quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Sociedades orientadas para o longo prazo.

Geert Hofstede é um dos sociólogos mais citados da atualidade.

Hofstede criou um modelo cultural com 6 dimensões (*) que permite assim fazer comparações e explicar variações entre culturas.

Uma dessas dimensões é a orientação para o curto prazo ou o longo prazo.

As culturas que estão mais orientadas para o curto prazo são aquelas que em que se alimentam valores tradicionais, empolgam-se questões de honra e "salvar a face", alimentam virtudes como "orgulho nacional" e se procuram preencher as obrigações sociais. As de longo prazo valorizam uma perspectiva pragmática, orientada para resultados futuros, pondo enfase em poupar e ter capacidade de adaptação a ambientes em mudança.

Outra dessas dimensões é o eixo  Indulgencia - Contenção.

Indulgencia refere-se à tendencia para preferir resultados do presente por recompensas melhores no futuro. E contenção ("restraint") à capacidade e tendencia de adiar a gratificação e de regular este aspecto com normas estritas.

Ambas estas dimensões estão intimamente ligadas à capacidade de auto-controlo. E aparecem fortemente correlacionadas pelos países fora. Culturas tendencialmente de longo-prazo são culturas também mais contidas. Com maior auto-controlo na sua população.

Mas não é só isto. As culturas viradas para a contenção numa dimensão e longo prazo na outra, são culturas onde a taxa de homicídios é menor.

Isto é previsto por  uma outra teoria descrita por Elias em "O Processo Civilizacional",  que prevê que o auto-controlo seja responsável pela inibição da violência e o seu decréscimo.

É caso para dizer que estas culturas de índole violenta, apegadas a valores tradicionais e questões de honra  que precisam é de controlar melhor os seus impulsos.

E que manifestações pacificas são de facto um motivo de orgulho para os povos que as praticam. Quer dizer que têm outras qualidades bem amadurecidas.


* estou a par que a Wikipédia fala em 5. Mas Hofstede acrescentou uma nova recentemente.

Via Stephen Pinker in "The Better Angels of Our Nature", o livro.

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