Mostrar mensagens com a etiqueta liberdade de expressão. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta liberdade de expressão. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Acertem no mensageiro.

O que uma coisa é ou o que deve ser não é a mesma coisa.

Eu posso dizer que a incidência duma doença numa determinada faixa etária de uma população é de mais de 50% sem que isso queira dizer que eu quero que esse valor seja tão alto. Ou que quero que seja de todo verdade. Apenas que é o que se encontra.

Isso também quer dizer que nem toda a gente tem essa doença nessa população e nomear essas excepções não refuta a afirmação nem resolve nada.

Não mencionar estes factos ou não os procurar, também não me parece que ajude as pessoas. A informação sobre populações é importante para ajudar as pessoas, sobretudo quando revela coisas que não gostamos.

Isto vem a propósito de uma correlação negativa, que é um resultado estatístico, que foi encontrado entre a religiosidade e a inteligência. Uma correlação não diz se há uma relação de causa efeito, não diz se é assim que deve ser e muito menos que alguém quer que assim seja. Isto se a matemática por trás for bem usada.

Mas o artigo onde isto é publicado, um metaestudo (do qual esta é uma boa apresentação com ligação para o original), não foi criticado pela qualidade cientifica ou rigor matemático. Foi criticado porque não devia ter sido feito, porque era generalizador (era uma correlação), porque havia ateus burros, etc, etc, etc.

Não poder estudar um assunto ou publicar um resultado só porque ele diz respeito à religião e pode trazer-lhe uma imagem menos bonita é uma asneira. Pelo menos se queremos compreender o mundo, a sociedade e assim procurar o melhor para nós. Uma correlação nem sequer implica uma relação de causa e efeito, coisa que ainda é mal compreendida - quer dizer só que há uma associação mensurável entre valores de parâmetros diferentes -  mas pede que se procure o porquê de se encontrar essa correlação. Isso é feito comummente em ciência e tornar a coisa politicamente incorrecta por ser com a religião é um disparate. E um retrocesso civilizacional.

E claro. Não diz quase nada acerca de pessoas individuais ou amostras pequenas. Sosseguem.

Claro que os autores foram vilipendiados como se fossem os causadores intencionais de tais dados estatísticos.

Idem para o Dawkins que teve o "mau gosto" de responder factualmente às alegações de que o Islão produzia muita ciência. Disse que todo o Islão junto não tinha mais prémios nobel que o Trinity Colege (mas que tinham sido produtivos na idade média). Isto é relevante porque o Islão representa 23% da população da terra. É muita gente para tão pouco Nobel, mesmo se existir um "bias"  para judeus e americanos (não estou a dizer que há) . De facto, a mensagem é facilmente verificável na sua autenticidade, vem em contexto, e refere-se a uma religião. Não a um povo ou a uma pessoa. No entanto o rótulo de racista (o Islão não é uma raça) é lhe atirado para cima por várias publicações deste mundo, para lá dos comentários nas redes sociais. Além disso é acusado de irracionalidade (!?).

Mais uma vez, por preocupação com as pessoas, o importante será tentar perceber o que está a correr mal e corrigir. Fingir que não passa nada é uma asneira. É até o que diz este artigo interessante escrito por um membro do Islão. Ou este.

Parece que das melhores avaliações da situação vêm de membros do mundo Islamico. E isto só por si devia fazer-nos pensar um pouco no assunto.

E se queremos mesmo andar aos tiros aos mensageiros, como era hábito noutros tempos.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Boiron desiste das ameaças contra blogger Italiano.

Num comunicado em que nota que nunca quis fazer nada contra a liberdade de expressão, a Boiron afirma não ter intenção de prosseguir contra o autor do Blog (0).

Asneiras todas a gente faz, por isso desta estará perdoada. Só falta deixar de vender artigos homeopáticos alegando propriedades terapêuticas. (Notar que o placebo é um efeito do doente e não do medicamento).

No resto do comunidado (sim, sei ler italiano, vejam só a minha sorte) a Boiron diz uma série de coisas que não posso deixar de notar também.

Dizem que estão habituados a serem criticados mas que a origem das criticas é "compreensivel": é que a ciencia "ainda não atingiu as fronteiras do infinitamente pequeno". E eu aqui tenho de dizer, com humor, mas honestamente, que não percebo se se trata de um apelo à ignorancia, um "red herring" (algo para distrair) ou se com este infinitamente pequeno se referem à eficacia dos seus produtos! Não diria que essa eficacia infinitamente pequena não pudesse existir (conceptualmente), mas para que serviria?

Acrescentam que queriam apenas tirar as frases mais ofensivas e difamatórias, não apenas apagar o blog todo - no entanto não foi esse o pedido que fizeram ao provedor do IP. Foi que tirasse o blogue da net. Mas uma vez que o autor do Blog (0) tirou essas frases imediatamente deixou de haver razões para continuar com o processo legal.

Portanto, tudo se explica. É uma questão de usar linguagem bonita que fica tudo resolvido. Até ofereceram um livro ao Samuel (autor do Blog (0)) que dizem lhe vai mostrar "como as coisas que se dizem da homeopatia estão longe da realidade. "

O que não vem nesse livro, aposto eu, são estudos com amostras grandes, bem controlados, duplamente ou triplamente cegos e randomizados. Ver aqui porque precisamos disso.

Nota 1:

O infinito é um conceito que em absoluto e em muitos sentidos não tem realidade fisica. Se tivesse não seria infinito, certo? É um termo que os cientistas usam para dizer que algo não tem limites discretos. Seja como for, a mecanica quântica, a teoria das cordas, a matemática e até a bioquimica, têm mecanismos para lidar com o muito pequeno. Conhecemos efeitos de venenos e hormonas que existem em doses minimas (mas que continuam a ter de estar fisicamente nos corpos onde causam efeitos, a cena da memória da agua não tem a ver como infinitamente pequeno, tem a ver com propriedades que não existem).

Nota 2:
Aqui o resto da história.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Cético obrigado a fechar o blogue para manter o emprego.

Depois do caso Quiropraticos vs Simon Singh há uns anos, o do Blog (0) vs Boiron há uns dias, venho agora a tomar conhecimento de outro caso, via Orac. Outro caso de tentar silenciar a critica legitima com recurso a processos legais.

Trata-se de um epidemiologista de profissão, defensor da medicina baseada na ciência, que vê o seu emprego posto em causa após uma discussão com um proprietário de empresas farmacêuticas. Este senhor, não satisfeito com o curso da discução e perante a incapacidade de resolver o assunto com argumentos, ameaça processar o blogger e os patrões do blogger. O blog, esse, já era. Afinal temos de trabalhar para comer.


Os cépticos e cientistas respondem aos ataques à ciência com argumentos. E para eles a ciência é uma coisa bem pessoal e de onde muitas vezes vem o dinheiro para viver. Porque é que os outros não podem fazer o mesmo?

Ao menos temos o efeito Streisand para nos reconfortar. Mas era bom acabar com o recurso a processos legais para resolver disputas cientificas.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Companhia homeopata ameaça com processos legais crítico italiano.

A Boiron, uma empresa que produz artigos homeopáticos ameaçou um blogger italiano com um processo legal por este a ter criticado abertamente. E exigiu ao servidor de internet que alojava o site para impedir o acesso ao dito site.

Não havendo outros argumentos aparentemente esta ideia ter-lhes há parecido uma boa solução. Ou talvez tenham só avançado para ver como é que a coisa corria, afinal se puderem calar os críticos todos e todas as vozes a dizer "o rei vai nú", talvez se possa continuar negócio sem sobresaltos.

Mas a coisa aparentemente correu mal - ou está a correr - e já se comenta pelo mundo fora. O assunto é inclusivamente noticiado pelo British Medical Journal.

É um atentado ao direito de expressão. É um atentado à divulgação e discussão de ideias. E é um atentado à ciência em si que vive e cresce na discussão de ideias. Mandar calar e tentar calar em vez de argumentar é cobarde, é antidemocrático e anti-cientifico.

Ainda por cima ele tem razão. Os medicamentos homeopatas não têm eficacia e nem era esperado que tivessem. São apenas agua ou açúcar e funcionam como um placebo. Vendido ao preço de medicamento.



quinta-feira, 4 de junho de 2009

Liberdade de crítica na ciência.

Simon Singh anunciou hoje que vai recorrer da decisão do Juiz. Eu fico muito satisfeito com este anúncio. Espero que o mal seja corrigido e que a crítica científica fique fora do ambito da difamação.

Para mim ( e não só) estão simultaneamente em jogo a liberdade de expressão e o processo normal de progresso do conhecimento por debate e discussão. Vivemos numa "aldeia global", desculpem o cliché, e o que se passa lá fora, influencia cá dentro. Por isso, mesmo que isto se esteja a passar em Inglaterra, penso que nos afecta a todos. Todos os que acreditamos e dependemos da ciência. E pela ultima vez que vi, era uma data de gente.

Nos estados unidos a blogosfera está tão inflamada como em Inglaterra. Simon Singh confessou que o processo o tem desgastado imenso e se não fosse pelo apoio que recebeu não teria agora escolhido continuar.

Quem tiver interessado em saber mais deixo aqui o link para o post do Phil Plait do excelente Bad Astronomy e do site Sense About Science, na pagina do "registo para manter os processos de difamação fora da ciencia".

http://blogs.discovermagazine.com/badastronomy/

http://www.senseaboutscience.org.uk/index.php/site/project/333/

Escrevi sobre o processo legal aqui:

http://cronicadaciencia.blogspot.com/2009/05/nao-denunciem-ou-nos-processamos.html

e sobre quiropratica aqui:

http://cronicadaciencia.blogspot.com/2009/05/quiropratica.html