sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Campanha "Questionem a Evolução".

Também através da Conservapédia, a tal "enciclopédia de confiança" descobri que os criacionistas estão a promover desde este mês a campanha "Questionem a Evolução".

E eu como bom céptico, insisto que o façam.  Mas não só à evolução .Questionem tudo o que tiverem tempo e paciencia. Informem-se. E depois questionem-se também acerca de todas as explicações imperfeitas que vão encontrare perguntem-se quais são as melhores.

Nomeadamente, não se esqueçam de questionar o criacionismo. E perguntem por exemplo que mecanismo existe na genética para que uma nova mutação não possa ser benefica. E depois, que mecanismo também existe  para que duas novas mutações neutras ou benéficas não se possam associar uma à outra. E acumularem-se ainda mais com o tempo.

E perguntem como sabem que a biblia é que diz a verdade. Foi deus diretamente? Ou, é porque é o que diz... A biblia?

E perguntem porque é que o rasto de mutações neutras que encontramos no DNA conta a mesma história que a forma fisica dos seres vivos e que por sua vez encaixa milagrosamente (pun intended) na historia que se obtem por datação radiometrica.

E ja agora... Quem é que disse que explicar que a complexidade do universo ficava mais simples se lhe dessemos intencionalidade? Não é a intencionalidade algo complexo so por si, que só vai complicar ainda mais as coisas? Um universo sem deus tem menos um berbicacho para explicar... Que é de onde veio deus, quem é, e porque raio tudo se passa como se ele não existisse desde o Big Bang.

Sou todo a favor por uma campanha para questionar seja o que for. Mas não paremos na evolução, porque haveriamos de o fazer?

Link para a campanha:

 http://creationstoreuk.s3.amazonaws.com/infobytes/209_US_questionevo/209_US_questionevo.html

8 comentários:

Hugo Hoffmann disse...

"Neste blogue defende-se:

Que as medicinas alternativas e complementares são pouco mais que elaborados placebos;

Que o aquecimento global tem origem humana;

Que a evolução das formas de vida é um facto e o criacionismo não corresponde à realidade;"

Permita-me concordar contigo apenas nos dois primeiros pontos. Mas pelo visto então a TEORIA da Evolução não é mais TEORIA e sim uma LEI, pois, segundo sua colocação, é um FATO, se é FATO foi 100% comprovada.

Ou meu raciocínio está cientificamente equivocado ou não sei mais qual é o conceito de TEORIA e de LEI científica.

Hugo Hoffmann

Joao disse...

Nada é 100% comprovado.

Lei é cada vez menos usado mas refere-se quase sempre a regras simples em pequenos grupos.

Para ser rigoroso deveria ter dito que defendia a "sintese evolutiva moderna". É um modelo. Teoria esta no entanto correcto, porque inclui a explicação para o facto das especies evoluirem.

Yuri S. C. disse...

No que tange entre criacionismo, evolucionismo ou design inteligente fico totalmente perdido. Não sei nada. Vejamos se aprendo algo.

Por exemplo, quando você escreve "E perguntem como sabem que a biblia é que diz a verdade. Foi deus diretamente? Ou, é porque é o que diz... A biblia?"
Não teria qualquer ciência (isso inclui a filosofia) que partir de um ponto (não que seja irrefutável ou verdadeiro), mas de um ponto que inicialmente não calha que seja discutido?

O que digo é que não é a bíblia aquilo que diz a verdade, mas que partir de um ponto (no caso o descrito pela bíblia) não é mal algum, pois de qualquer forma há de iniciar por um ponto.
E não defendo que as coisas devam ser adequadas para tal ponto, mas se a ciência (ou a natureza das coisas e da investigação) permitem outras possibilidades, há que levarmos em consideração.

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Sobre a intencionalidade, eu não concordo por completo, mas fico apenas nessa manifestação, pois teria que especular teologicamente sobre tal.
E se tal intencionalidade é de um deus, obviamente, não é da conta da ciência.

Também sou a favor do questionamento, e nesse ponto, (cientificamente) a evolução tinha (e parece ainda ter) uma larga vantagem de blindagem em comparação com o criacionismo.

Joao disse...

Yuri:

"mas que partir de um ponto (no caso o descrito pela bíblia) não é mal algum, pois de qualquer forma há de iniciar por um ponto."

Isso não te cheirou a esturro assim que acabaste de escrever?

Se tens de partir de um ponto, não quer dizer que seja qualquer ponto.

Se não digo-te ja que pelo teu argumento eu parto do ponto de que eu tenho razão. E isso ate podia dar geito mas não é util para quem quer mesmo saber.

Um ponto de partida deve ser o mais simples possivel. E deve ser algo em que varios observadores concordem.

Por exemplo: " a realidade é inteligivel pelo menos parcialmente".

Normalmente crentes e ateus estão confortaveis com esta afirmação.

Depois digo assim: " Não precisas de saber tudo para saberes pelo menos alguma coisa." O que ate podes seguir da premissa anterior. É practicamente igual e tambem não costuma gerar problemas entre crentes e ateus.

E depois digo assim: Então partindo daqui vamos ver o qeu conseguimos descobrir da realidade e como podemos conhece-la o melhor possivel.

E se me respondem que não é preciso que ja esta na biblia eu digo que me mostrem.

Quanto às hipoteses de partida, elas acabam por se mostrar muito uteis, pois acabas mesmo por consegui formar conhecimento. Consegues prever e explicar fenomenos. E as peças vão encaixando.

Agora usar a biblia como ponto de partida não. Quanto muito poderias verificar que o que diz a biblia esta ou não de acordo com a realidade.


Em negação às hipoteses anteriores tens que não podes saber nada. E se não podes saber nada não ha discução possivel. Nem afirmações possiveis. E puf.

Yuri S. C. disse...

Parece de fato, que há quem tenha necessidade de complicar as coisas.

Se tens de partir de um ponto, não quer dizer que seja qualquer ponto.
Tomarmos a bíblia como um relato, mesmo (ou principalmente) que não literal, não parece ser um ponto qualquer. Sua crença ou descrença em um Deus criador é outra história.
Provamos cientificamente que a bíblia tem um relato todo falso da criação? (tirando Deus, que não é da conta da ciência)

Se não digo-te ja que pelo teu argumento eu parto do ponto de que eu tenho razão.
Não escrevi para tirar razão de ninguém. Vim para apoiar o questionamento.

“Um ponto de partida deve ser o mais simples possivel.”
Desculpe, mas dizer que Deus criou tudo do nada é bem mais simples que inúmeras coisas presentes na teoria da evolução.
Cientificamente é. Teologicamente é outro conto. Queres fazer teologia?
Ah, vale lembrar que dizer que "deus criou tudo" não tolhe pesquisas sobre as coisas criadas, sequer sobre como elas foram criadas. Como exemplo temos a teoria da evolução.

“E deve ser algo em que varios observadores concordem.”
O que está em jogo para você pode ser isso, mas porque vários observadores concordam não incorre de ser censurada uma análise crítica pela parte discordante.
Fosse assim, seriamos criacionistas, geocentristas etc.

“E se me respondem que não é preciso que ja esta na biblia eu digo que me mostrem.”
Sim, e então a bíblia tolhe o conhecimento científico, pois já está tudo lá...
Visão um tanto antiquada, não?
E um tanto estranha de como se servir da bíblia, da qual serve apenas para por termo a questões.
Talvez teológicas, morais... talvez.

Está escrito no título, e disso não há como fugir. A campanha é “questionem a evolução”.
Meu comentário foi para dar o apoio ao questionamento, e disso, por mais que você tenha tentado, também não há como fugir.

Portanto reitero: questionem a evolução.

Joao disse...

Yuri:

"Tomarmos a bíblia como um relato, mesmo (ou principalmente) que não literal, não parece ser um ponto qualquer."

É um ponto qualquer. Mitologias há muitas e o facto de haver ou não quem acredite não faz diferença (ad populum). Ser antigo tambem não (ad antiquitatem). E dizer que vem da boca de deus requer um novo pressuposto que aí sim leva a uma quantidade de ambiguidades. Para alem disso tens sempre de assumir que a realidade existe e que a podes compreender antes de assumir a biblia como ponto de partida. O que te coloca logo em desvantagem.

Deus é assunto da ciencia. Pelo menos se existe neste universo ou não. Se existe noutro universo onde não causa efeitos neste talvez não seja, mas assim é.

A ciencia é sobre explicar a realidade e descrevê-la. É sobre factos. Se deus existe é do interesse da ciancia.

A teologia é treta. É como as medicinas alternativas, a astrologia ou outras coisas do género.

Questionar sim, mas abdicar do sentido critico não.

Joao disse...

Yuri:


"porque vários observadores concordam não incorre de ser censurada uma análise crítica pela parte discordante."

Claro que sim. Critica aberta faz parte de qualquer sistema cognitivo que queira acumular conhecimento adquirido independentemente. É parte indispensavel da ciencia.

Depois é preciso repetir as experiencias, comparar argumentos, etc.

"Desculpe, mas dizer que Deus criou tudo do nada é bem mais simples que inúmeras coisas presentes na teoria da evolução."

Isso era mais simples quando não se sabia mais nada. Hoje sabemos que postular entidades extraordinárias requer evidencias extraordinárias senão temos um mundo infestado de demonios.

Por outro lado deus é divinamente complexo. Alguns teologos têm mesmo justificado a existencia de deus por ter de haver algo mais complexo que o homem que o possa ter criado.

"Sim, e então a bíblia tolhe o conhecimento científico, pois já está tudo lá...
Visão um tanto antiquada, não?"

Deveras.

"por mais que você tenha tentado, também não há como fugir."

Não. Eu defendo o questionamento. Estou aqui para discutir e argumentar sobre tudo. Isso não quer dizer que tenha de estar de acordo ou que os pressupostos sejam todos igualmente necessários e uteis. Ou sequer que a crença possa ser equiparada a pressuposto uma vez que o pressuposto podemos por no lixo se não levar a lado nenhum ou até deixar em stand by, enquanto a crença te leva sempre de volta ao ponto inicial.

Yuri S. C. disse...

Como eu disse em meu primeiro comentário, não entendo suficientemente bem nem de criacionismo, evolucionismo ou mesmo design inteligente. Com relação a este, sou contra por misturar as coisas.

Tenho que salientar ainda duas coisas: quando digo “partir da bíblia” não tento fazer nem ad populum nem ad antiquitatem. É, como eu disse no primeiro comentário, um ponto qualquer.

Mas algo me incomoda: Que Deus seja assunto da ciência, tudo bem. Mas qual é a ciência que cuida de Deus? Quem são os cientistas que estão a pesquisar Deus? Quais são os métodos e técnicas usadas por estes cientistas? Qual a garantia que você e tais cientistas dão que seus métodos e técnicas são suficientes para “encontrar ou não” Deus? Qual é a certeza? (isto é, o nível de certeza é semelhante ao de pesquisas como ao da cura do câncer? [por exemplo])

Sobre sua opinião de teologia ser treta, isso é sua opinião. Não vou ficar discutindo sobre teologia, primeiro porque sou agnóstico e segundo pelo fato de que há razões suficientes para fazer teologia, visto não sabermos se Deus existe.

“Hoje sabemos que postular entidades extraordinárias requer evidencias extraordinárias senão temos um mundo infestado de demonios.”
Não sei o que são “evidências extraordinárias”, principalmente vindo de um (ao que tudo indica) cientificista, portanto não falarei sobre.

“Por outro lado deus é divinamente complexo. Alguns teologos têm mesmo justificado a existencia de deus por ter de haver algo mais complexo que o homem que o possa ter criado.”
Interessante que essa questão da complexidade/simplicidade é questão da ciência, a filosofia não está lá tão presa a isso quanto à ciência.
Portanto, acho que esse ponto nem vale mais ser discutido, ao menos que consiga transferir isso a essa questão filosófica, visto que Deus é antes de tudo um problema filosófico.
(vale lembrar que a afirmação “deus é divinamente complexo” não é científica, e usar teólogos para exemplificar só corrobora isso.)