segunda-feira, 11 de abril de 2011

Aloe Vera causa cancro em ratos.

Um estudo feito pelo programa nacional de toxicologia nos Estudos Unidos concluiu que o estrato de Aloé causou tumores em ratos, quando administrado por via oral.

Quando fiz o meu post sobre o Aloe vera (ver etiquetas) considerei que havia boas razões para investigar mais o assunto. Ainda considero, mas neste momento o mais importante é haver confirmação independente destes achados. Depois descobrir se há uma dose segura ou se se pode isolar o agente cancerisno.  Por outro lado, não havendo para já razões para duvidar do valor deste estudo, e sem saber muito mais, qualquer efeito terapêutico que haja para que valha a pena correr este risco tem de ser bastante compensador. Isto é, tratar algo grave para o qual não haja muitas opções terapêuticas.

Acresce portanto ao problema de que não está bem estabelecido qualquer efeito terapeutico que possa haver para o aloé vera. Também ainda não está definido qual o principio activo que causa neoplasia, e até lá, se calhar isto devia ficar longe dos produtos que consumimos diariamente.

O Aloé vera é a origem de substratos adicionados a todo o tipo de produtos, bastante dispersos pelo mercado e não é dificil criar um contacto prolongado com os principios activos que nele se encontram.

Por isso, mesmo que os problemas graves tenham aparecido com doses altas e no estudo de longo prazo ( 2 anos) , e mesmo que tenha sido apenas no rato e não no ratinho ( o rato de laboratório), O estudo é pertinente.

Além disso, os ratos são considerados um modelo melhor para o intestino do homem. E mesmo nos ratinhos houve alterações que podem evoluir para neoplasia.


Isto não põe em causa os resultados positivos já encontrados para os efeitos terapêuticos, no sentido em que até podem ser verdadeiros, (haja confirmação independente que como disse noutro post ainda falta - não está nada bem estabelecido). São questões diferentes mas algumas vezes confundidas.São estudos diferentes para concluir coisas diferentes.

É uma questão de segurança vs eficácia:

Um príncipio activo  pode fazer bem a umas coisas e muito mal a outras. Na realidade é este equilibrio que temos de avaliar quase sempre (se não mesmo sempre, sem excepção). O que se passa agora é que não sabemos avaliar isso. De um lado temos eficacia mal comprovada e do outro tóxicidade provada mas não quantificada.

Naturalmente que põe em causa a alegação comum de se usar o produto para tratar tudo e mais alguma coisa, sobretudo se forem pequeninas coisas (feridas, queimaduras, etc) e o uso tipo  "suplemento para dar sorte".
 

Pode ainda acontecer que possamos isolar a molécula que causa os tumores (um extracto é um saco de gatos) ou descobrir que só é perigoso muitas vezes acima de uma eventual dose terapêutica. Mas estamos longe de saber o suficiente para fazer uma coisa ou outra. Nessa altura fará sentido usar o dito cacto.

No meio de tanta dúvida, mas com o pouco que se sabe de certeza, acho que faço um voto no príncipio precaucionário.

Nota: os produtos ditos naturais não passam pelos mesmo estudos obrigatórios do resto da farmacologia. Existe a crença generalizada que se é natural não faz mal, mas isso é obviamente uma grande treta.

Via New Scientist:  http://www.newscientist.com/article/dn20365-aloe-vera-extract-gave-rats-tumours.html

O estudo em Pdf aqui: http://ntp.niehs.nih.gov/NTP/About_NTP/TRPanel/2011/April/DraftTR577.pdf

Update: O post foi editado para re-escrever alguns paragrafos com o fim de passar melhor a mensagem que eu considero pertinente.
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