domingo, 1 de abril de 2012

1 de Abril

Neste dia é costume inventarem-se umas tretas para diversão e entretenimento.

Nunca consegui achar piada à coisa. Talvez se durante o resto do ano não houvesse um excedente de treta  ainda tivesse algum sentido. Mas assim...

É como haver o dia da !"#$ em que ninguém puxa o autoclismo. É formidável!

sábado, 31 de março de 2012

Processo contra blogger português que denuncia a homeopatia como sendo apenas agua.

Pois, mais tarde ou mais cedo havia de acontecer. Calhou ao Luis Grave Rodrigues do Random Precision. Sem mais argumentos restam os processos legais para silenciar as críticas. Não vejo outra maneira de interpretar o sucedido.

A homeopatia não tem princípios ativos nas suas preparações e como era de esperar não reúne provas da sua eficácia terapêutica. E nestes casos de avaliação sistemática e metódica isso significa que não funciona. Prova-se pela negativa.

Há quem diga que funciona por outra filosofia (que não a cientifica), mas a filosofia não é o que passa pela cabeça de cada um. Não é aquilo que acredita uma maioria e não é o que era bom que fosse verdade. Não ultrapassa a avaliação sistemática e metódica quando esta existe. Para o bem e para o mal, a filosofia é racional. E não suporta afirmações que não se distingam epistemologicamente da sua própria negação.

A ciência funciona. Se existe algo para além da ciência que funcione é preciso provar, nem que seja usando as ferramentas filosóficas de argumentação e lógica.

Espero que haja um mínimo de consciência acerca deste assunto e que o efeito streisand rebente como é esperado.

Ver mais aqui:
http://rprecision.blogspot.pt/2007/06/sem-indicaes-teraputicas-comprovadas.html (post que levou ao processo)

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Não é querer silenciar. É querer que seja discutido como tudo o resto. Sem previlégios.

Tendo lido as cartas trocadas entre Dawkins e Hutton e a maneira como essa discussão é retratada pelo prof. Alfredo Dinis num post intitulado "Debate com Dawkins", não posso deixar de mostrar o meu desagrado. As afirmações de Dawkins são distorcidas e re-escritas e se bem que o ideal seria que todos lessem as cartas que eles trocaram apresento aqui uma versão sumária dos equívocos criados pelo Prof. Alfredo Dinis.

O prof Alfredo Dinis diz: "A religião, no caso o Cristianismo, deve, segundo ele, permanecer no silêncio e no segredo do íntimo de cada um. " Mas não é isso que Dawkins defende.

Dawkins não pretende calar os crentes pela força e ele di-lo explicitamente (1). Tal como eu com este post não quero calar o prof. Alfredo Dinis. 

Ele quer convencê-los que Deus não existe (2) e que a religião não deve ter qualquer tipo de papel directo nos assuntos da nação(3) , da mesma maneira que o Prof. Alfredo Dinis quer convencer-nos a todos que Deus é amor. 

E quer convencer através da discussão. Discussão essa a que Dawkins mostra abertura ao comparecer nos debates promovidos pela Igreja. Se quisesse a Igreja calada o melhor era não lhe proporcionar dialogo. E verdade seja dita, a Igreja Anglicana também dever receber a sua parte de mérito por proporcionar estes debates, a nota de abertura neste caso é para os dois lados. Naturalmente que discordarão um do outro, mas quando se quer calar pela força não se entra em debate publico não censurado. 

Depois continua dizendo: "Não deixa de ser surpreendente que seja um não crente a dizer aos crentes de que modo devem viver a sua dimensão religiosa." Quando claramente essa não é a questão que está debatida. 

A questão não é aquilo que diz respeito a cada um exclusivamente na sua dimensão religiosa,  mas aquilo que vindo da religião diz respeito a todos, por estar relacionado com as regras, leis, padrões morais e etc de uma sociedade e um estado. A oposição ao casamento gay, do uso de preservativo, a participação previligiada na Câmara dos Lordes, etc, etc, etc, são exemplos. Não é nada surpreendente que um não crente (ou um crente noutra religião)  não queira aceitar algo para a sociedade em geral só porque se diz ser religião (pelo menos desde a idade média não devia ser surpreendente).

Não é nada surpreendente que o que se faz e o que se diz deva ser discutido em relação ao que é e não em relação à suposta origem religiosa. Considerar isso surpreendente é não compreender nem o secularismo, nem o ateísmo, nem a pluralidade de religioes (cuja melhor maneira de co-habitarem é o secularismo).

Depois o Alfredo Dinis diz assim: "Objectivamente, ele assume atitudes que critica nos Cristãos: a sua palavra é indiscutível, infalível.  Que eu saiba, nunca admitiu que em alguma coisa se tenha enganado, ou que as suas posições possam ser postas em dúvida. Os seus argumentos são para ele inatacáveis e quem os não aceita revela falta de inteligência e de objectividade. "

Quando isso é pouco importante. Eu também nunca vi o Prof Alfredo Dinis dizer que se enganou e pouca diferença me faz. Não é esse enganar - em alguma coisa -  que está em causa
. O que interessa é ver em que é que se apoia o Dawkins no quadro geral das coisas que se dizem e se acreditam. Em que pressupostos assenta o seu conhecimento. E se ele está disposto a rejeitar esses pressupostos se aparecerem evidencias em contrário. E ele explicitamente diz que está. É essa em grande parte até a origem do ateísmo. É rejeitar como conhecimento ou como pressupostos válidos aquelas coisas que não tenham uma justificação que as distinga da infinidade de coisas que nos possam passar pela cabeça. Não há uma fundação cognitiva numa fé. É essa a diferença. E é esse ponto que está em causa, não se o Dawkins se enganou nisto ou naquilo. O problema é que até agora não há fundamentos para justificar tanta fé e até haver não podemos dizer "há e tal enganei-me" só para sermos populares.

"As muitas obras de análise crítica das suas obras não lhe merecem mais que um sorriso de desdém. " Falso. Há muitos livros do Dawkins muito bem recebidos pela critica.

"Mas as críticas de Dawkins, como as dos ateus em geral, enfermam de muitas das falácias que constam de qualquer manual de teoria da argumentação." Como por exemplo? 


(1) Pode ler-se por exemplo: "Isso não significa que que as pessoas religiosas não possam defender a sua religião. Desde que não lhes sejam consedidos direitos especiais para o fazer (o que neste momento têm) claro que o devem fazer."
(2) Por exemplo: "Eu pessoalmente - e não a minha fundação - gostaria de persuadir as pessoas para o ateísmo. Mas não há nada de iliberal na persuasão. O que é iliberal e não é persuasão é impor a opinião."
(3) "(...) a minha fundação faz campanha pelo laicismo."

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Então, até à verdade...

A SIC está a dar uma nova comédia chamada: “Até à verdade.”

Deve ter este nome, porque, até à hora da verdade vamos ouvir uma data de disparates. Penso que será no último episódio em que nos dirão a todos que era uma brincadeira.

De qualquer modo não vale a pena perder tempo. Tem pouca graça já que parece que estão a fazer as coisas a sério. Só vi a apresentação e chega.

Vejamos. Logo na apresentação começa com o mito de que só usamos 10% do nosso cérebro e por conseguinte temos 90% que pode ser usado para outra coisa qualquer que lhes passe pela cabeça. Neste caso, a outra coisa qualquer que lhes passa pela cabeça são os testados e descredibilizados poderes mediúnicos para descobrir crimes.  

Se não houvesse muita gente a acreditar nesta mentira, até tinha graça por isto num canal publico para uma audiência geral. Mas muita gente não tem bases para saber um pouco do que se passa no cérebro e se bem que seja verdade que não usamos mais que 30 a 40% para tarefas corriqueiras e pontualmente, ao longo do tempo usamos o cérebro todo. 

Não faz sentido de qualquer modo, mesmo que fosse verdade a coisa dos 10%,  propor que há uns que só usam 10% do cérebro mas que outros, eleitos e especiais, conseguem usar os outros 90% para fazer coisas que só eles dominam. E que desaparecem quando submetidas a análise rigorosa e metódica. Teríamos de admitir uma de duas coisas, ou os 90% extra estão lá apenas para chatear, ou ainda não saberíamos para que  serviria. Partir para o apelo à ignorância é, bem... Uma falácia.

Também os apelos à autoridade logo no principio do programa são falaciosos. Ninguém conseguiu demonstrar o que eles alegam, não existem dados que suportem aquelas alegações, e não foi por ausência de testes. Logo não há campo de especialidade para se afirmarem como autoridade. 

A tentativa de passar algo como verdade só por que alguém pode acreditar que é verdade não tem graça. Qualquer um pode inventar qualquer treta e há sempre alguém disposto a acreditar. Mesmo se forem muitos - relembrando a falácia do apelo à  popularidade.  Coisas que possam ser justificadas por evidencias recorrendo a um mínimo de pressupostos é que é difícil. Mas talvez para mostrar o atraso na epistemologia básica da nação temos esta comédia...

Se os mediums fossem obrigados a pagar as despesas das coisas que mandam fazer sem resultados... Se calhar já não andavam por aí mandar postas na televisão. Acho que era começar a pedir justiça por aí. Ou provam de modo cientifico que são úteis, ou então... Isto de abusar da credibilidade, da tendência para a confirmação e de relembrar os resultados positivos tem de ter um preço.

Fazer as coisas encaixar à posteriori no que disseram, com re-interpretações das supostas imagens que têm  (e das afirmações vagas que produzem) não chega para justificar dinheiro e tempo perdido gastos em pistas erradas. 


Aqui estão alguns artigos para saber mais sobre este assunto:

http://news.bbc.co.uk/2/hi/uk_news/8369369.stm (artigo de divulgação que refere custos)

http://www.cicap.org/new/articolo.php?id=101006 (explicação do aparente sucesso)

https://www.ncjrs.gov/App/Publications/abstract.aspx?ID=56166 (científico, muito bom)

http://www.csicop.org/si/show/psychic_defective_sylvia_brownes_history_of_failure/(avaliação sistemática retrospectiva da medium Sylvia Brown)

http://peicurmudgeon.wordpress.com/2011/06/09/the-cost-of-psychics/ ("post" de blog, muito bom no conteúdo)

http://www.dailymail.co.uk/news/article-1225417/Police-spend-thousands-investigating-suicide-murder-psychics-claim-spoken-dead-mans-ghost.html

http://www.nytimes.com/1999/12/20/nyregion/dorothy-allison-74-psychic-detective-consulted-by-police.html (medium famosa em que o chefe que a usava diz que ela resolveu muitos casos - mas nenhum do que tentou publicamente, vá-se lá perceber...)

http://www.merseysideskeptics.org.uk/2009/11/the-real-cost-of-psychic-tipsters/(nota acertadamente que atrasam a investigação para além dos custos económicos).

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Bandeiras Vermelhas, pela sua saúde.

Tenho escrito sobre estes assuntos há um tempo e encontrei esta colectânea aqui: