domingo, 28 de março de 2010

Acerca das lacunas e explicações "ad-hoc"

Entretido a pensar sobre a questão dos "níveis de realidade", tal como são propostos na Carta da Transdisciplinariedade assinada na Arrábida por Lima de Freitas e Basarab Nicolesco entre outros, vim a verificar outra coisa importante que também é comum com outras pseudociências.

Se procuramos criar buracos para abrir a realidade a explicações ad-hoc, intencionalmente ou não, por esses buracos vão passar uma data de outras coisas que certamente não estavam previstas aquando do postulado que criou esse buraco.

Se criamos buracos para passar uma explicação a gosto, então vamos abrir um buraco por onde caibam uma quantidade incrível outras coisas. Como os criacionistas de resto têm demonstrado
ao propor uma tecnologia superior à contemporânea à cerca de 7000 anos atrás ou genuínos dragões contra os quais humanos lutaram (ver o blogue do Marcus Sabino a este respeito. Eles acreditam tanto nas lacunas que criam que não se importam em muitos casos de chamar a atenção para que espécie de coisas que por lá passam - ou precisam para tapar outros buracos que abriram sem querer.

Quanto maior a lacuna, mais tretas por lá vão passar. Tretas que depois iniciam uma espiral de inconsistências que requer uma verdadeira cegueira intelectual para não ver. Se o buraco é gigantesco, e a metáfora do tamanho do buraco é ironicamente funcional, a treta é gigantesca. Se criamos um buraco para passar algo maior que o universo, a treta que passa nesse buraco é apenas limitada pela nossa capacidade de fantasiar.

Por poucas palavras, criar lacunas por onde passem Deuses omnipotentes, omnipotentes, omnipresentes e etc, dá lugar não a lacunas mas a majestosos buracos por onde passam todas as coisas mais pequenas que deuses - e sem o mínimo de dificuldade.

A minha crença de que os teólogos do momento não estejam a par do problema é forte. Isto tem-lhes sido atirado à cara quer em metáforas cómicas, quer em explicações sérias.

O facto de preferirem ignorar o problema de abrir para Deus dar abertura para todas as tretas, remetendo isso para que "tal é a vontade deus "( ou isso não é verdade porque deus não quer), diz muito sobre a questão. Não tem solução lógica.

E a saída é a fuga para a frente. Cá vai de atacar o Naturalismo e defender que há consistência num tal sistema lógico. Não há. Por muito completo que seja, porque em potencia explica tudo dizendo que é milagre não permite depois discernir a verdade ao nível mais básico.

Que é propor a um ser consciente que quando a fantasia e a realidade se podem confundir, um meio de resolver o dilema. E não me refiro apenas a deuses. Porque pelo buraco de onde passa um Deus passa tudo. Duendes, fadas, Reikis, etc.

Porque a fantasia, o palpite ou mesmo a "fezada" ficam indistintos da realidade do ponto de vista de validação do que é real. Considerando que uma coisa que é real porque existe na nossa mente, não é necessariamente real fora da nossa mente. Como o Elefante cor-de-rosa que neste momento estou a pensar.

Depois fica o apelo à credulidade para justificar. Porque a nossa é que é a real. E nós é que somos os tais que sabem reconhecer a palavra de deus ou são auto-revelados com o que deus quer.




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