sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Crónica de uma duvida relativa

Existe um todo, infinito, incompreesivel, onde toda esta a acçao decorre. Quer lhe chamem universo, ou outro nome qualquer, quer haja varios universos ou nao, existe um todo... Algures nesse todo, estão concentrados num ponto,( quero dizer, pelo menos num), galaxias, sistemas solares, estrelas, planetas, buracos negros, cometas, e provalvelmente entre poeiras e gases, uma serie de outras coisas que nos ainda nao compreendemos. Num desses planetas estamos nos. E agora vou tentar simplificar as coisas. Existe o universo, depois galaxias, depois sistemas, depois planetas, e num a que chamamos Terra, num sistema a que chamamos Solar, apareceu uma coisa que nem aqueles que a possuem a compreendem. Mas chamamos-lhe vida. E o que é certo, é que um bom bocado depois de aparecer vida neste planeta, apareceu uma especie que achou, e acha que é o centro deste universo. Nao vou dizer que esta enganado, vendo bem as coisas, por mais que essa especie se esforce, o seu ponto de vista tera de ser sempre o mesmo. Mesmo que abandonemos este planeta, mesmo que consigamos deixar para traz todos os nossos preconceitos, nunca deixaremos de ser humanos. É nos imposto sempre um ponto de vista humano. Mas nao façamos grande coisa desse ponto de vista. Como ja disse, existe um universo, tentemos nao esquecer isto. Ele estava ca antes de nos, ele inclui-nos a nos, e muito provavelmente ha-de ca ficar depois de nos partirmos. Agora gostava de poder fazer o convite de olhar para  nos do ponto de vista do universo, mas tal não é possivel. A questao nem é que seria sempre o nosso ponto de vista sobre o ponto de vista do universo. A questao é que este universo, nao tem um ponto de vista. Ele é, ele esta, ele (ou devo dizer nele?) acontece. Mas ja que nao nos é possivel ter o tal ponto de vista absoluto, e visto ele nem existir, escolhamos um relativo. Onde? Qual? E se fossem tantos quantos nos fossem permitidos compreender simultaneamente? Bem, as coisas assim complicam-se...
Vamos começar de novo, mas deixemos o universo em paz. Vamos so pensar neste planeta azulinho a que chamamos Terra. Nao preciso lembrar a diversidade de coisas que ai podemos encontrar, é de tal modo impressionante a esta tal especie de que vos falei, que ela pensou um dia ser a Terra o centro do universo. Isto já depois de compreender que o universo nao era ela propria, nem que ela nao era plana. Mas nao interessa. Onde quero chegar é que no meio desta confusao, existe esta especie, nos, os humanos. E segundo um de nos, pensamos e existimos. E ha quem acredite que o universo foi criado apenas para suportar a nossa existência. Como se em vez de nos termos adaptado ao universo, tenha sido ele que se adaptou a nós. De qualquer modo este assunto fica para mais tarde. Onde quero chegar é que existe o universo, e num pontinho algures no meio da coisa, a especie humana. E agora, se conseguirmos ver para alem do mito do homem, e do seu antropocentrismo, a historia começa. E a historia começa com o homem. E com ele, as suas grandes criações, a saber: A Arte, a Filosofia, e a Ciencia. E caso o leitor tenha estado de acordo comigo até agora, entao talvez o meu ponto de vista tenha algum valor, e eu sinto-me tentado a continuar. 

Não é a certeza que move a arte, a ciência ou a filosofia. É a duvida e a procura. E a honestidade de aceitar o que se encontra.


PS: texto escrito muitos anos (10?) antes de iniciar este blogue. Mas o convite está de pé. :)
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