quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Sobre o Neo-Ateísmo

Neo-ateísmo é uma expressão inventada pelos crentes para designar o movimento ateu que ganhou visibilidade depois do 11 de Setembro.

Na realidade não existem neo-ateus. Existem ateus. A unica diferença que poderá ser encontrada entre um ateu e um neo-ateu, é o facto do neo-ateu dizer o que pensa e o ateu manter-se quieto e calado. Não existe nenhuma outra diferença filosófica, cientifica, artística, o que quiserem.

O neo-ateu, apenas diz abertamente que não existem deuses, que mesmo que existissem não tínhamos maneira de saber o que eles querem e que é um disparate justificar acções ou leis com base naquilo que Deus quer.

O ateu pensa o mesmo. Mas não abre a boca. Esses, dizem os crentes, são os verdadeiros, velhos e bons ateus. Existem mesmo crentes que não se importam de dizer que contra os ateus não têm nada. Apenas contra os neo-ateus. Mas não há nada que possam apontar ao dito neo-ateísmo para além de palavras contra crenças injustificadas.

Talvez tenham razão num ponto. Poder exprimir o que pensamos acerca de deuses é uma liberdade muito recente e em alguns países ainda nem sequer existe. O neo-atéismo nesse aspecto é realmente novo.

Os ateus já andavam aí há uns tempos. Mas foi preciso um disparate como o 11 de Setembro para transbordar o copo. As ideias religiosas tem de ser discutidas tal e qual como as outras. O postulado dogmático de que não se pode discutir religião tem de ter os dias contados. É preciso justificar as nossas acções e regras de acordo com o que elas representam na realidade e não na suposição do que diz ou quer um deus que, na melhor das hipóteses, não tem uma linha de comunicação livre de ambiguidades com a espécie humana.

Porque se tudo o que conhecemos pode ser explicado sem precisar de dizer que tem intencionalidade, isso quer dizer que deus, a existir só tem duas hipóteses e meia. Ou não tem vontade própria, e não será um deus no sentido religioso da palavra ou não quer ser encontrado. E se não quer ser encontrado quer dizer que não há nada que dele possamos saber.

A hipotese de que há pessoas que por auto conhecimento conseguem saber o que deus quer é ridicula, perigosa e amoral. É só meia hipotese de tão tola que é. É apelar para que consideremos que existem uns tipos iluminados que podem saber o que deus quer, enquanto que os outros que se preocupam como justificar as coisas, ficaram sem acesso a essa informação. Informação essa que costuma ser contraditória e mesmo incorrecta. É caracterizada pelo apelo à credulidade sem justificação. E isso tem de acabar. Até porque deus não quereria que acreditassemos em tudo o que  alguem se lembra de dizer que Ele quer pois não? E com tantos a dizer que sabem o que Ele quer, como poderiamos escolher, se Ele opta por não dizer a todos que existe sequer?

Neo-ateísmo é isto? É colocar estas questões e exigir racionalidade nas nossas escolhas e crenças? É dizer isto publicamente?

Então que assim seja.
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