Cepticismo, naturalismo e divulgação científica. Uma discussão sobre o que é ou não matéria de facto.
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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
Auto-organização.
Hoje sabemos que a entropia é melhor compreendida como um noção estatística, de uma tendência. Num sistema que caminha para o seu fim entrópico, como previsto por estas leis, podem haver focos pontuais de organização. Se houver uma quantidade enorme de energia livre a desequilibrar o sistema. Formam-se as chamadas estruturas dissipativas, que por assim dizer "dissipam" o excesso de energia sob a forma bizarra (no contexto universal) de organização.
Adicionalmente, descobriu-se também que este fenómeno está-se sempre a dar a um nível molecular. Em milhares de moleculazinhas num determinado sistema, lá vão estar algumas (uma muito pequena minoria) que estão no sentido oposto ao da entropia. A energia não é distribuída perfeitamente e alguns focos de dissipação pontuais lá aparecem. É uma das razões pelas quais o campo da nanotecnologia pode ser tão importante. As nanocoisas podem ter propriedades que pela sua "improbabilidade nos grandes numeros" não aparecem em coisas grandes. E isto sem entrar em fenómenos quânticos mais hard-core.
Mas o primeiro fenómeno de auto-organisação bem explicado, é na realidade um dos ainda mais fascinates de estudar, o da própria evolução da vida. O assunto não é fácil e muitos ainda hoje negam a possibilidade de existir algo como a auto-organização, nomeadamente os adeptos de algumas crenças religiosas milenares.
Mas a vida conta com uma fonte de energia formidável à escala planetária que permite a sua evolução na Terra. É o Sol. E o que me motivou escrever este post foi uma experiência que encontrei há uns dias que ilustra o fenómeno de uma maneira muito simples e eficaz.
Ai está o vídeo:
http://vimeo.com/58651167#
Quando a luz acende as moléculas começam a organizar-se, quando apaga, a falta de energia não o permite e começam a dispersar entropicamente. A explicação é a dada no texto acima.
Via Ars Technica, aqui.
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
Estruturas dissipativas II - Sistemas cognitivos que evoluiem e os outros.
A teoria dos memes, vem da analogia que há entre como as ideias se propagam e evoluem e a forma como o fazem as nossas características fenotípicas. O gene e o meme são as unidades básicas e funcionais de cada um dos processos.
Acerca do "post" de ontem (1) , sobre auto-organização, não pude deixar de reparar o seguinte:
As estruturas dissipativas só surgem em sistemas abertos, com uma fonte de energia externa, em sistemas longe do ponto de equilíbrio.
E agora vou especular um bocadinho:
E se a entrada de energia é a questão crítica para um sistema físico evoluir contra a entropia, tendo portanto de ser aberto, então a entrada de informação será o factor crítico para um sistema cognitivo evoluir também. Sistemas cognitivos só evoluem se forem abertos. Se entrar constantemente informação. Sistemas cognitivos fechados onde a informação não entra não evoluem. Tornam-se dogmáticos e mantém-se estáveis e imutáveis ao longo do tempo. Como por exemplo o criacionismo.
A ciência não. A sua natureza empírica e o seu naturalismo metódico obrigam a procurar extrair toda a informação que se conseguir do mundo físico. Foi isso um dos factores mais importantes que a terá permitido evoluir. Isso, e a abertura à critica.
Por isso refutações, sugestões e ideias são bem vindas. Há espaço embaixo para isso.
(1) http://cronicadaciencia.blogspot.com/2009/08/estruturas-dissipativas.html
domingo, 2 de agosto de 2009
Estruturas dissipativas.
O que Prigogine descobriu é que em determinadas condições - sistemas abertos longe do ponto de equilibrio - se podem formar estas estruturas dissipativas (de entropia) e enquadrar focos de auto-organização. Uma estrutura dissipativa captura energia e exibe ordem.
Ele notou que apenas sistemas abertos evoluiem, os fechados não. Apontou como exemplos os fenomenos de cristalização, e da formação de furacões. Pode parecer estranho mas aquela coisa a andar à roda e a mover-se pela superficie do planeta é uma estrutura mais organisada que as moléculas de ar a baterem uma contra as outras desordenadamente.
Sistemas abertos são aqueles que trocam energia ou matéria com o meio exterior. Como na Terra, a entrada constante de energia solar. A entropia no Sol aumenta brutalmente, mas na Terra, não. No entanto se se considerar o Sol e a Terra como o mesmo sistema, já temos um sistema em que a entropia aumenta. Conclusão obvia é que não vai durar para sempre.
Prigogine conciliou deste modo a Teoria da Evolução com as Leis da Termodinâmica.