Cepticismo, naturalismo e divulgação científica. Uma discussão sobre o que é ou não matéria de facto.
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quarta-feira, 3 de abril de 2013
Outra vez más noticias sobre a influencia das teorias da conspiração.
-Procura explicações simples,
-Capaz de fazer previsões testáveis por pessoas competentes,
-Requer confirmação independente,
-Tem de ser consistente com os dados existentes.
-Funciona.
Teoria da conspiração:
-Procura explicações elaboradas, acrescenta entidades extraordinárias (cuja existencia não é demonstrável e não são necessárias para explicar nada), "a gosto", e alega processos complexos ignorando o peso que isso acresce ao onus da prova.
- Não faz previsões testáveis.
- Requer mesmo que se possa apelar para o facto de não ser possível confirmação independente, senão não era conspiração, certo?
- Opõe-se frequentemente a explicações mais simples baseados nos dados existentes. Requer a existência de dados ocultos, fantasiados.
- Funciona tão bem como a lotaria para acabar com a pobreza. Proporciona - no tipo de raciocinio que propõe - que tudo possa ter uma ou várias histórias alternativas, vagas e intestáveis (histórias alternativas consistentes, testáveis e concisas é bom) das quais se escolhe a preferida por intuição. Em boa verdade, todas as teorias podem ser adornadas com entidades e processos extraordinarios e por esse caminho tudo pode ser uma conspiração cujo objectivo é o que se quizer.
Então como são possiveis os numeros que esta noticia do Público avança para os crentes em conspirações variadas? Será uma conspiração para nos fazer crer que o povo de um dos paises mais influentes no mundo está pejado de conspiracionistas?
É possivel porque as teorias da conspiração são intuitivamente apelativas. Estamos programados para ser mais sensiveis a perigos que aquilo que é real e temos a tendencia de aumentar a probabilidade desses perigos. Gostamos de nos sentir numa posição de superioridade intelectual, de controlo e acreditamos que isso é bom pelo conforto imediato que trás - e logo acreditamos! Gostamos de sentir que estamos na posse de informação previligiada. Depois é deixar a odisseia do "confirmation bias" entrar em acção, um pouco de apelo à ignorancia e como somos cegos à própria cegueira, voilá.
Em resumo: Explora uma data de erros sistemáticos em que somos capazes de cair se não procurarmos activa e conscientemente evitá-los.
No entanto, se envolvermos processos racionais mais lentos e precisos, se usarmos pensamento critico e cientifico - mais cansativos também - podemos compreender que a maioria dos apelos à conspiração populares são ocos.
Por mim tenho sérias dúvidas que haja repteis inteligentes entre nós mascarados de humanos, não existe o anti-cristo e muito menos se chama Obama, e o aquecimento global é verdade. Mas mais importante que a minha crença relativa nas coisas é a sua adequação às evidencias e ao resto que sabemos. E o processo cientifico proporciona uma melhor explicação. Recomendo que se volte a atentar na diferença entre os dois acima enunciada.
De todas as teorias da conspiração populares nos dias de hoje, uma das que considero mais perversa, é a negação do efeito dos gases de origem artificial no aquencimento global. Por isso deixo aqui o meu F.A.Q.
quarta-feira, 15 de agosto de 2012
O mundo estranho dos conspiracionistas.
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Homeopatia. Conspiração das farmacêuticas?
Os defensores da homeopatia continuam a falar em conspiração por parte das grandes farmacêuticas para explicar a atitude de pessoas como eu ou os activistas que vão fazer a campanha 10:23 já este sábado (ver notas).
Mas isso é tolice. Não só as farmacêuticas podiam todas fazer medicamentos homeopáticos como ainda enriqueceriam com isso. Algo que provavelmente não lhes escapa. Se não o fazem, pelo menos com o nome de marca, é por uma questão de prestígio. Como é que se pode confiar em quem defende algo como isto:
A teoria da homeopatia diz a que a agua guarda memória das coisas em que esteve em contacto. Por isso diz que pode se diluir milhares de vezes uma solução e que a actividade inicial ainda está presente mesmo quando já só temos agua.
Uma solução padrão de 30X, em homeopatia, significa diluir uma solução em 10 partes e repetir o feito 30 vezes (1).
Ou seja, põe-se uma gota de produto activo em 9 de agua e temos 1X. Tiramos daí uma gota e colocamos em 9 de agua e temos 2X. Até fazer os 30X.
Portanto 2X é uma solução de 1/100 e a solução homeopática 30X é igual a... 1/1000000000000000000000000000000 da solução original!
Isso é igual a 1 litro misturado num oceano com 10 elevado a 30 litros. Que é mais que toda a agua que existe na Terra! (Terra = 1,35 elevado a 18 para todos os oceanos).
Qualquer pessoa que já tenha pelo menos cozinhado e usado temperos sabe que não há maneira de conseguir mais com menos. Pelo menos no que respeita à intensidade do efeito dos temperos. O sabor, neste caso.
Esta é a trêta que a homeopatia quer vender. É que diluir 30X uma gota de agua do mar em agua destilada causaria na língua o efeito aumentado da agua do mar. Seria mais salgado na língua, graças à memória da agua e diluição infinitésimal.
Portanto, mesmo que os miasmas que ela se propõe reorganizar existissem, não havia maneira de em tamanha diluição haver qualquer efeito sobre eles.
Não há conspiração nenhuma. Há é bom senso, e pessoas que não são capazes de ficar caladas enquanto uns abusam da credulidade de outros.
E é verdade. 30X nem é o mínimo. Eles usam 30C, 200C, é só fazer render a agua. Em que 30C é igual a 60X.
Claro que os ensaios clínicos que excluam placebo e acaso dizem que não funciona. É apenas o esperado...
(1) http://en.wikipedia.org/wiki/Homeopathic_dilutions
Ver mais em:
http://1023portugal.wordpress.com/2011/01/25/homeopatia-o-teste/
Agredecimentos ao Pedro Homero pelas indicações dos erros. Ver comentários.
segunda-feira, 29 de março de 2010
Teorias da conspiração
Ver intencionalidade em objectos inanimados - a atribuição de características sobrenaturais ao natural - como desenvolvido no "post"sobre o "fine-tuning", parece ser uma herança evolutiva.
Mas mais que confundir determinados padrões com intencionalidade, podemos ver intencionalidade muito complexa onde ela já existe em menor dimensão - as teorias da conspiração - eventuais orquestrações de várias pessoas ou agentes poderosos que referem grandes planos complexos e maquiavélicos para explicar coisas que seriam mais simplesmente descritas de outro modo.
No entanto o "disparar" da conclusão de que é uma conspiração, geralmente parece passar por cima de qualquer outra explicação. O sujeito entra num nível de alerta que é muito primário e rejeita outrsa explicações.
Provavelmente a conspiração era tão frequente durante o nosso desenvolvimento, que um tipo que não fosse sobre-desconfiado de certos pormenores não durava muito. Conspirações há muitas e mais valia errar por excesso do que por defeito e ficar a leste dos acontecimentos.
Porque conspirações existem. O que não é correcto é considerar que afirmar que é uma conspiração serve para explicar alguma coisa, quando sem factos e argumentos não se explica nada.
Uma autor chamou-lhe "aparato de detenção de agencia supersensivel" (1). ("Agencia como atributo de agentes -i.e. que agem.)
E conclusão, ver este sentido de agência onde ela não há está provavelmente relacionado com ver intenção onde ela não há. Serão questões semelhantes.
Congetura-se que seja também uma predisposição nesseçária para se acreditar em deus, que será o "agente ultimo".
(1)http://users.ox.ac.uk/~theo0038/pdf%20files/HADD.rtf.pdf
via Neurologica do Dr. Novella:
http://www.theness.com/neurologicablog/?p=1762#more-1762
E o meu post sobre a aparente existencia de uma afinação do universo para que nós existamos aqui:
http://cronicadaciencia.blogspot.com/2010/03/o-argumento-do-fine-tuning.html
terça-feira, 8 de setembro de 2009
Teorias da Conspiração.
Este é um blogue sobre ciência. Porque é que havia de perder tempo a escrever sobre teorias da conspiração? Penso que há duas boas razões. Primeiro, uma teoria da conspiração é muitas vezes o oposto de uma teoria cientifica no que respeita aos principios de simplicidade e lógica. A segunda, é que começam a haver teorias da conspiração que se dirigem directamente à ciencia, como há acerca do aquecimento global ou do materialismo.
Em resumo, uma teoria da conspiração, é uma teoria que explica algo baseado numa conspiração. Portanto, quem conhece minimamente a história da nossa civilização, sabe que elas explicam milhentas coisas. Conspirar tornou-se uma coisa tão vulgar que há uma tendencia para acreditar numa explicação só porque ela pressupõe uma conspiração.
Mas estas teorias da conspiração que estou a falar têm vulgarmente uma caracteristica que as denuncia. Que é a falta de simplicidade. Têm uma data de pressupostos incriveis que as tornam implausiveis. Normamente pressupoem uma quantidade anormal de gente envolvida ( o que é uma maneira má de conspirar), têm todas as evidencias conhecidas contra elas, são extremamente intrincadas para conseguir por lógica nos factos conhecidos (o que normalmente não conseguem), e finalmente... Não são testaveis.
Por exemplo no 11 de Setembro. Será que é mais plausivel acreditar que as torres cairam por causa do impacto e da explosão do combustivel ou que um grupo de homens, altamente especializado, conseguiu colocar milhares de cargas em locais extremamente estratégicos das torres, com milhares de fios à mistura e depois mascarar tudo atirando dois aviões comerciais para cima delas? Sim, não fosse alguem suspeitar de alguma coisa. Atira-se um avião lá para cima e ninguem vai perceber que foi tudo combinado.
terça-feira, 28 de julho de 2009
Alterações Climáticas.
Li agora dois artigos na New Scientist sobre alterações climáticas que vale a pena comentar e sublinhar.
Um é acerca da previsão do fim do crescente fértil (1), o berço - não da humanidade - mas da civilização ocidental.
Ainda este século, entre agressões climáticas e barragens humanas, a mesopotâmia deverá ficar seca. O outrora vale fértil entre o Tigre e o Eufrates deverá ficar seco.
Qualquer valor metafórico que o problema sugira leva-me ao outro post:
"Comentário: Porque é que as pessoas não actuam nas alterações climáticas?" (2)
A pergunta é pertinente. Muito.
O artigo avança com muitas explicações possíveis. Desde a inconsistência tipicamente humana entre o dizer e o fazer até á percepção publica de que as alterações climáticas são um assunto teórico apenas em debate. Seria uma questão de opinião.
Isso acontece, de acordo com o artigo, porque os ditos "cépticos do aquecimento global" são mais vocais (o termo é meu) que os cientistas do clima, porque apesar de a esmagadora maioria destes chegar às mesmas conclusões sobre o estado das coisas, a percepção que o publico tem é que não há acordo. Não é só todas as academias importantes, desde a Sueca à Royal Society estarem de acordo. É quase todas as publicações cientificas em revistas com peer-review apontarem na mesma direcção. É este o nível do consenso cientifico. Mas o publico não tem noção da minoria infima que representam os que negam as alterações climaticas. E vozes dissonantes vão sempre existir, em qualquer que seja a area.
Muito mais que uma opinião, o nível de certeza alcançado por uma teoria cientifica é o mais elevado que a humanidade pode produzir. As alterações climáticas são tão certas como a queda dos corpos, o efeito fotoelectrico ou a evolução.
Neste campo ainda conta muito a ideia de que há uma conspiração. Mas essa é a explicação mais complicada. Assumir que os cientistas e academias foram todos pagos para defenderem a mesma opinião e que não haja provas disso implicaria a existência de uma rede de subornos quase perfeita a actuar sobre uma parte considerável da população sem que a outra parte percebesse. Porque suspeitar só não vale. Suspeitar por suspeitar - podemos suspeitar de tudo e mais alguma coisa.
Conspirações há, imensas, mas algo a este nível não é plausível. Um ou outro cientista comprado, ou uma outra revista durante um curto espaço de tempo é plausível. Mas quase toda a população científica desse campo, o tempo todo, é demais. Acho que é de facto verdade que o publico não tem percepção da discrepância que há entre a minoria de "cépticos" e a maioria dos "alarmistas", porque os ditos "cépticos" são muito mais barulhentos (mais uma vez o termo é meu).
Outra questão que se deve avaliar ao abordar uma teoria da conspiração é pensar quem ganharia com isto. É plausível que exista uma força maior a não querer emitir CO2 do que a querer emitir? Eu acho que não. Vejam quem são as grandes potencias económicas e vejam quem produz mais CO2 e pensem depois o que lhes acontecerá se tiverem de parar a todo o custo. E também, paralelamente, quem teria efectivamente dinheiro para pagar tamanha campanha debaixo dos narizes dos outros. Os paises pobres em desenvolvimento contra os outros para poderem crescer queimando carbono à vontade? A Europa contra os E.U.A. (tendo subornado inclusivamente importantes academias cientificas americanas). Não acho plausivel.
E fico por aqui para não entrar em detalhes técnicos e pormenores. Só mais uma coisa, usei o CO2 pelo que ele é, e pelo que ele representa simbolicamente. Para não estar a ter de enumerar todos os gases com efeito de estufa e a explicar que o CO2 também existe na natureza e que o vapor de agua é o gás com mais importante efeito de estufa, etc. Nada disso é relevante para este post.
1)http://www.newscientist.com/article/dn17517-fertile-crescent-will-disappear-this-century.html
2)http://www.newscientist.com/article/mg20327185.900-comment-why-people-dont-act-on-climate-change.html
3) outro artigo que escrevi sobre o aquecimento global antropogénico:
http://cronicadaciencia.blogspot.com/search/label/aquecimento%20global