domingo, 12 de setembro de 2010

Até onde se pode ir para defender uma treta?

Aparentemente até a revistas com peer review como a Plos. Mesmo com um estudo sobre a plausibilidade da acupunctura laser, que não é nem sobre acupunctura, nem sobre  a plausibilidade do tratamento.

Acupunctura laser não é acupunctura, é apontar  laseres para a pele. A não ser que apesar de nem haver tecnologias para fazer agulhas finas, já houvesse para fazer lasers, na china e à milénios atrás (quando eles se vangloriam num "ad antiquitatem" típico de que a acupunctura é... velha). E depois, que o cérebro mostre sinais de receber essa descarga de fotões também não devia ser de estranhar.

Mas parece que isto é um estudo bom o suficiente.  Mesmo se nada se pode concluir com este desenho de estudo sobre a plausibilidade do tratamento.

Podia ser com cuspo, assobios, qualquer coisa que causasse uma resposta cerebral. Afinal é no cérebro que  os sentidos ganham sentido. Mas talvez os acupunctores não saibam disto. Apesar de saberem usar laseres.

Não é a primeira vez que a acupunctura infecta a literatura científica com  peer-review, nem será a ultima, mas estas coisas fazem-me o estômago andar à volta (mais um efeito da acupunctura? Imagino que era a conclusão que estes tipos tiravam se lessem isto).

Eu estou aonde a evidencia me levar. Mas há aqui duas coisas que não batem certo. Uma é a debilidade do desenho dos estudos aceites destas medicinas alternativas. Parece que começa a haver dois pesos e duas medidas tal como faz a população em geral: "Ah e tal, funciona com energias místicas, temos de tolerar tudo. E além disso é (suspense)  -tratamento holístico - ". Outra é a reciclagem das medicinas alternativas, neste caso a acupunctura, tal qual criacionismo mascarado de Desígnio Inteligente.

Já vi de tudo. Quando a acupunctura funciona pior que o controle (em que as agulhas não são espetadas) conclui-se que não é preciso espetar as agulhas para funcionar (o standard cientifico é que se não ultrapassa o controle/ placebo é ineficaz). Depois era a electroacupunctura, que também esta provado faz qualquer coisa. Duh!!!! São choques eléctricos, qual electroacupunctura. Claro que faz qualquer coisa. Faz muita coisa. E até pode ser bem usada. Chama-se electroestimulação e estava cá antes de ligarem as agulhas à corrente e lhe chamarem tratamento holístico. E ainda tenho aí outro post antigo onde mostravam como se podia juntar a acupunctura para ajudar o tratamento com opiáceos. (ver nas etiquetas - acupunctura).

Deixem-se de tretas para vender uma pratica disfuncional, fantasiosa e que devia ser uma relíquia do passado!

Agora é acumpuntura laser. Que faz qualquer coisa no cérebro. Pois faz. E se assobiares ou cuspires também. Vão-lhe chamar cuspacupunctura e sobiocupunctura?

Haja pachorra.

Descobri o dito estudo através do blog do Orac aqui:



E já agora aqui outro link para o debunk de outro estudo publicado numa boa revista:

http://www.sciencebasedmedicine.org/?p=6485

Isto de facto é preocupante. Há a invasão do meio científico com um sistema de crenças que não é plausível, não se encaixa com mais nada e esta a abrir caminho como um mantra, pela repetição das coisas e por apelos à popularidade, e não com estudos bem desenhados e com rigor cientifico.

Como disse, se se provar que a acupunctura é mais que placebo, eu passo a defender a sua prática. Estou onde leva a evidência. Mas não é isso que está a acontecer.




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