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quinta-feira, 30 de abril de 2015

Islão será a religião com maior crescimento até 2050, no mundo e na Europa.

Segundo um estudo do Pew Research Center a religião que mais vai crescer no mundo até 2050 é o Islão. Por essa altura, globalmente, deverá haver um numero quase igual de cristãos e muçulmanos.

Isto será verdade inclusivé na Europa, onde o cristianismo continuará a ser a religião predominante mas em declinio. Enquanto que a religião muçulmana praticamente será o dobro da actual a religião cristã terá um crescimento negativo de cerca de 17%.

Em todo o mundo um dos fatores mais importantes do crecimento do Islão são os níveis de fertilidade com uma média de 3,1 filhos por casal. Na Europa, esse é também um dos factores principais do seu crescimento, com 2,1 filhos por casal contra 1,6 na religião cristã. De notar que o valor de reposição para manutenção de uma população é de 2,1 filhos por casal. A baixa fertilidade é de resto a causa para a totalidade da população europeia ter uma previsão de crescimento negativa.

Em relação aos que não se identificam com qulquer religião, que podem ser ou não ateus, o estudo prevê que a sua participação na composição das sociedades da Europa e da América do Norte aumente, até 23 e 26% respectivamente, apesar de uma taxa de fertilidade baixa. O seu crescimento acima da média deverá ser explicado devido ao "switching" ou a mudança de crença ou abandono da crença. Enquanto que a religião muçulmana terá uma taxa de fertilidade confortávelmente acima da média, a religião cristã terá apenas o suficiente para manter os seus numeros, com os não religiosos a alcançarem apenas 2,1%. Mas o switching na Europa deverá ocorrer sobretudo a partir da religião Cristão. Nos paises de maioria muçulama o switching não deverá ter impacto.



sexta-feira, 19 de abril de 2013

Precisamos mesmo de espaços verdes.

É bom para o neurónio e para a sociedade. Além disso é bonito.

Desde algum tempo que há evidência que os espaços verdes, reduzem a criminalidade.  E zonas mal arranjadas e deixadas ao abandono, aumentam.

E agora as máquinas , mais concretamente electroencefalogramas, (porque às vezes estamos demasiado preocupados com a vida para perceber o que é mesmo importante) vêem nos mostrar como passear em espaços verdes e naturais nos melhora a disposição, nos torna mais meditativos, diminui a frustração e outras coisas boas. Zonas urbanas mais "hardcore" parece que têm efeito contrário.

Por isso, se não podemos passar a vida a ir passear no campo, ao menos que hajam espaços verdes nas nossas cidades. Precisamos deles. Sempre soubemos não é? Mas agora vamos sabendo mais sobre o verdadeiro impacto.

Já agora, eu sugiro, o Jardim da Gulbenkian. E o da Estrela. Em Lisboa.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Desemprego e Paz.

Quando as coisas correm bem, os jovens arranjam emprego, casam-se, têm filhos, tomam conta deles, progridem na carreira, etc.

Sem emprego, os jovens ficam com muito tempo livre mas muito pouco para fazer. Ao principio.

Sobretudo os jovens do sexo masculino podem formar "gangs", grupos com regras próprias e normalmente um código de honra exagerado... E metem-se em sarilhos. Na realidade estarão muitas vezes a tentar mostrar aos seus pares o seu valor. Não têm familias que os "prendam" nem responsabilidades que os obriguem a uma vida pacata e tornam-se um perigo, inclusivé para eles próprios. Não têm muito a perder e sentem-se dispostos a correr riscos.

Lutam por lugares na hierarquia, seguem lideres dúvidosos e estão sugeitos a acreditar em promessas aparentemente grandiosas de quem arranjar uma causa para lutar e um bode espiatório.

Como disse, jovens com emprego tendem a criar familias. Trabalham e não se querem meter em sarilhos pois têm objectivos de muito longo prazo. Podem até participar em manifestações, mas de um modo geral são pacificos.

Nesse aspecto a religião católica tem razão. O casamento é muito importante para a sociedade, tão importante como o emprego. E nesse aspecto o Islamismo está completamente errado. Uns poucos de homens ficam com as mulheres todas e depois o resultado está-se a ver. Felizmente o capitalismo sexual por cá acabou.

Mas sobra o outro. Os capitalistas agora não querem investir, têm medo de não ter rendimentos do dinheiro que puserem em circulação e guardam-no bem guardadinho. Sem crecimento económico forte, sem nova riqueza a ser produzida, o dinheiro em circulação diminui e sem investimento ainda mais. Não há dinheiro para sustentar e criar novos e velhos postos de trabalho.

E o desemprego entre os jovens aumenta em toda a europa. De uma europa aliás, cujos países, têm todos sérias dividas ao dito capital.

Mas voltando ao tema, altos niveis de desemprego entre os jovens são pois, uma causa conhecida de violencia. É algo cuja dimensão destrutiva ultrapassa largamente o aspecto pessoal já de si algo a combater.

É preciso encontrar maneira de criar postos de trabalho com urgência. Mais fatores complicam ainda mais o cenário - o envelhecimento da população e o risco do colapso do sistema de reformas.

A comissão europeia tem razão quando diz que a democracia pode estar em causa. Os riscos não são negligenciaveis.

A unica solução que se me aparece é que os ricos têm de pagar a crise. Enquanto o problema for financeiro não se justifica desperdiçar estas vidas todas. E temos de ir buscar o dinheiro onde ele está.

Até porque perguiça está longe de ser a causa e estes jovens são a geração mais bem formada de sempre, segundo consta.

PS: É óbvio (ou espero que seja) que me estou a referir a tendências e a estereótipos que podem nada ter a ver com pessoas singulares.

Suporte cientifico:

Ler o extraordinario "Better Angels of Our Nature" do Stephen Pinker para bibliografia e aprender mais.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Paz e Democracia.


O numero de mortes (por habitante) e a extensão das guerras tem estado a diminuir. Não temos números precisos para toda a história humana, como os apresentados no gráfico anterior, mas os dados que temos sugerem que isto é uma tendencia que vem desde a pré-história. Não obstante, alguns autores notam que o numero de países em guerra segue uma significativa tendencia oposta (2 países por numero de conflito para começar), mas isso acontece porque o numero de países no mundo tem aumentado muito (cerca de 50 durante a era soviética para mais de 150 hoje).  Estes mesmo autores notam que normalizando esse aspecto, a tendência crescente desparece. Eles consideram que isso não deixa de ser preocupante porque o numero de conflitos parece aumentar também.  Isso pode ser porque de facto não só há mais países no mundo como há cada vez mais pessoas e destes novos países muitos têm conflitos internos por resolver. Porque, e eles próprios admitem, a extensão e gravidade das guerras, apesar de tudo, é menor. Voltando ao principio, de um modo geral, como podemos confirmar no gráfico acima, o numero de mortes por habitante devido a guerras, é muito menor. O numero de guerras entre estados também é menor, como se pode confirmar no gráfico abaixo. Neste gráfico podemos também confirmar que o problema são os conflitos dentro dos próprios estados.

 Fonte aqui.



Uma causa apontada, é a expansão da democracia. Países democráticos têm menos tendência a entrar em guerras:

[democratic peace chart[3].png]

Immanuell Kant, o super-filósofo, tinha apontado a democracia como um dos factores para a paz, mas os dados que o confirmam cientificamente só agora estão a consolidar essa hipótese.

A democracia é uma forma de legitimar o poder, (resolvendo no processo conflitos internos de uma forma não violenta) e de dar voz às pessoas. E as pessoas em geral, ao que parece, estão pouco interessada em guerras. A guerra é muito mais uma decisão de homens, com o poder de mobilizar exércitos, que uma decisão de povos (que muitas vezes se vêem envolvidos para sua própria desgraça - e em nome da pátria!).

Como exemplo (e não como argumento - esse fica para os grandes números  de uma demonstração de amizade entre povos cujos lideres trocam ofensas frequentes (e de notar que um deles não é uma democracia completa) sugiro que se visite esta página chamada "Israel ama o Irão". Desejo-lhes imenso sucesso e vejo boas razões que tal aconteça. Afinal, é bem provável que a maioria dos Iranianos e Israelitas prefiram a paz a morrer por parvoíces escritas em livros antigos, é preciso é que se possam exprimir e ganhar massa critica.

Seja como for, o que interessa aqui reter, repito, é que em termos globais a democracia leva a paz. Mesmo se por ventura aparecer um ou outro exemplo de excepção.

A democracia tem muitos defeitos. Mas tem muitas mais e melhores qualidades. Um bocado como a própria ciência. Ambas têm muitos problemas mas não há melhor e dão bons resultados em muitas coisas.

Por isso quando ouço sugestões anti-democráticas, desde pedidos de golpes de estado a elogios à autocracia,  fico sempre um bocado preocupado. A história mostra que o totalitarismo acontece, não é uma fantasia. E mata.

De facto, o totalitarismo  é responsável pelas maiores atrocidades desde os príncipios da história até Mao, Estaline e Hitler. E já agora, a propósito deste trio, de notar que não é a ausência de religião o problema, já que Hitler avançava um discurso pró-religioso e agia em conformidade. Não dizendo que a religião predispõe para guerras (embora seja responsável diretamente por uma fatia generosa) no minimo  podemos dizer que não é um fator que as diminua.

A democracia sim, é um desses factores. Claro que a correlação com a paz é notória, como seria de esperar. Já sabemos que a violencia está a diminuir e que a democracia também se está a estender a mais nações, por isso o gráfico acima surge como esperado. Fonte.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

As desigualdades.

Portugal é um dos países da europa onde as desigualdades são mais marcantes. De acordo com medições do coeficiente de Gini, que mede precisamente a desigualdade económica, só no nordeste da Europa encontramos países com a mesma quantidade de desigualdade.

Os melhores são mais ou menos os do costume. Norte da Europa e Europa central. Eles distribuem melhor a riqueza produzida que nós. Muito melhor. 

Segundo o que se pode ler no Público, isso vai piorar ainda mais entre nós.

E o que nós sabemos sobre isto, é que a desigualdade é um factor de instabilidade social, revoluções e mesmo guerras. Não há de facto justificação, para uma sociedade que funciona como um organismo, em que cada um dos seus órgãos cumpre uma parte do processo, que haja discrepâncias tão grandes no valor atribuído aos seus constituintes. 

O argumento de que é preciso premiar quem se esforça mais, não impede que haja uma redução na diferença de rendimentos, já que para premiar não são necessárias diferenças tão dramáticas como as que verificamos nos dias de hoje e ao longo de tanto tempo. Isto acontece em boa verdade por todo o mundo. 

Há muita margem de manobra para diminuir as desigualdades.

Os ditos prémios a serem realmente prémios serão tão díspares entre as pessoas que pouco poderão ter a ver com o mérito ou falta dele. Têm mais a ver com quem pode não querer distribuir aquilo com que pode ficar, e em tentar racionalizar a questão. E depois, há muitas mais maneiras de premiar o esforço e o bom trabalho. A medalha e o oscar, etc, valem muito mais que o ouro em que são feitos. E afinal,  ainda há todo o conjunto de posições de poder que podem e devem ir para quem mais merece - alguém tem de organizar as coisas. E o poder e a glória sempre foram motivos humanos, pelos quais podemos distribuir os prémios. Ou seja, há uma margem muito grande para reduzir as desigualdades nos rendimentos. Justificada pela importância e papel que todos cumprem.

A prova de que a cenoura à frente do burro não é tudo o que precisamos para ter bons produtos e boa produções é ilustrada por coisas boas feitas de graça - completamente trabalho oferecido - como o sistema operativo Linux, que se pode descarregar à borla, a suite de programas de produtividade Libreoffice, o programa de edição de imagem Gimp, a wikipédia, associações humanitárias e de caridade, etc... 

Ou olhar para muita da ciência produzida pela história fora, já que os cientistas nunca foram remunerados de acordo com a contribuição que deram e muito menos a dedicação que muitas vezes tiveram. O melhor com que podem contar para enriquecer, ainda hoje, é o prémio Nobel. E quanto a patentes... Essas ficam as firmas com a maioria delas como se vê pelas disputas em tribunal - elas nem pertencem às pessoas que as criaram. 

De qualquer modo, existem estudos recentes, sistematizados e empíricos  que suportam esta afirmação de que não precisamos de forçar a desigualdade para ter produtividade, seja pelas razões que apontei ou não.

E isto é para argumentar contra as desigualdades no mundo, nem sequer só em Portugal. E faço-o, acima de tudo, chamando a atenção para o fato de que funcionamos como um organismo onde cada órgão cumpre um papel fundamental. Cada profissão faz falta. Até os... Adiante.

O argumento dos riscos também já não pega. Afinal já percebemos quem é que corre os riscos realmente.

Para o caso português em particular, podemos até usar o argumento de que todos os países que estão melhor que nós na Europa distribuem melhor a riqueza. Por isso nós devíamos fazer melhor do que o que estamos a fazer, sem medo de perder o resultado do "incentivo a quem merece mais".

E em boa verdade, toda a Europa, que agora é uma união económica, tem culpa disto que por cá se passa. Só porque estamos na periferia, longe, em vez de nos ajudarem a resolver os problemas, dão-nos austeridade - austeridade que acaba por custar mais a quem menos tem. Se funcionasse, ainda se aturava, talvez... Mas não. A austeridade está a falhar e o ressentimento das pessoas aumenta. 

E o ressentimento vem sobretudo das desigualdades. Quando o problema é distribuído por todos, como acontece em casos de catástrofes naturais, não se vê aumento da instabilidade social. Vê-se entreajuda e empatia. Ressentimento vê-se quando há crises em que os sacrifícios não são distribuídos equalitariamente e a coisa é óbvia. 

As grandes desigualdades dão buraco. Dão crime, violência e revoluções. E são injustificáveis moralmente.

Ou então, onde estão agora aqueles que eram tão importantes para a sociedade que se dispuseram a guardar a esmagadora maioria da riqueza? É a altura de mostrar que valem o que ganharam e que podem fazer a diferença.

Porque temos de fazer como se a história não nos ensinasse nada? Porque temos de fazer as mesmas asneiras uma e outra vez? Não temos...

Agora sabemos mais... Temos de reduzir a desigualdade. E a riqueza tem de ser melhor distribuída  Em todo o mundo isso é preciso, mas nós até somos dos piores casos e onde podemos fazer mais diferença é onde estamos. 

E as pessoas... Precisam de se lembrar que a violência só piora tudo. Há mais maneiras de exigir também.

Suporte bibliográfico e leituras aconselhadas:

No BMJ; desigualdades guerra e pobreza: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC1122240/
Inequality.org - http://inequality.org/
Estudos empíricos recentes contrariam a noção de que a desigualdade leva a crescimento económico: http://www.jstor.org/discover/10.2307/2565487?uid=3738880&uid=2&uid=4&sid=21101273781791
No longo termo não há perda de eficiência com diminuição da desigualdade IMF; http://www.imf.org/external/pubs/ft/fandd/2011/09/berg.htm

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Sociedades orientadas para o longo prazo.

Geert Hofstede é um dos sociólogos mais citados da atualidade.

Hofstede criou um modelo cultural com 6 dimensões (*) que permite assim fazer comparações e explicar variações entre culturas.

Uma dessas dimensões é a orientação para o curto prazo ou o longo prazo.

As culturas que estão mais orientadas para o curto prazo são aquelas que em que se alimentam valores tradicionais, empolgam-se questões de honra e "salvar a face", alimentam virtudes como "orgulho nacional" e se procuram preencher as obrigações sociais. As de longo prazo valorizam uma perspectiva pragmática, orientada para resultados futuros, pondo enfase em poupar e ter capacidade de adaptação a ambientes em mudança.

Outra dessas dimensões é o eixo  Indulgencia - Contenção.

Indulgencia refere-se à tendencia para preferir resultados do presente por recompensas melhores no futuro. E contenção ("restraint") à capacidade e tendencia de adiar a gratificação e de regular este aspecto com normas estritas.

Ambas estas dimensões estão intimamente ligadas à capacidade de auto-controlo. E aparecem fortemente correlacionadas pelos países fora. Culturas tendencialmente de longo-prazo são culturas também mais contidas. Com maior auto-controlo na sua população.

Mas não é só isto. As culturas viradas para a contenção numa dimensão e longo prazo na outra, são culturas onde a taxa de homicídios é menor.

Isto é previsto por  uma outra teoria descrita por Elias em "O Processo Civilizacional",  que prevê que o auto-controlo seja responsável pela inibição da violência e o seu decréscimo.

É caso para dizer que estas culturas de índole violenta, apegadas a valores tradicionais e questões de honra  que precisam é de controlar melhor os seus impulsos.

E que manifestações pacificas são de facto um motivo de orgulho para os povos que as praticam. Quer dizer que têm outras qualidades bem amadurecidas.


* estou a par que a Wikipédia fala em 5. Mas Hofstede acrescentou uma nova recentemente.

Via Stephen Pinker in "The Better Angels of Our Nature", o livro.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Porque é que os liberais e ateus são tendencialmente mais inteligêntes?


A Hipotese QI-Savana, uma possivel teoria sobre a inteligência geral
"Porque os liberais e ateus são mais inteligentes" é o nome de um extenso artigo de Satoshi Kanazawa da London School of Economics and Political Science e publicado na revista da Associação Americana de Sociologia, a Social Psychology Quaterly.
O artigo é sobre o teste experimental de uma hipótese abrangente sobre a origem da inteligência, gostos e valores. Diz a hipótese que a inteligência geral é o produto evolutivo da exposição a novas situações. Novas, mas não do ponto de vista da experiencia particular pessoal mas sim relativa à experiencia evolutiva total como espécie.
Ou seja, será a capacidade adaptativa a condições tão novas que não poderá ser procurada a solução entre as coisas que como espécie já não são novidade.
Esta hipótese, denominada "Hipótese da Interacção QI-Savana" é uma implicação do Principio da Savana.
Que diz o seguinte: "O cérebro humano tem dificuldade em compreender e lidar com situações e entidades que não existiram no seu ambiente ancestral."
Então ele propõe o seguinte: "Se a inteligência geral evoluiu para lidar com problemas evolucionariamente novos, então a dificuldade do cérebro humano de lidar com entidades e situações que não existiram no seu ambiente ancestral [a savana] deve interactuar com a inteligência geral de modo que o principio da savana aparece mais forte entre indivíduos menos inteligentes que entre indivíduos mais inteligentes."
Ou seja: "Indivíduos mais inteligentes devem ser capazes de compreender e lidar com entidades e situações de novidade evolutiva (mas não evolutivamente familiar) do que os menos inteligentes."
O que já explica:
Como todas as boas hipóteses cientificas deve explicar o que já se sabe e o autor nomeia entre os factos conhecidos que suportam a sua hipótese quatro constatações estatísticas conhecidas:
1 - A tendência para responder a personagens de televisão fictícias como se fossem realmente amigos conhecidos está correlacionada mais fortemente com inteligências mais baixas. Que ver na televisão um mundo parecido com o real mas que não é real é novidade para a espécie humana não precisa justificações.
2- Pessoas menos inteligentes têm mais crianças que pessoas mais inteligentes, mesmo quando não o querem, explicado pela hipótese com a novidade que é a capacidade de planeamento familiar do ponto de vista evolutivo.
3 - Indivíduos mais inteligentes mantém-se mais saudáveis e vivem mais tempo. Provavelmente porque são capazes de reconhecer os novos perigos da sociedade moderna para a saúde e de lidar com eles. Consistente com esta hipótese é o facto de esta correlação não ser verdadeira em África onde a maioria das ameaças são evolutivamente familiares.
4 - Criminosos têm um QI abaixo da média, pois a intervenção de terceiros para impor justiça é algo relativamente novo para a humanidade. Antes a justiça era feita pelo próprio ou pelos aliados e familiares. Na melhor das hipóteses a interferência de terceiros seria uma punição informal como ostracismo, nada como os mecanismos complexos e mais eficazes dos dias de hoje como policia, detectives, tribunais, etc. Diz o autor que "muito do que chamamos crime interpessoal nos dias de hoje, como violação, assassinato, assalto e roubo foram provavelmente rotina no ambiente ancestral". (Pelo que sei nem é preciso ir até aos dias da Savana...)
As condições testáveis que suportam a hipótese. Capacidade de fazer previsões:
O autor estabeleceu então uma base e uma hipótese a partir da qual deve fazer previsões. Conclui neste aspecto que deve procurar mais variáveis que sejam novas do ponto de vista evolutivo e não pessoal para criar condições em que a teoria é posta à prova. Depois de uma investigação antropológica encontrou 3 parâmetros que serviam para o caso: O grau de liberalismo, ateísmo e monogamia. Porque são experiencias novas do ponto de vista da espécie humana, e é de prever que estejam fortemente correlacionadas com a inteligência. Se a hipótese QI-savana for verdadeira.
1 - Houve algum problema com a questão do liberalismo, pois este parece querer dizer várias coisas para várias pessoas e em vários contextos, mas o autor notou que as pessoas que se identificavam como mais liberais eram também aquelas que mais se preocupavam com o bem estar daqueles que estavam muito afastados da sua esfera de actividade, para lá dos laços de família amigos, aliados e conhecidos. O altruísmo geneticamente herdado é aquele que é relativo aos seres humanos mais próximos. A vida interactiva de grandes cidades numa comunidade global é algo de muito novo.
2 - O ateísmo. É aceite que a atribuição de intencionalidade a fenómenos naturais terá levado a uma crença no sobrenatural. Muito resumidamente, o autor explica que mais vale acreditar que o barulho do vento nos vem comer que ignorar o dito barulho e acabar na boca de um predador porque afinal não era o vento. Ou seja, identificar positivamente intenção salvou mais vidas que considerar como devido ao acaso determinado fenómeno. O medo do escuro aposto que salvou milhares de vidas, digo eu.
3 - Monogamia. A monogamia como existe hoje também é algo de novo na espécie humana, apesar de haver espécies onde a monogamia existe evolutivamente falando há muito tempo. E é a ultima das caracteristicas testadas com sucesso para suportar a hipotese da interação QI-Savana. E curiosamente a única cujo resultado apareceu em varias revistas de divulgação geral. Os homens mais inteligentes, mas não as mulheres, tendem a ser mais monogamicos.
Conclusão:
Todas estas três características mostraram uma correlação forte com a inteligência, como era previsto na hipótese. A análise estatística foi feita em dois estudos de grandes amostras e durante vários anos. Apesar de ser também extremamente interessante, inclusive a discussão sobre o método de medir a inteligência, penso que a grande importância deste artigo não é a metodologia particular.
Ou sequer a constatação do facto de que os ateus e/ou liberais e/ou monogâmicos tendem a ser mais inteligentes.
O interesse do artigo é mesmo, como diz o titulo, propor uma explicação para o facto de os ateus, liberais e monogâmicos serem relativamente mais inteligentes que os crentes, conservadores e religiosos. E uma explicação que é abrangente e que abre terreno a mais investigação.
A minha modesta opinião é que se trata de um trabalho de extrema importância na sociologia e psicologia humana. E um profundamente cientifico. Prevejo um grande debate acerca destas questões - e um que interessaria a toda a sociedade - se formos seres humanos capazes de discutir isto abertos à novidade e longe de preconceitos. Com inteligência.