sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Afinal onde estão esses limites?

A ciência diz que os acontecimentos que estão em sincronia comigo variam com a distancia a que estão de mim e da velocidade a que eu vou.  O tempo é relativo.

A ciência diz que as particulas sub-atomicas não têm velocidade e posição definidas. São, até ao momento em que algo as obrigue a definirem-se, uma onda de probabilidade. Não é apenas não podermos saber. São mesmo uma onda de probabilidade.

No mundo sub-atómico, a "localidade" não é como aquilo a que nós estamos habituados. Há certas coisas que não  dependem da distancia a que estão uma da outra. Particulas emparelhadas portam-se como se estivesse ligadas mesmo quando afastadas de quilometros. Einstein chamava-lhe "acção fantasmagórica à distancia". Em artigos sensacionalistas chamam-lhe teleporting.

Existem teorias cientificas que sugerem que o universo tenha mais de 4 dimensões.  Bastante mais, como na teoria das cordas.

Estão descritos microorganismos que vivem debaixo do solo e se alimentam da radioactividade natural do ambiente. 

A afirmação que o stress diminui a eficácia do sistema imunitário é uma afirmação cientifica. E que pessoas deprimidas vivem menos também.

A ciência diz que o efeito placebo é real, apenas é muito mais dependente da pessoa do que de um efeito especifico do medicamento. Ou da percepção desta, uma vez que se sabe que placebos mais elaborados e mais caros são mais eficazes. 

E ainda me vêm dizer que a ciência não pode explicar isto ou aquilo porque é naturalista? Eu chamo a isso aversão ao conhecimento. Cientofobia.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Fotografias da Natureza






A propósito do "défice relacional" (1) com a natureza, tal como proposto por alguns anti-naturalistas, decidi publicar aqui algumas das minhas fotografias. Ocasionalmente hei de continuar a publicar umas quantas.

Se eu quero compreender e conhecer a natureza, não é porque não goste dela. E ao conhece-la melhor não se cria nenhum "défice relacional", pelo contrário. Se gostamos dela devemos aceita-la como ela é.

A fotografia não lhe faz justiça completa, mas vale a pena. Espero que gostem. São todas fotografias feitas por mim com máquinas digitais e todas foram retocadas um mínimo para tentar voltar a criar a impressão que deixaram em mim e não na máquina no momento do disparo.



sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Evidencias anedóticas - testemunhas oculares.

Tenho escrito sobre evidência individual não reprodutivel como sendo a forma mais fraca de prova que se pode produzir. Essa é a afirmação da ciência. O processo cientifico gira muito mais à volta da reprodução independente dos factos e do esmiuçar das experiencias.

Em tribunal legal, a necessidade de se produzirem resultados e proferirem sentenças, levou a que o testemunho ocular ganhasse uma importância enorme. Felizmente a ciência está tambem a entrar pelos tribunais dentro e estamos num periodo em que já existe ciência mas os velhos hábitos ainda estão presentes.

Dos 239 casos de "culpados" investigados pelo "Innocence Project" desde 1990, a grande maioria - 73% - vieram a revelar-se afinal inocentes, após provas com DNA (1). Desses 73% erradamente condenados por testemunas oculares, 1/3 tinham o envolvimento de 2 ou mais testemunhos. É francamente assustador. 

O testemunho individual irreprodutivel e sem provas fisicas falha. Muito. E as consequencias são gravissimas.  

O "Innocence Project" é uma organisação afiliada da Benjamin Cardoso School of Law da Universidade de Yeshiva, em Yeshiva EUA. 

Benjamin Cardoso é descendente de Judeus Portugueses que fugiram durante a inquisição(2). Actualmente é um advogado muito reconhecido nos EUA e associado do Supremo Tribunal de Justiça

(1)http://www.scientificamerican.com/article.cfm?id=do-the-eyes-have-it

(2)http://en.wikipedia.org/wiki/Benjamin_N._Cardozo

Competição sexual e religião

De acordo com um artigo publicado na New Scientist, a imagem de uma pessoa atraente do sexo oposto aumenta o sentimento religioso dos individuos.

O estudo foi efectuado entre estudantes cristãos e teve um grupo controle. A hipotese avançada é a de que a escolha de um sistema de normas monogâmico seria fortalecida pela ameaça de competição sexual.

Eu penso que para testar essa hipotese devia-se repetir o estudo com solteiros de religiões que não recomendam a monogamia. Penso que existe a hipotese de que o sentimento expressado fosse o mesmo, ou seja, mais elevado a quem foram mostradas as pessoas muito atraentes do que àquelas que foi mostrada uma amostra vulgar do sexo oposto. Talvez também tenha o factor "Ha! Deus afinal sempre existe" envolvido. Seja como for, era boa ciência que essa hipotese fosse testada.

No mesmo artigo fala da procura de Deus para aliviar o stress. Mas isso dificilmente é noticia.

referencia:

http://www.newscientist.com/article/dn18388-anxious-or-sexually-competitive-try-god.html

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Conversas...

No blog do Prof Pinto de Sá, com o nome "A Ciência não é neutra", li dois artigos sobre centrais nucleares que considerei bastante interessantes. 

Os "posts" desmistificavam alguns aspectos controversos da utilização da energia nuclear, notando como a tecnologia evoluio desde as de 1ªa geração - vamos nas de 3ª geração - e notando como se espera que em breve se possa reutilizar os desperdicios para produzir mais energia.

Avança com numeros que mostram que o custo de manutenção é reduzido. E depois apresenta valores de custo por Kw produzido que amortizado com um pagamento a 40 anos tornaria a hipotese plausivel para as nossas carencias energéticas.

Tudo bem. Eu precebi isso e fiquei a pensar. Mas isso depende do custo total e de quanta energia nós precisamos. Se apenas precisamos de mais uns Megawats faz sentido investir uns biliões de euros para produzir energia que não precisamos? ( como se passa neste inverno com as aeolicas).

Podemos construir uma central nuclear que produza apenas mais uns milhares de Megawats que esse preço sai ao custo avançado para qualquer central? Ou foi exatamente para uma central de pequena dimensão (relativa) que essas contas foram feitas? Quanto custa essa central e que energia produz? Quanto precisamos realmente?

É que pode dar-se que para construir uma central de 900MW o custo pode ser quase o mesmo de construir uma de 3000MW e apesar de o custo por potência ficar a um bom nível de fizermos uma central muito pontente para rentabilizar o Euro gasto, pareceu-me que poderiamos estar a produzir mais energia que aquela que precisamos. Logo fazendo um custo inicial de biliões de euros desnecessário.

Ainda para mais, pela altura que o empresário Monteiro de Barros quis construir uma central, esta foi precisamente uma das críticas que lhe vi ser feita na televisão por um senhor que se bem me lembro era doutourado em fisica. A outra era que só valeria a pena se alguem pagasse o custo das emissões de CO2. Mas apesar de não ter encontrado esse valor no post do Prof. Pinto de Sá, era com as primeiras questões que eu estava em duvida o artigo é longo e podia não ter apanhado bem, de maneira que decidi por estas questões nos comentários.

A resposta foi que eu fizesse as contas por mim, que os dados estavam todos no post e no anterior. Sinceramente, depois de ler o post anterior e este novamente, fiquei ainda com mais duvidas. E achei estranho não fazer um resposta direta à minha questão. 

Bem, posso estar a ver alguma coisa mal, mas alguma coisa aqui não bate certo em quem quer iniciar uma discução como diz no título do post. Fiz mais dois comentários que não foram publicados. Não pensei fazer um post sobre isto, mas alguma coisa me diz que a atitude do senhor Professor não é correcta. E eu, leigo que sou na matéria, e que temo usar mal os valores apresentados, mas que quero tentar preceber, estou na mesma. E o assunto é importante. 

Foi a falta de abertura a discussão que me fez escrever este artigo. Continuo sem saber se o investimento inicial se vai de encontro às nossas nessecidades. Dado que pelo que percebi o nosso consumo médio anda pelos 6000 MW e está quase todo coberto. Com os aumentos a longo prazo na ordem dos 1000 MW, será que é preciso construir uma central nuclear para encaixar isso ou uma central mais barata que apesar de tudo custe mais por kilowatt é mais adequada precisamente porque não precisamos de muitos kilowatts?

Deixo aqui o link para o referido artigo que vou tirar a ligação para este blogue da minha lista. É a primeira vez que o faço, apesar de muitos desacordos com outros autores de blogues. 

http://a-ciencia-nao-e-neutra.blogspot.com/2010/01/uma-central-nuclear-em-portugal_12.html

Update: recebi um mail a dizer que os meus comentários não eram publicados porque são retórica sem conteúdo. E que isso está incluido nos critérios anúnciados de publicação de comentários.

Bem, aparentemente, há qualquer coisa que não apanhei no post. Mas também ele é longo e penso que não serei o único a ficar com dúvidas no final. E se for? Que raio...

Update: Parece que a questão está praticamente resolvida, tendo uns mal entendidos pelo meio - ver comentários. Mas a conversar é que a gente se entende (parece que o povo tem razão em algumas coisas).

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Dualismo por todo o lado.

Eu costumo ler a New Scientist. Não é uma revista científica própriamente dita, não publica artigos de investigação originais, mas tal como este blogue é sobre a ciência.

E costumo também gostar dos artigos, mesmo se por vezes são um pouco sensacionalistas. Quase sempre no titulo, no conteúdo é mais raro. Mas este é absolutamente sensacionalista e enganador. 

Chama-se "Não encontrarás a consciência no cérebro" (1)

E enquanto não apresenta nenhum tipo de  evidencia nova que apontasse noutra direcção, vai dizendo que a consciencia não pode estar no cérebro. Nem tão pouco avança com qualquer hipotese sobre onde poderá estar então a consciencia.

Faz umas confusões entre os objectos reais e a percepção destes para explicar porque é que a consciencia não está no cérebro que nem sei por onde começar a apontar os erros quanto a esse respeito. Sim, está uma confusão que nem se percebe o ponto.

Mas há outros que são faceis de perceber o que quer dizer:

Diz que o cérebro não pode ser a consciencia porque senão não era possível a memória. E diz que a sensação de percebermos as coisas como acontecendo ao mesmo tempo tambem não pode ser explicada por actividade do cerebro.

Será que sou o unico que não vê problema para o cérebro em fazer uma coisa que um computador faz? Tal como ordenar registos por ordem cronológica e ser capaz de chamar informação armazenada em memória?

São muito mais memórias as nossas? Muito mais informação. Muito mais informação a cruzar? Subsistemas a vigiar? Pois são, talvez por isso falhemos tanto. 

Nada disto me parece ser um problema chave. Na mesma "New Scientist" li outros artigos que ajudam a perceber muitos destes problemas. Cada neuronio tem apenas 13 (2) neurónios entre si e qualquer outro. Sim, aparentemente o cérebro não são apenas compartimentos fechados, tudo está ligado. E isso explica muita coisa, como por exemplo podermos fazer circuitos de "como se". Isto é, chamar algo da memória, passar pelo cortex visual e fazer essa memória ter realismo. "Como se" fosse real. E o mesmo com as emoções. Perguntem a um actor.

E parece que zonas diferentes são capazes de se porem a funcionar na mesma frequência para se porem em contacto (3) o que tambem ajudaria a recontruir memórias a partir de informação armazenada.

Afinal o que há de novo aponta realmente na mesma direção. O cerebro é a origem consciencia.

Sinceramente um artigo anti-naturalista é uma bizarria nesta publicação. O dualismo é de facto o debate quente que se segue.

(1) http://www.newscientist.com/article/mg20527427.100-you-wont-find-consciousness-in-the-brain.html

(2) http://www.newscientist.com/article/dn18371-brain-entanglement-could-explain-memories.html

(3)http://www.newscientist.com/article/dn18371-brain-entanglement-could-explain-memories.html

Gripe A

Agora que a gripe A está a desparecer, oficialmente a época de gripe passou, começam as queixas de que o alarme foi exagerado. 

Falar depois das coisas acontecerem é sempre mais fácil, mas eu nem penso que se possa dizer que foi alarmismo. Talvez por ter tido uma amiga quase a morrer no hospital me dê uma visão parcial desta gripe, mas há factores que deviam ser considerados antes de dizer que houve exagero nas medidas tomadas. 

Se as pessoas foram vacinadas numa escala bastante significativa porque é que é de estranhar o impacto da doença não ter sido maior? É para isso que servem as vacinas.

Se toda a gente passou a ter cuidados especiais com a transmissão por contacto, que antes não se dava importancia e a tomar medidas para a evitar, será que isso não diminuiu os numeros também?

Há mais coisas a considerar, mas para ja estas duas deviam chamar a atenção para não fazer sentido avaliar os estragos sem ter um controle com placebo...