Cepticismo, naturalismo e divulgação científica. Uma discussão sobre o que é ou não matéria de facto.
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sábado, 6 de junho de 2009
Sociedade da Terra Plana. No coments.
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March 05, 2007, 01:19:19 PM
Daniel
Administrator
Posts: 460
Flat Earth FAQ - Read This!
Many thanks to joffenz for his hard work on this FAQ..Last update on 21/4/2009 by Jack.Welcome to the Flat Earth Society!Thanks for taking the time to go through this FAQ. It was created in light of the realization that for someone with a "round-Earth" (RE) background, the FE theory would appear at first glance to have some glaring holes.Recently we have had many new members joining us and asking the same questions about these holes, so joffenz decided to make a FAQ. While the original version was mostly complete, it's a work-in-progress, and we occasionally do make corrections based on inconsistencies that are raised.I'm just making a sticky out of it so that no one will have an excuse for starting a thread about a topic that's already been discussed and debated to death. It will be updated as necessary.DisclaimerThe opinions and beliefs expressed in any posts do not necessarily reflect the beliefs of The Flat Earth Society Forums.The Flat Earth Society Forums' goal is to promote the free discussion of The Flat Earth Theory as well as the free discussion of and debate of any topic of interest to our members that do not contradict Forum Rules. The views of any individual or organization (including that of the old Flat Earth Society run by Charles K Johnson) are not necessarily shared in whole
sexta-feira, 5 de junho de 2009
Medicinas Alternativas a votos dia 7 (bem, pelo menos no meio de outras coisas)
Mas nas próximas eleições de dia 7, existem 2 partidos que me parece querem fazer avançar o "envelope" das medicinas alternativas. Na direcção errada.
Talvez eu tenha percebido mal, mas penso que não. O MPT diz assim:
«Reconhecer as instituições nacionais e estrangeiras com idoneidade para ministrar formação no âmbito das medicinas não-convencionais, bem como os títulos necessários ao exercício profissional».
Acho que esta posição é anti-ciência. Tratam-se de pseudociências a serem equiparadas a ciências.
A duvida é maior na frase do BE, exactamente o que eles querem dizer?
É assim o extracto de texto:
"um debate em torno das medicinas ditas tradicionais ou alternativas, tantas vezes omitidas e ocultadas, e abrindo espaço para a sua implementação e complementaridade"
Debate acho que sim. Separar a ciência da pseudociência, sim. Mas abrir "espaço para a sua implementação e complementaridade"?
Acho que isto quer dizer que o BE propõe implementar as medicinas alternativas e complementares como se fossem alternativas e complementares de facto. Mas os dados obtidos experimentalmente não suportam que isso seja verdade, excepto eventualmente em alguns casos muito específicos. E em termos de plausibilidade à priori ainda menos.
Não estou aqui agora a propor legislar contra. Mas deixo a questão se devemos legislar a favor e se não é esse o sentido da frase.
Nota:
As citações são de fonte secundária, vêm do já muitas vezes aqui citado blogue "Que treta", do Prof. Ludwig Krippahl. Aparentemente estamos em desacordo com o sentido literal da frase. (1)
(1)https://www.blogger.com/comment.g?blogID=29251019&postID=6598913946874855609
Leitura adicional sugerida:
http://cronicadaciencia.blogspot.com/2009/06/medicinas-alternativas-lei-e-o.html
ou
http://cronicadaciencia.blogspot.com/2008/10/medicinas-alternativas-e-as-outras-uma.html
quinta-feira, 4 de junho de 2009
Liberdade de crítica na ciência.
Simon Singh anunciou hoje que vai recorrer da decisão do Juiz. Eu fico muito satisfeito com este anúncio. Espero que o mal seja corrigido e que a crítica científica fique fora do ambito da difamação.
Para mim ( e não só) estão simultaneamente em jogo a liberdade de expressão e o processo normal de progresso do conhecimento por debate e discussão. Vivemos numa "aldeia global", desculpem o cliché, e o que se passa lá fora, influencia cá dentro. Por isso, mesmo que isto se esteja a passar em Inglaterra, penso que nos afecta a todos. Todos os que acreditamos e dependemos da ciência. E pela ultima vez que vi, era uma data de gente.
Nos estados unidos a blogosfera está tão inflamada como em Inglaterra. Simon Singh confessou que o processo o tem desgastado imenso e se não fosse pelo apoio que recebeu não teria agora escolhido continuar.
Quem tiver interessado em saber mais deixo aqui o link para o post do Phil Plait do excelente Bad Astronomy e do site Sense About Science, na pagina do "registo para manter os processos de difamação fora da ciencia".
http://blogs.discovermagazine.com/badastronomy/
http://www.senseaboutscience.org.uk/index.php/site/project/333/
Escrevi sobre o processo legal aqui:
http://cronicadaciencia.blogspot.com/2009/05/nao-denunciem-ou-nos-processamos.html
e sobre quiropratica aqui:
http://cronicadaciencia.blogspot.com/2009/05/quiropratica.html
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Medicinas Alternativas, a Lei e o Relativismo.
Não confundir relativismo com relatividade. Na relatividade as leis são as mesmas, as medições pontuais é que são diferentes. Na relatividade vivemos todos no mesmo universo, no relativismo ((na forma que eu estou a criticar) cada um vive no seu. Idem aspas para os fenómenos quânticos que dependem do acto de observar. Quem ainda não sabe o que é o Gato de Schrodinger, xô, vá descobrir. E depois volte.
A Ciência, como se pode adivinhar, é maioritariamente, largamente, e essencialmente anti-relativista. Exceptuando, li algures, algumas franjas intelectuais menos brilhantes na sociologia e psicologia que insistem que a realidade varia com a nossa cultura.
Este tema foi um dos assuntos quentes das chamadas "Guerras das Ciências" que opôs as ciencias "duras", como a física, a matemática, a química, às "moles" como a psicologia e a sociologia. Como o bom senso ganhou, a selecção natural tratou de cortar as ideias mais inadaptadas e o debate é cada vez mais pequeno. Especificamente a psicologia está uma ciência cada vez mais objectiva, nomeadamente com a integração com a neurologia, e é uma ciência de pleno direito. Chamei-lhes "moles" não por escárnio mas por comparação com o termo "software" dos computadores. E depois porque nós somos moles. Não era a sério.
Surpreende então que ao ir ver o que diz a lei que regula a actividade das medicinas alternativas tenha encontrado o seguinte (1):
"Consideram-se terapêuticas não convencionais aquelas que partem de uma base filosófica diferente da medicina convencional e aplicam processos específicos de diagnóstico e terapêuticas próprias. "
O que é que isto quer dizer? Que temos doenças diferentes de acordo com a nossa filosofia? Que a tuberculose só é causada por uma bactéria em quem acredita na biologia? São afectadas pela nossa cultura? Não temos cancro se não acreditarmos nele ou for contra a nossa religião(2)?
Ou diz que apesar de termos as mesmas doenças podemos concluir que o diagnóstico pode ser feito de acordo com a nosso filosofia? O que pressupõe que haja vários processos de diagnóstico que apesar de terem filosofias diferentes dão o mesmo resultado. Mas em que universo? Os miasmas, os chis, e xis são tudo coisas diferentes e mais diferente ainda é espetar agulhas, dar agua quase pura ou fazer festinhas. Onde está a intersecção? E com a ciência moderna, que integração tem? Outra vez a mesma questão: De acordo com a nossa crença muda a doença? E se o diagnóstico é diferente em que raio se baseia o tratamento? Que consistência há nisto?
Quem quiser seguir o link, vai ver que até 2005 devia ter sido feita uma avaliação científica das medicinas alternativas. Não sei onde foi publicado esse resultado. Mas à partida, não há nada de científico sequer na lei. Ela pressupoe uma forma bastante forte de relativismo. Chamem o Dawkins!
A visão da ciência acerca das medicinas alternativas e complementares, é que tem de se submeter ao "reality check" e testar em testes controlados, randomizados e duplamente cegos (3) se são eficazes ou não. Para já encontrou-se pouca coisa que possa ser aproveitada (4), apesar dos proponentes destas pseudociências terem invadido as universidades e se estar a gastar rios de dinheiro a testar as coisas mais incríveis.
A plausibilidade destas pseudociências, com explicações mirabolantes acerca da fisiologia e patologia é muito baixa. Isso não é suficiente para descartar o seu estudo, mas devia ser suficiente para instilar alguma cautela na sua abordagem.
Regular a sua actividade legalmente sem evidências e sem plausibilidade é um exagero. Porque de facto, só num universo relativista em que cada um tem a sua realidade ou no seu universo próprio é que é possivel que elas sejam verdadeiras terapias, mas francamente, hipóteses de isso ser verdade estão fortemente exageradas! Não neste universo.
Leitura sugerida:
http://cronicadaciencia.blogspot.com/2008/10/medicinas-alternativas-e-as-outras-uma.html
(1)Lei nº 45/2003 : http://www.infarmed.pt/portal/page/portal/INFARMED/LEGISLACAO/LEGISLACAO_FARMACEUTICA_COMPILADA/TITULO_I/lei_45-2003.pdf
(2) a história de um rapaz que não admite ter cancro porque a sua religião diz que não existe, ver aqui: http://www.theness.com/neurologicablog/?p=537
(3)http://cronicadaciencia.blogspot.com/2008/10/medicinas-alternativas-e-as-outras-uma.html
(4)http://www.sciencebasedmedicine.org/?p=195
Mais sobre o relativismo e as medicinas alternativas:
http://www.quackwatch.com/01QuackeryRelatedTopics/altbraid.html
Desígnio Inteligente e o cunho pessoal.
Um dos argumentos centrais, sobretudo no DI, e que lhe dá o nome é de que se tem aspecto de que serve para alguma coisa, é porque tem um criador inteligente. Mais dizem, que se pode perceber logo ao olhar, que como é muito funcional, tem de ter um criador esperto.
Dão como exemplos, repetidas vezes, artefactos que se possam encontrar - de arqueologia - em que se topa logo que tem um criador inteligente e que não se confundem com uma pedra (ou outra coisa que pode ter um criador mais burro). Que espanto. Mas embora as pedras até sirvam para alguma coisa, estamos a falar de coisas mais complexas, como por exemplo um vaso. Mas também ninguém vai começar logo a dizer que foi Deus que terá feito estes artefactos, (se bem que sempre me impressionou a perfeição daquelas laminas de sílex lascado) ou confundir um pergaminho de Nag Hammadi com fosseis de vegetais.
A questão aqui, é que à semelhança de uma ilusão de óptica, estes pseudocientistas procuram abusar de um ilusão cognitiva, a primeira de uma série delas. Passo a explicar:
O cérebro humano, para aumentar a velocidade como reconhece coisas, funciona à base de identificação de padrões e compartimentalização de conhecimento. Desde um nível muito baixo, como por exemplo, na reconstrução dentro do cérebro de uma imagem captada pelo olho (Googlem ilusões de óptica para ver consequências disto) até um nível mais elevado do processamento cognitivo e intelectual. Identificar e reconhecer uma rã leva apenas instantes para a maioria de nós, porque a encaixamos imediatamente no local certo. Não precisamos de estar de cada vez a seguir um algoritmo exaustivo como se fossemos taxonomistas virtuosos. O padrão é reconhecido e depois, até mais facilmente podemos buscar o resto da informação (tipo é vertebrado, sofre metamorfoses, etc).
É claro que por um conjunto de razões temos facilidade em reconhecer artefactos humanos ou obras de arte mal olhamos para elas. Mas não é por terem um criador inteligente. O que nós reconhecemos mesmo são os padrões que utilizamos para construir coisas. Podemos muitas vezes, instantaneamente, dizer imediatamente do que se trata e até onde foi feito (ex: calculadora digital, relógio, feito na china).
Agora, chegando a esta fase, os criacionistas pedem que o único critério e padrão que nós usemos seja o da complexidade e utilidade, para juntar uma série de outras coisas àquelas que têm origem humana. Por tudo na mesma gaveta sobre o rotulo "Criação Inteligente".
Depois, como não vão dizer, "estão a ver, os dentes servem para trincar, logo foram feitos pelo homem", tem de dizer que foram feitos por outro criador inteligente e que mais esse criador tem de ter tido intencionalidade - é essa a característica que eles querem confundir com a percepção de complexidade e utilidade. Mas, se prestarmos atenção, a ilusão é desfeita ao debruçarmo-nos sobre a questão:
Mas não há outra maneira pela qual estas estruturas, (seres vivos) se possam ter surgido?
Eles querem que isto, o argumento DI, seja um pressuposto, para depois terem de concluir que foram aliens que criaram os animais, perdão que foi Deus. Mas é ao contrário. Só podemos concluir que é obrigatório ter origem inteligente e intencional senão houver uma explicação melhor. Porque pelas caracteristicas sabemos que não foi o homem e precisamos de colocar uma entidade extraordinária no processo, que sendo intestável (sim, a hipótese Deus é intestável) tem de ser postulada, não só a sua existência, mas também o seu papel de criador. Violando o principio de Occam.
Adicionalmente, existe uma muito boa explicação para o surgimento de formas de vida tão bonitas e incríveis. Chama-se modelo evolutivo, ou síntese evolutiva moderna.
Por mais que lutem os fixistas de várias religiões, as confirmações da evolução vêm por várias linhas de confirmação diferentes e são consistentes e convergentes. Como eles têm vindo a demonstrar, é preciso andar a escolher a dedo entre o que é ciência e o que não é para dizerem que são amigos da ciência (se calhar só para poderem continuar a jogar computador) e que a evolução não é ciencia. Que é mito materialista. Treta.
Agora a parte mais curiosa.:
A selecção natural poderá ser em si considerada um processo inteligente (mas não consciente, característica que lhe falta para que a comecemos a venerar). Matematicamente a ideia tem sido explorada na informática em programação de algoritmos genéticos.
Mas mais interessante ainda é existirem suspeitas de que o funcionamento do nosso cérebro, mais concretamente a inteligência seja muito semelhante à evolução. Perante um desafio, novas sinapses se formam em grande numero e depois só ficam as que servem para um circuito neuronal funcional. Conseguem ver a analogia com mutação (criação de diversidade) e selecção natural (synapses inadequadas ou não utilizadas perdem-se)?
Também aqui a natureza se repete. A evolução deu origem à inteligencia que não é mais que um processo evolutivo mais sofisticado (um pouco de antropocentrismo faz bem ao ego). Sim, porque em toda a sua diversidade, a Natureza repete-se. E o mundo vivo ainda mais. Essas semelhanças permitiram construir uma árvore da vida que sugeriu a evolução a Darwin. Os fixistas dizem que isso é antes prova de que existe um Criador comum.
No outro post de anteontem chamei a isto o argumento da falta de imaginação do criador". Eu não estou de acordo, volto a dizer que eles é que argumentam nesse sentido. Mas estive a pensar no assunto. Sendo a evolução um processo criativo e não me parecendo que tenha pouca imaginação, apesar de se repetir, (e uma vez que já vimos é análogo ao processo de inteligência), acho que era mais sensato, e depois de tudo o que sabemos apontar para algo como uma marca de artista ou cunho pessoal do artista. Se a evolução tivesse consciência, o que não tem.
Mas tem definitivamente um padrão que podemos identificar num instante. Os artistas chamam orgânico a esse aspecto, e vêm-no na arquitectura, escultura, etc... A evolução explica o aspecto orgânico e repetitivo através da ascendência comum a viver num mundo comum a adaptar-se progressivamente. Eles explicam-no através do Criador comum.
Porque os fixistas insistem que o criador, omnisciente e omnipresente tinha um cunho artístico pessoal, ultrapassa-me.
A não ser que ele tenha criado o mundo biológico... Evolutivamente!
Mas depois desta conversa toda, e para ser sério, tenho de sublinhar o que interessa. O argumento de designio inteligente tem de ser provado e não servir como prova. É tudo.
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(1) materialismo já não é obviamente dizer que a matéria é tudo o que existe, mas antes que o universo pode ser estudado através de efeitos mensurados na matéria. Se não acontece, não existe. Se existe, é preciso procurar onde causa efeitos. Para saber mais perguntem a um filosofo.
terça-feira, 2 de junho de 2009
Wishfull Thinking and all Spooky Action at a Distance
A confusão entre factos e opinião é muito frequente. E na lógica perversa daí resultante, desenvolver argumentos usando a liberdade de opinião como se fosse estensivel a liberdade de factos, também é comum. É a segunda vez que escrevo sobre este assunto (1), mas ontem e hoje deparei-me novamente com este tipo de argumentação em comentários na blogosfera e teve de ser.
Não percebo ainda como algumas pessoas parecem julgar que aquilo em que acreditam tem algum efeito na realidade. O facto de nós acreditarmos numa coisa, ou a desejarmos muito, não altera directamente o universo que nos rodeia.
Claro que não me estou a referir a algo como acreditarmos que estamos saudáveis e isso nos fazer sentir melhor. E o efeito placebo é um facto. Mas esse efeito é medivel, objectivo e caracterizavel, e faz parte da descrição cientifica médica. Não tem nada de novo. O cerebro está ligado directamente a todos os orgãos via fibras nervosas, mas a acção sobre o universo é através do movimento de musculos. Nem que seja para dar ordens. "Spooky action at a distance" fica apenas reservada para particulas sub-atomicas (2).
Colocar as nossas crenças acima daquilo que muitos homens, em esforços unidos, conseguiram apurar, trabalhando da maneira mais rigorosa e honesta que lhes foi possivel, e discutindo aberta e intensamente os assuntos durante mais anos do que os que existem num unico tempo de vida, é um exagero. Na melhor das hipoteses, é um exagero.
Opiniões são opiniões, factos são factos. Crenças não são ciência e o universo está-se nas tintas para elas. E infelizmente, o que nós desejamos que seja real, só pelo facto de desejar, não se torna um facto. O universo é assim, mas não digam que culpa é minha ou de alguém. Só quero distinguir entre tentar conhecê-lo e acreditar que as coisas são de uma maneira ou de outra ultrapassando um estudo rigoroso.
(2)http://en.wikipedia.org/wiki/Action_at_a_distance_(physics)
(1)http://cronicadaciencia.blogspot.com/2008/11/opinies-so-opinies-factos-so-factos.html