terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Esboço sobre a verdade em pinceladas grossas. Ensaio visual.

Isto são gráficos artisticos a representar o grau de certeza que temos nas coisas. Não representam conhecimento cientifico, mas são uma hipótese testável e passível de aprimorar. Estes gráficos têm por conseguinte um grau de fiabilidade muito abaixo do cientifico, talvez aí na zona logo acima do senso comum.

Então é assim:

No primeiro gráfico proponho que os sistemas cognitivos se avaliam em função da completude e consistencia relativamente às coisas que existem. Naturalmente a ciência é a campeão na consistencia e na soma de ambas, perdendo terreno para a filosofia conforme nos aproximamos de uma optimisação da completude. Naturalmente que a pseudociencia é a campeã da completude pois não se ralando com a consistencia e aceitando o milagre como explicação não deixa nada de fora. Podemos ver que o senso comun atinge bons valores em ambas as direcções mas não onde os dois critérios se exigem simultâneamente. Aí só a ciência e a filosofia reinam. A indistinção entre a ciência e a filosofia e entre a filosofia e o senso comum é propositada. É assim que as coisas são.

No segundo gráfico continuamos a encontrar essa dificuldade intrínseca do conhecimento de se separar em gavetas. A boa filosofia - a única para alguns filósofos (já que eu sou um cientista da filosofia, preocupado por saber que filosofia é que funciona e qual não), confunde-se fortemente com a ciência (a verde) e é marcada por aquele lindo azul-mar-das-caraíbas. Há, o mais importante. A linha horizontal, o eixo do X, tem ao longo os sistemas de conhecimento humano dispersos qualitativamente de acordo com o gráfico anterior.
O eixo dos Y é um valor que eu chamo de "conhecimento". É a abstracção matemática para aquilo que nós podemos dizer que é  o grau de confiança que podemos por nas afirmações. Naturalmente, certezas absolutas não existem e o conhecimento humano não toca o topo da escala de certezas, o conhecimento perfeito. Obviamente que a maneira de obter esse conhecimento é desconhecida da humanidade, e ou é uma evolução da ciência ou vai ser uma coisa nova. Não sei. Por isso deixei a branco.

Na pratica, aquilo a que chamamos respostas e a questão de o que é que dá respostas, tem tudo a ver com o grau de confiança que queremos ter nas respostas. A ciência não responde a tudo. Mas as respostas que dá são as melhores. De tal modo que qualquer resposta que seja melhor que uma cientifica que apareça, a ciência devora-a. Não tenham duvidas. O sistema cognitivo chamado ciência é um predador. A matemática está toda engolida (é o verde mais brilhante mesmo junto à faixa branca). Se aceitarmos graus de certeza cada vez mais baixos vamos poder aceitar o senso comum como conhecimento. Apesar de ser pouco completo e consistente. Naturalmente que se formos só um pouco menos exigentes podemos aceitar a filosofia como conhecimento. Mas a filosofia que se confunde com senso comum já tem um grau de incerteza de falta de rigor bastante marcado. É talvez a área da politica e da moral e da ética, onde os resultados do que é melhor demoram muito a ser avaliados e compreendidos. E onde ainda por cima o consenso é de uma importância enorme na estabilidade. As coisas que nós podemos ter a certeza mesmo nessas áreas, são as importadas da ciência. São aquelas em que podemos criar uma ponte empírica racional e lógica entre os dados observados e os desejados.O que nós desejamos é uma escolha. Mas quase sempre no sentido de ser a que nos beneficia mais como sociedade sem correr o risco de sacrificar indivíduos para lá de uma linha de tolerancia que tem vindo a subir com a evolução social.

Russel dizia que a ciência não tinha todas as respostas, mas as respostas que temos foram dadas pela ciência. Eu praticamente estou de acordo. Mas há coisas que são chamadas de filosofia, mas que sã realmente baseadas em empirismo sistemático, e que se confundem com ciência que também dão respostas. Determinados princípios científicos, ferramentas do pensamento crítico, a lógica, etc. Recuso entregar a epistemologia completamente à filosofia. É óbvio que parte da ciência é a abordagem epistemológica que resulta na evolução e diversicação do método cientifico. É mais uma zona azul-mar-das-caraíbas.

PS: se desenharmos um circulo e colorirmos com esta notação que eu dei, o amarelo vai seguir-se ao verde com uma linha difícil de discernir por ser tão fininha em determinadas zonas. A ciência e a pseudociencia em determinados casos são muito difíceis de demarcar como também ilustrado no gráfico completude/consistencia junto ao eixo dos Y. A psicologia de Freud é um exemplo dessa dificuldade - com uma quantidade anormal de postulados que não assentavam em conhecimento rigoroso, faltando portanto maneira de eliminar falsos positivos e sugerindo falta de consistencia.
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