisas a preto e branco, optar pelo juízo rápido e depois não o largar, são tentações que todos temos. Mas são perigosas.

O caso do movimento anti-vacinação é um exemplo da pertinência das questões levantadas acima.

A evidência cientifica e histórica é sólida na justificação da vacinação.
A evidencia contra é anedótica no melhor dos casos. Anedótica e a alegar conspiração para justificar a falta de outra evidências necessárias. E essas são marcas típicas de ideias erradas - sem justificações razoáveis. E se a evidencia é anedótica, a argumentação é um saco de falácias. Mas já lá vamos.

Uma coisa não é verdade ou mentira só porque podemos imaginar uma conspiração à volta dela – podemos imaginar conspirações à volta de tudo e só uma pequena percentagem será real. A conspiração por si não justifica nada (neste caso, o diabo da Bigfarma e dos médicos – que escondem os efeitos adversos mais terríveis que só uns eleitos podem saber).

Por outro lado, uma coisa não é verdade só porque existem histórias de sucesso - mesmo que sejam verdade - a suportar essa ideia. Histórinhas, com quem conta uma anedota, vai haver acerca de qualquer coisa que nós imaginemos que alguém possa acreditar. E mesmo quando são verdadeiras não devem ser usadas como sendo uma amostra fiável de um universo maior. Normalmente são escolhidas por serem concordantes com o que se quer provar, aquilo a que se chama “cherry picking”, negligenciando todos os outros casos e são ainda demasiado poucas para serem significativas. Temos de saber todas as histórias, ver a proporção de casos de sucesso e de insucesso e só então concluir. Também é preciso avaliar o contexto e o fundo teórico (aquilo que está bem estabelecido e diz respeito ao caso), e então julgar. É preciso saber hierarquizar a evidência em graus de força de prova e avaliar a plausibilidade de acordo com a justificação que possa haver. Em alguns casos a evidência pode ser tão forte que derruba teorias, mas isso é outra história.

Sabemos que estão a aparecer surtos de doenças previamente controladas (na era antes anti-vacinação). No entanto ainda aparecem os defensores desta ideologia a argumentar que têm 3 ou 4 filhos não vacinados e que estão todos bem. Isto é claramente anedótico como evidência num contexto maior e como argumento contra a vacinação.

Outra falácia: Também sabemos que uma coisa não é boa só porque é natural. A doença e a morte são naturais. Tal como as aflotoxinas e o curare. O que é natural pode ser bom, mas para sabermos isso temos de encontrar outro argumento para além do facto de ser natural. Chama-se a este argumento – só apelando ao facto de ser natural - “falácia do naturalista” e é abusado por defensores da anti-vacinação.

Ironicamente, os casos bem sucedidos da anti-vacinação que poderão existir neste momento, (para além de poderem sempre deixar de ser bem sucedidos no dia seguinte), são com muita probabilidade bem sucedidos apenas porque os outros estão vacinados, fazendo como uma barreira de protecção à sua volta. Uma almofada de segurança que lhes permite dizer que não estão vacinados e não apanharam doenças nenhumas.

E é por isso que ao deixarem de se vacinar, a si e aos seus, estas pessoas estão a por a todos em risco. As vacinas não são 100% eficazes. São muito eficazes, mas 100% não há nada, nem sequer as vacinas. Existe assim, para cada vacina, valores de protecção de “rebanho”. Valores de taxas de vacinação de uma população, abaixo da qual, essa almofada de protecção deixa de existir. Para todos. Para os que agora abusam dela para dizer que não se vacinaram e estão bem, e para os que se vacinaram e para além da sua protecção de imunidade pessoal contam com a luta global contra a doença.

Outro argumento, para lá da evidência anedótica e da falácia do naturalista, é o de argumentar pelos perigos das vacinas. Isto começou com um artigo que associava a vacina tríplice ao autismo, gozou do apoio de “experts” em vacinas e paternidade como por exemplo a Britney Spears e mesmo antes de se ter conhecido a origem fraudulenta do artigo já se tinha reunido evidência cientifica suficiente para mostrar que não havia relação entre autismo e vacinação (algo que é sempre difícil que é provar uma negativa). Mas a coisa persistiu.

Dos perigos das vacinas, e aqui tenho de admitir que existem alguns efeitos secundários mas nada a que seja razoável por lado a lado com os efeitos das doenças, alguns concluem que não têm eficácia. Mas a lógica aqui não segue. Até podiam ter imensos e perigosos efeitos secundários e ter de qualquer maneira uma eficácia colossal contra os agentes mórbidos. Segurança e eficácia são propriedades diferentes que são aqui confundidas e sem que nenhuma delas seja um problema.

Numa linha igualmente carente de lógica e justificação cientifica estão os que negam a realidade da existencia de vírus e bactérias. Consideram a doença uma coisa que é apenas causada por energias esquisitas ou forças bizarras e portanto não vêm a vantagem em administrar formas mortas ou atenuadas de agentes patógenicos para induzir imunidade. Negam de uma assentada uma quantidade colossal de evidencia acumulada ao longo de décadas, e colhida através de varias linhas de investigação. A ultima das quais, e a propósito, está relacionada com a comprovação da eficácia das vacinas.

Enquanto existem países onde morrem crianças porque não se conseguem controlar as doenças recorrendo à vacinação, nos países civilizados e sob o slogan de que “cada um tem direito a ter a sua opinião”, começam a surgir novas ondas de doenças para as quais hà vacina, por uma questão ideológica.

Mas afinal cada um tem direito à sua própria opinião, mas não à sua própria realidade.

A internet – a forma pela qual estas coisas se têm disseminado, tal qual vírus patológico - é dificilmente a culpada, já que são as pessoas que têm de aprender a pensar criticamente sobre as questões. Os média já não vejo com tanta inocência. Ao colocarem lado a lado diferentes ideias de um modo neutro, e dando o mesmo espaço de justificação a cada uma, vão deixar quem não se debruçar mais sobre o tema com a ideia de que são ideias em pé de igualdade perante a realidade. Por várias razões que tenho explorado neste blogue, nomeadamente os “apelos à ignorância”, dizer que determinada coisa tem “justificação cientifica” já não é suficiente para dar autoridade a nada (ser jogador de futebol no entanto parece que é), a não ser que seja para vender produtos de emagrecimento.

O apelo à ignorância é a ultima falácia com que termina o artigo do Publico que me levou a escrever este “post”. São, de um modo geral, a tentativa de se justificar algo com aquilo que não se sabe. Mas o que não se sabe não serve para justificar nada. Diz o referenciado defensor da anti-vacinação no mesmo jornal: “Há algo irrefutável: as certezas cientificas de hoje podem ser mentiras amanhã.” . Mas por muito que seja verdade que a ciência erra e evolui, isso não quer dizer que esteja errada neste aspecto especifico - ou que lhe vá dar razão neste ponto especifico. Para isso é preciso outra linha de argumentação e de evidencia, independente do facto da ciência ser perfeita ou não, nomeadamente uma que suporte por si só a anti-vacinação. Se a ciência vai contradizer-se neste aspecto não sabemos. Para já contradições tão gritantes não são de esperar quando há um volume de evidência tão sólido como há para a vacinação e depois isto é querer adivinhar o futuro sem apresentar razões. Não só esta argumentação é refutável como facilmente refutável. É um argumento pela ignorância – uma falácia bem conhecida. E no entanto o jornalista também não diz nada. Quem souber pensar que pense e quem saiba ver que veja – não me parece bem de todo quando se põem tantos testemunhos anedóticos e sabendo o poder que estes têm no conhecimento opinativo.

Mas é preciso alguém que chame a atenção de que as pessoas que defendem esta ideologia não estão só factualmente erradas como estão a argumentar mal. E é preciso chamar a atenção das pessoas que se querem continuar a poder fazer escolhas têm de saber mais e justificar melhor o que querem.

Porque assim, eu pelo menos, sou da opinião de ir para a solução de tornar a vacinação obrigatória.

Para não estarem uns a pagar pela teimosia de outros em não aprender os factos e não aprender a pensar.

Podemos não saber o que é a verdade. Mas devemos escolher aquelas coisas que têm a melhor justificação de lá andar perto a cada momento. Não escolher a dedo os exemplos, não tentar adivinhar de acordo com o que nós desejamos e não confundir o direito a ter uma opinião com conhecimento. Esse precisa de uma justificação melhor que um conjunto de factos arbitrários, inventados, o enconbrimento de outros e uma sarrafada de falácias.

O artigo do Publico é este:

http://www.publico.pt/Sociedade/ha-cada-vez-mais-pais-a-dizer-nao-as-vacinas-como-forma-de-prevenir-doencas_1501266

domingo, 3 de julho de 2011

Homeopatia: Afinal que critérios?

De vez em quando deparo-me com alegações do género "funciona com outra filosofia" ou "que a ciência ocidental não pode ver".

Desta vez foi que: "os critérios de evidência aos quais a Homeopatia tem sido submetida, estão totalmente errados" (1)

É difícil manter uma resposta séria a alegações destas. Os critérios com que avaliamos eficácia estão errados?
Como por exemplo querer saber se realmente cura e trata doenças?

Se calhar devíamos usar outros critérios. Quais?

Talvez o critério com que consegue vender agua ao preço de medicamento, não?

Porque é para aí que leva defender a "evidencia anedótica" como é da praxe nestas coisas.
(1)http://homeopatia-chl.blogspot.com/2011/02/mentes-fechadas.html

Via "Que treta" do Prof, Ludwig Krippahl de quem aconselho o respectivo post:

http://ktreta.blogspot.com/2011/07/treta-da-semana-mentes-fechadas.html

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Leveduras - 1 , Criacionistas 0

As leveduras, organismos unicelulares, mostram ser capazes de evoluir para organismos multicelulares caso haja pressão evolutiva para isso.

O achado cientifico vem colocar sob uma nova perspectiva esse momento crucial da evolução das formas de vida.

Afinal, talvez não tenha sido assim tão complicado.

Selecionando para reprodução as leveduras que sedimentavam mais depressa (numa solução) começaram a aparecer flocos formados por várias coladas umas às outras.

Os flocos começaram a dar origem a mais flocos e em breve começaram a aparecer funções típicas de organizações multicelulares, tais como a morte programada de células (coisa que em seres unicelulares não faz sentido nenhum). 

Mesmo que isto seja porque as leveduras tiveram um passado multicelular (como apontado por alguns críticos) e possam "relembrar" como é ser multicelular, a interpretação deste achado é sempre feita dentro do modelo evolutivo.  Isto se quisermos que tenha algum sentido racional, claro.

A única saída que estou a ver para os criacionistas é voltarem para a sua negação de racionalidade e dizer que continuam a ser leveduras e dizer "há e tal, isso de passar para ser multicelular não quer dizer nada já que não é possível acumular mais diferenças para os ancestrais."

É que se acumulam mais umas quantas coisas vai deixar de fazer sentido dizer que ainda são leveduras. E eles não querem aceitar que podemos somar 1000 juntando uma unidade de cada vez. Sugere a conversa deles que algures há um mecanismo que impede uma pressão selectiva de levar ao acumulo de mutações que respondam a essa pressão - mas tal mecanismo nunca foi descrito de melhor maneira que dizer " é o que diz a bíblia".

Mas isso parece estar na linha de outras coisas que a bíblia diz e que (no mínimo) não se devem levar à letra, como a aceitação implícita da escravatura, o geocentrismo ou a ideia que a terra é plana, ou de que não nos devemos preocupar com planos para o futuro.



Via New Scientist:

http://www.newscientist.com/article/mg21028184.300-lab-yeast-make-evolutionary-leap-to-multicellularity.html

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Vudopuntura.

Após milhares de milésimos de segundo de pesquisa, desenvolvi uma tecnica que irá revolucionar o mundo da pseudociência médica. A "Crónica da Ciência" em exclusivo único pública a revelação que irá revolucionar o modo como se faz pseudomedicina.

Usando pela primeira vez a produção de conhecimento acumulado nas pseudociencias, unindo pela primeira vez a Acunpunctura com a arte Vudo, heis que surge a Vodupuntura.

Somando Misteriosamente* o conhecimento asiático da Acupuntura com o conhecimento caribe do Vodu, a pseudomedicina do futuro emerge triunfante num mundo de conspiração tecnológica contra a sua saúde. Quando a medicina ocidental conspira para que passe os dias em casa com baixa, heis que pode voltar ao trabalho graças à Vudopunctura.

Não precisa de se deslocar ao consultório. Não tem riscos de infecções ou pneumotorax e essas tretas que foram relatadas na acunpuncura. E acima de tudo não causa dor.

É tudo feito no boneco Vudo e depois por Energias Misticas, o tratamento é comunicado ao Xi do seu corpo.

Não negue à partida uma pseudociencia só porque ela não faz sentido.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Era uma vez um oceano...

Há muitos milhares de anos houve um aquecimento rápido que causou a perda de muitas espécies nos oceanos.

Nessa altura, todos os anos foram bombeados para a atmosfera 2,2 Gigatoneladas de CO2. Isso terá acontecido num ciclo vicioso em que mais CO2 dá origem a maior temperatura e mais temperatura faz haver mais CO2 na atmosfera.

Mas no momento actual libertamos todos os anos 25 Gigatoneladas de CO2 para atmosfera. Isso coloca o anteriormente referido ciclo de retroalimentação positiva como uma brincadeira.

E como previsto, a velocidade com que estamos a aquecer não parece ter precedentes.

Aqui:

http://www.newscientist.com/article/dn20595-earths-oceans-on-course-for-mass-extinction.html

"the biggest problem is the rapid pace of climate change, which is "virtually unprecedented". The closest comparison is the Paleocene-Eocene Thermal Maximum of 55 million years ago, when 2.2 gigatonnes of carbon dioxide was released every year for millennia and many deep-sea species were wiped out. Today we release over 25 gigatonnes every year."

Os denialistas continuarão sem mudar de ideias. Primeiro era que não havia aquecimento, depois era que havia mas não podia ser devido ao CO2, agora parece dizem que até pode ser que o CO2 aqueça mas é só um bocadinho e até é bom.  Pois. Mas errado.

Esse bocadinho está a dar cabo das coisas que damos como certas para ter o ambiente que precisamos. Enquanto não souberem explicar convincentemente porque é que lançar CO2 para a atmosfera não é responsável pelo aquecimento verificado (e tudo o resto que estava previsto no pacote) não merecem mais respeito que qualquer outra teoria da conspiração. E quer me parecer que isso pode bem ser para sempre.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Interpretar a linguagem da pseudociência médica.

Pseudociência médica
Tradução
Holístico
Sem saber o que se passa  "por dentro". Que não compreende o funcionamento. Ver "abordagem de caixa preta".
Milenar/ antiga/ tradicional
Conhecimento fóssil. Pouco evoluída. Ver "apelo à antiguidade".
Funciona com outra filosofia.
Não funciona neste universo natural. Talvez noutro. Ver "pensamento mágico"
Que a ciência não explica.
Que a ciência refuta. Que não tem suporte nenhum para as suas afirmações. Ver "apelo à Ignorâcia".
E cada vez mais pessoas recorrem...
Que "não temos testes rigorosos que suportem isto mas estamos a conseguir convencer muita gente, seja mais um". Ver "apelo à popularidade".
"reprimidas pelo sistema de saúde moderno “científico”"
Ultrapassadas. Desacreditadas. Sem suporte empírico metodológico ou perigosas. Ver também  "teorias da conspiração".
"As medicinas alternativas também sao sistemas científicos culturalmente específicos que merecem respeito e também pesquisa"
Que "Na nossa visão do universo não há contradições já que basta acreditar para ser científico". Assim ciência e pseudociência são a mesma coisa. Significa algo como "Vale tudo, junte-se a nós que vai ser uma farra."

 Este quadro  - a coluna da esquerda - foi feito com recurso a páginas reais de internet de proponentes destas teorias para me "avivar a memória". As referencias das origens são omitidas porque são argumentos recorrentes, que não são usados apenas uns poucos.
Infelizmente a realidade não é aquilo que nós queremos que seja. É preciso muito trabalho para nos aproximarmos de uma descrição capaz. Querm um bom apelo emocional? Mas verdadeiro?
A Ciência Salva. Quase tudo o resto é placebo (há coisas que ainda não sabemos, e que podem ser uteís, mas essas... ainda não sabemos quais são, não é. Depois há é uns que acham que adivinham...)