sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Grupo de cientistas ensina meditação a macacos.

No shit! Usando um electroencefalograma, ofereceram marshmallows para reforçar certos estados mentais. 

Especificamente, os marshmallows foram dados quando o electroencefalograma mostrava actividade que em humanos corresponde a meditação.

Em pouco tempo, alguns em duas sessões de "treino" os macacos aprederam a manipular o seu estado mental para ganhar marshmallows. 

Segundo os investigadores, eles parecem "sossegados, mas concentrados". Sim, estão a meditar em troca de marshmallows!


Para finalizar. Este estudo é importante porque mostra que os macacos podem ser modelos de teste para o mecanismo de neuro-feedback, uma técnica recente que parece poder ajudar as pessoas a controlarem os seus próprios estados mentais olhando para dados objectivos do seu cérebro, como um electroencefalograma  - ou seja,  fazer o mesmo que os macacos deste estudo.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Neurotretas. Lateralização das funções cerebrais como justificação de personalidades.

A neurologia veio revolucionar a psicologia. A capacidade de poder observar e compreender o que se está a passar no cérebro mudou o curso e a profundidade da investigação.

A abordagem tipo "caixa preta" - baseada em "inputs" e "outputs", sem ver o que se passa "lá dentro", ficou    para a maioria das questões completamente obsoleta. 

E claro, começam a surgir os livros de psicologia pop com alegações de serem "baseados no cérebro" ou em "recentes descobertas neurológicas". Alguns poderão ser bons e alguns são mesmo, mas o que me preocupa é a treta. 

Uma das coisas que notei que deve levantar uma bandeira vermelha e que está por aí a potes é a dos abusos acerca da lateralizaçao do cérebro. Ela existe. Mas é muito mais subtil do que às vezes  nos querem  fazer crer.

Dizer que uma pessoa é cérebro esquerdo ou direito por uma razão qualquer, ou que uma característica está no lado tal, é um abuso. De um modo geral as características e funções do cérebro estão distribuídas pelos dois hemisférios simultâneamente e estão bem integradas no seu todo. 

De acordo com o neurologista de referencia deste blogue, o Steven Novella:

 "(...) the “right-brain/left brain” thing is in the public consciousness and won’t be going away anytime soon. Sure, we have two hemispheres that operate fine independently and have different abilities, but they are massively interconnected and work together as a seamless whole (providing you have never had surgery to cut your corpus callosum).

We also do have hemispheric dominance, but that determines mostly your handedness and the probability of language being on the right or the left. There is also often asymmetry for memory, with some being right or left hemisphere dominant. But none of this means that your personality or abilities are more right brain or left brain. That much is nonsense." (aqui)
Ou seja, lateralização das funções do cérebro existe, mas a menos que o nosso cérebro esteja cortado ao meio pelo corpus callosum e assim a comunicação entre hemisferios comprometida, (como acontecia  nos pacientes dos primeiros estudos sobre o assunto nos anos 60), podemos contar que a cada momento ambos os hemisférios estão a contribuir para a nossa consciência e personalidade. 
A wikipédia também tem um bom artigo sobre o assunto, aqui.

sábado, 17 de setembro de 2011

Os palitos e a acupunctura.

Se existem já estudos que mostram que aplicar acupunctura e picar (sem espetar) com palitos tem o mesmo efeito, a conclusão que se pode tirar daqui é a mesma que se pode tirar quando comparamos acupunctura verdadeira ( acupunctura feita nos pontos tradicionais)  com outra onde se espeta à toa.

A conclusão é que as alegações especificas da acupunctura são falsas.

Quando os resultados são replicáveis de um modo inespecifico e oposto ao da teoria em estudo é porque não é essa teoria que está a explicar os resultados observados. É outra coisa qualquer que também é posta em funcionamento por processos que são substancialmente diferentes (de facto tão diferentes que foram imaginados para refutar as alegações da teoria desafiada).

Se o efeito de analgesia da acupuncura for superior a placebo, coisa que não está estabelecida de modo algum, pelo contrário, o que sabemos já com toda a certeza, é que não tem nada a ver com a medicina tradicional chinesa. Sabemos que podemos replicar esse efeito de um modo menos invasivo, sem precisar de decorar pontos estúpidos, e sem ter de propor energias místicas. Sabemos que não podemos permitir chamar àquilo medicina alternativa e deixar que se proponham tratar uma data de coisas.

Mas o que sabemos também é que esse efeito, é muito ligeiro. Afinal qualquer um pode experimentar picar a pele com palitos para ver se elimina a dor forte. Distrai. E até pode, eventualmente, libertar umas adenosinas e endorfinas. Mas funciona realmente? Alivia satisfatóriamente? Não. Precisamos sempre de algo verdadeiramente eficaz para dores fortes.

É que efeitos vagos, tipo placebo, é fácil encontrar. Existe em tudo o que se convença alguém que funciona. Existe no antibiotico e na agua da torneira, na fisioterapia e na acupunctura. O que é difícil é encontrar coisas que não deixem dúvidas do alivio que causam e que tenham mais que efeito placebo. Pelo que sei de estudos recentes, para dor crónica não temos quase nada. Mas para dor aguda felizmente sim.

Como tenho reparado, as discussões acerca da acupunctura acabam sempre por girar acerca da dor. E do efeito moderado sobre a dor, que é replicado por picar com palitos.

Mas mesmo que, no melhor cenário para a acupunctura, isto fosse verdade, que tinha um ligeiro efeito analgésico, de modo algum isto significa que faz sentido usar acupuncura para qualquer outra coisa, ou que sequer faz sentido dizer que a acupunctura funciona. Não funciona. Picar com agulhas e com palitos faz qualquer coisa. Isso parece-me óbvio. Doi um bocado. Mas não tem nada a ver com o que dizem os chineses à séculos. Esse apelo à antiguidade está comprovadamente falso.

E então se vêm falar em estudos de análgesia moderada para defender que se  pode com isto  tratar constipações, cancro, hepatites, deixar de fumar, etc. é a treta completa. E no entanto parecem haver sempre bastantes individuos dispostos a fazer precisamente isso...

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Acunpunctura e o autismo.

Haja crentes que se gasta dinheiro a testar tudo e mais alguma coisa.

Desta feita foi em espetar agulhas para tratar o autismo. Resultado: Não serve. Surpresa, hã??

Aqui.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

O naturalismo não proibe que se encontre Deus. Apenas que não se recorra a Deus para tapar buracos.

O texto de Alvim Plantinga referido no post anterior é uma fonte divina de raciocínio enviesado e tendencioso que só pode servir para injectar falaciosamente teísmo na filosofia  e  na ciência. Aqui vai mais uma amostra:

"A terceira restrição  [do naturalismo]  é, então, que a base epistémica de uma teoria apropriadamente científica não pode incluir proposições que impliquem obviamente7 a existência de Deus ou quaisquer outros agentes sobrenaturais, ou proposições que sabemos ou pensamos que sabemos por meio da revelação."

Poder pode. Precisa é de evidencias fortes. Entidades extraodinárias requerem evidencias extraodinárias. O problema é que nada no universo sugere fortemente a existência de Deus, pelo contrário, e Deus por seu lado, caso exista, parece estar a usar a sua superpotência para apagar os traços da sua existência. A revelação tal como é apresentada pelos teístas é apenas um palpite que tem um registo histórico desastroso com uma diversidade brutal de caracteristicas, numero e vontades dos deuses. Não tem maneira de se estabelecer como fonte epistemológica. Nem de se distinguir do palpite curriqueiro.

Continua:

"Pois considere-se alguém que de facto aceita as linhas principais de uma das religiões teístas, e trabalha na área da psicologia evolucionista. Sem dúvida que irá honrar o NM [turalismo metodológico] como restrição à sua actividade científica. Se o fizer, para todos os propósitos científicos irá eliminar do seu corpo de dados as proposições que impliquem obviamente a existência de Deus ou de outros seres sobrenaturais, tal como o que ela sabe ou pensa que sabe por meio da fé ou da revelação. "

 A selecção de evidências cientificas não é de acordo com o que elas dizem. Não é se sabem bem, são agradáveis ou se implicam deus ou não. É se estão bem colhidas e são de confiança. Há uma hierarquia mas não relacionada com o significado da evidencia. É relacionada com a garantia que temos de não haver erro na sua apreensão. Ler sobre evidência anedótica aqui para uma explicação sobre o assunto.

Se Deus aparecer aí a fazer milagres, salvar o pessoal e a explicar umas coisas será difícil negar a existência de uma criatura tipo-deus para dizer o mínimo. O problema é que vivemos num mundo sem milagres, pleno de desgraça e onde as coisas naturais não parecem seguir um plano de longo prazo no seu contexto geral. Nem hoje, nem nunca. Longo prazo e objectivos - sinais de intencionalidade -  parece ser uma coisa unicamente pontual, biológica, relacionada com seres vivos moderadamente evoluidos e relativa apenas a estes.

Como se vê, o naturalista pode aceitar intencionalidade. Têm é de ter cuidado para não a ver em todo o lado. E é isso o naturalismo em ultima análise. É não usar intecionalidade para explicar o que pode ser explicado sem ela.



E voltando a Platinga, claro que com estes enchertos de dogmatismo absoluto em cima do naturalismo, a conclusão a que vai chegar é que a ciência naturalista é cega:

"Mas então ela poderá muito bem produzir teorias do género que temos vindo a apontar, ."

Que é o que a ciência produz - "teorias incompatíveis com a religião teísta" - e ainda bem que ele reconhece. Mas é porque não há maneira de distinguir a crença em Deus da existência real de Deus.

Deus ser incompativel com a ciência é resultado da constatação que usar Deus ou deuses para tapar buracos do conhecimento não leva  a nada.

Principios como "as entidades não devem ser replicadas para além do necessário" e "entidades extraórdinárias precisam de provas extraódinarias" não existem à toa. Se baixarmos a nossa exigência face ao tipo de evidências que precisamos para aceitar algo como a auto-revelação ou qualquer outro aspecto de testemunho anedótico ficamos com um mundo infestado de demónios, fadas, duendes, etc. Coisas para as quais não teremos mais que evidência fraca para demonstrar a existencia. E a pergunta então é, para que serve isso? Para nos deixar felizes? Tudo bem. Acredite quem quer, mas não faz sentido na mesma.

E além disso, sabemos que exigir evidências sólidas funciona melhor que qualquer outra coisa e permite conhecimento que é o melhor que temos no que toca a fazer previsões sobre o que vai acontecer ou podemos encontrar.

PS: Eu considero que Deus já foi uma boa explicação. Mas já não. O problema é que não sendo parte da explicação começou a ser parte do que é regeitado pela explicação. Problema para quem não quer deixar de acreditar, claro.

Para tirar Deus de uma teoria, penso que ele lá tem de estar primeiro...

De um texto de Alvim Platingra, traduzido pelo Desidério  e postado no "Crítica na rede", retirei esta frase para comentar:


"Quem defende que a evolução mostra que a humanidade e as outras coisas vivas não foram concebidas, defendem os seus oponentes, confundem uma interpretação naturalista da teoria científica com a própria teoria."


Ou seja, mesmo sem estarmos a pôr a teoria da evolução em causa se consideramos não estar lá Deus, é porque estamos a trabalhar num quadro naturalista que não é imposto pela teoria. 


Isto não é correcto.


Deus está tanto na teoria da evolução como na pedra que rebola montanha abaixo. É sempre possível dizer que ele está lá. Mas não adianta nada, não explica nada, em suma, não faz parte da teoria.


Quem interpreta a teoria como não tendo deus não está a ser mais racional que ao interpretá-la sem ter estraterrestres, duendes, fadas, tachos de cozinha, etc. 




A teoria da evolução explica exactamente como a evolução se pode dar sem intervenção de deus ou outro ser consciente qualquer (não é nada pessoal contra deus, a não ser que deus seja acaso e seleção - e se bem que haja quem queira que deus seja a segunda, normalmente regeita a primeira). 


A teoria da evolução, não só propõe um mecanismo sólido para compreender porque as espécies evoluem como o faz sem introduzir forças com capacidade de planear o futuro. Não é uma interpretação naturalista da teoria. É como ela é. Dizer que Deus está lá de qualquer maneira é injectar entidades desnecessárias que nada acrescentam à explicação. 


E se Deus está lá, segundo a teoria e de acordo com os factos, é cego. Vejamos mais obkectivamente ainda o abuso que Platingra propõe:


Se a teoria da evoluçao (TE), tal como está, sem referir Deus ou atribuir-lhe soluções explica a evolução registada factualmente é comparada a uma teoria da evolução com Deus (TE + D) que explica exactamente a mesma coisa mas injectando uma entidade extra (D) , então (D) não pertence à explicação. Ou seja, se TE = TE + D, então D está a mais. 




Para mais, D não é uma entidade qualquer. 


É uma entidade que não passa da uma hipótese, dado a inexistencia de evidências  de qualquer espécie, que sejam capazes de discernir satisfatóriamente D da crença em D. Daqui proponho que é uma afirmação extraórdinária injectar D em qualquer solução ou explicação. E aqui sim, está o naturalismo. É por isso que procuramos explicações sem entidades capazes de por si só serem capazes de explicar tudo. Por isso e porque no fim não ficamos a saber mais, apenas ficamos com a ilusão de ter uma explicação que nada diz sobre a questão em causa.


Mas se a teoria da evolução foi desenvolvida num quadro naturalista, ela está longe de poder ter deus incluido para se dizer que quem a usa para dizer que deus não está lá esteja a ser confundido pelo seu próprio naturalismo.

Fotografias de OVNIS (não confundir com O.V.N.I.s)



Depois de ver que imagens como esta continuam a ser suficientes para enganar umas quantas pessoas, decidi experimentar quanto tempo demoraria a conseguir uma "fotografia de OVNI" que tivesse pelo menos o mesmo padrão elevado de qualidade.


Achei que se fosse rápido o suficiente não precisava pendura-lo num ramo. Bastava atirar ao ar e fotografar. Quer-me parecer que o meu OVNI é mais fixe que o do Billy Meyer. Mas gostos são gostos não é? Não bate o modelo tampa de caixote do lixo (que está também na ligação anterior), mas acho que não envergonha ninguém num barbeque, cocktail informal ou assim.

Na foto:

Frisbiee Triboard, 2 euros, revestido a papel de alumínio para cozinha Auchan.