quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Temos mas não mostramos.

Acabei de ver o Pedro Choy na televisão (1) a dizer que os chineses têm imensos estudos de qualidade a mostrar a eficácia da acupunctura e que não os divulgam cá para fora porque não querem saber de nós.

Esta afirmação, caso o Pedro Choy não repare, não adianta nada. Porque ela própria, para se levar a sério, precisa de uma justificação forte. A justificação acrescentada é que eles são 1/3 da população da terra e não precisam de nós para nada.

Tudo bem, mas isso não justifica a eficácia da acupunctura. Muito menos justifica a enorme falta de eficacia encontrada na acupunctura nos teste realizados no ocidente.

Essa do tenho mas não mostro é uma coisa que já não via desde criança. Mas a maior parte de nós percebeu logo que podia responder na mesma moeda e eliminar esse tipo de justificação. Podia-se dizer neste caso: "e eu tenho provas de que esses estudos são uma fraude mas só as mostro quando me os mostrarem ".

No estado em que os testes cegos, controlados e aleatórios conhecidos deixaram a acupunctura, alegar que os testes bons estão todos na china e de lá não saiem é... Apenas pedir para acreditarem que nós é que sabemos porque sim.

Na minha opinião, a China até quer saber de nós, não vive fechada nas suas fronteiras e pura e simplesmente os estudos que apresenta são irreprodutíveis na presença de cépticos metódicos, que é o que lhes vai calhar na sopa se começarem a tentar publicar isso em revistas de prestigio pelo mundo fora.

Depois ainda fez um apelo à autoridade. Que a O.M.S. recomenda a acupunctura. Pois é, mas a O.M.S. também faz asneiras e nunca um apelo à autoridade é melhor que uma prova empírica metódica. Senão voltamos ao Aristotelismo e não se faz nada.

Agora vou brincar com o meu unicórnio azul, único no mundo e que não mostro a ninguém porque o quero só para mim.

(1) Na RTP2 com o Prof. Vaz Carneiro que esteve muito bem pelo que vi. Não sei o nome, eu só assisti um bocadinho e foram logo estas prendas.
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