O mundo é muito mais desiquilibrado na distribuição da riqueza do que aquilo que as pessoas querem.
Por exemplo, em Portugal, as pessoas consideram que um CEO não deveria ganhar mais do que 6 vezes o que ganha um trabalhador não qualificado.
No entanto, ganha cerca de 51 vezes o que ganha um trabalhador não qualificado.
Pelo mundo fora, em média o problema repete-se. Há pior e há melhor.
Curiosamente, existe um consenso através de vários paises e cores politicas acerca do valor que nós em Portugal também consideramos otimo.
É caso para se dizer que vivemos num mundo de extrema direita e não temos noção disso.
Levanta-se a questão: Porque toleramos isto? A explicação é complexa, mas não ter noção do grau de desigualdade é provavelmente um factor importante. Outro é o otimismo - cada um achar que existe mobilidade económica suficiente para chegar ao topo se trabalhar e merecer ( e toda a gente acha que é um pouco melhor que os outros). Outro, relacionado com este, será a cultura de que se não é rico é porque não merece.
No entanto, cerca de 0,7% da população mundial tem 41% da riqueza. Isto não sugere nada que possa haver qualquer espécie de meritocracia, mesmo que cada um devesse ser tratado de acordo com as suas capacidades produtivas .
Em conclusão, numa grande maioria de países, as politicas são muito mais à direita que aquilo que mesmo os votantes de direita acham razoável. Portugal é um desses países. Um estudo mais profundo sobre as causas seria interessante. Mas para já melhorar a informação é o ponto de partida.
Ler mais:
Artigo base:
https://richarddawkins.net/2015/03/economic-inequality-its-far-worse-than-you-think/
Na Scientific American:
http://www.scientificamerican.com/article/economic-inequality-it-s-far-worse-than-you-think/?WT.mc_id=SA_syn_RDFRS
Ver outras ligaçoes no texto do post.
Cepticismo, naturalismo e divulgação científica. Uma discussão sobre o que é ou não matéria de facto.
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quarta-feira, 1 de abril de 2015
quarta-feira, 3 de julho de 2013
Imparcialidade
Um exercício fantástico com um fim prático:
Imaginem que antes de nascermos, existíamos como espírito, com amplo conhecimento de causas e coisas, excepto acerca dos particulares pessoais após o nascimento.
Não saberíamos o sexo, a etnia, o local de nascimento, o estrato sócio-económico, a inteligência, a força física ou a saúde que teríamos neste mundo. Todas aquelas coisas que sejam inatas, ou perto disso, estariam incluídas neste véu de ignorância.
Teríamos no entanto, nessa altura antes de nascer, a oportunidade de participar na construção das leis que encontraríamos.
Como gostaríamos, nessas condições, que fossem as coisas?
Imaginem que antes de nascermos, existíamos como espírito, com amplo conhecimento de causas e coisas, excepto acerca dos particulares pessoais após o nascimento.
Não saberíamos o sexo, a etnia, o local de nascimento, o estrato sócio-económico, a inteligência, a força física ou a saúde que teríamos neste mundo. Todas aquelas coisas que sejam inatas, ou perto disso, estariam incluídas neste véu de ignorância.
Teríamos no entanto, nessa altura antes de nascer, a oportunidade de participar na construção das leis que encontraríamos.
Como gostaríamos, nessas condições, que fossem as coisas?
segunda-feira, 15 de abril de 2013
A austeridade do ponto de vista de um ceptico.
A austeridade é a politica económica que diz que devem ser os pobres a pagar a incapacidade dos ricos de aplicar efectivamente a sua riqueza (nem investir nem emprestar querem, muito menos pagar impostos) para que haja crescimento.
Em vez de ir buscar o dinheiro onde ele está, a ideia da austeridade é tão burra como ir tentar buscar dinheiro a quem menos tem. E para dar a quem? A quem menos tem também? Para isso começavam por não o ir lá buscar.
Normalmente com o argumento que as empresas e os ricos criam postos de trabalho, e como se o verdadeiro objectivo das empresas não fosse apenas ter lucro, em vez de taxar o capital proveniente desse lucro, procura-se taxar o trabalho. É uma assimetria enorme nos esforços pedidos.
E uma data de gente sem capital, na esperança eventual de um dia ficar cheio de capital, talvez porque acredite que se vive numa meritocracia ( e cada um de nós tem tendencia para achar que é melhor que os outros), ou que vá ganhar a lotaria, defende que de facto os ricos merecem todo o dinheiro que têm. Ou talvez acreditem que todos podem abrir empresas e ficar com os lucros das suas próprias empresas como se houvessem recursos infinitos e espaços para infinitas empresas. Ou então ainda se calhar é para se armarem em fortes, tal qual o miudo que se espalha no chão e se levanta todo direitinho, a tentar não coxear e a dizer que não doeu nada.
Defendem portanto que 0,001% das pessoas merecem ter practicamente 20% da riqueza. E por aí fora a desporporção continua. 6 biliões de pessoas, ou seja 99,9% partilham apenas 19% da riqueza que sobra. Que moral é esta? Que discrepancia de mérito pode justificar isto?
Nesta sociedade todos parecem fazer falta para que tudo funcione. Se não igualmente, pelo menos nada que justifique uma diferença tão grande. Apenas há uns que se puseram na posição de fazer as regras e garantem que as regras dizem que os outros não valem grande coisa. Uns acumulam capital enquanto outros acumulam dividas a quem tem capital. E faz as regras. É que ter riqueza dá poder e poder dá riqueza.
Lutar por riqueza, recursos e ideias é em grande parte uma lotaria. Mandar o povo tornar-se empreendedor é como dizer: "amanhem-se!" mesmo sabendo que não dá nem para 1/3 destes.
Parece-me mesmo, tal como a austeridade é imposta, que estamos a pedir o maior esforço a quem mais as coisas custam. Com impacto na qualidade de vida, na saude, na própria e nos seus filhos e provavelmente por muitas gerações. Por isso não me falem em espantalhos de premiar quem mais merece. Nada justifica estas desigualdades e esta má distribuição dos esforços. Afinal o esforço devia ser premiado.
A solução, na minha maneira de ver, é substituir a austeridade por um estimulo economico com origem na redistribuição da riqueza. É preciso ir buscar o dinheiro onde ele está. Não onde ele não está.
Os seres humanos são notávelmente semelhantes entre si. De facto parece que descendemos todos de uma população ancestral de cerca de 10.000 individuos. Qualquer argumento que procure racionalizar a discrepancia de riqueza de um modo tão implacavel está condenada a falhar na justiça, na moralidade e na biologia. E não resta muito mais. Há!... resta na estabilidade mundial. Sim, está a falhar também. A crise é mundial - deixar alguns acumular riqueza sem limites e reger a seu belo prazer deu nisto - e agora é a teoria de que espremer os pobres que resolve o problema. E as desigualdades e o desemprego são causas de guerras. Já chega não?
Dizem também que são ciclos. Suavizem esses ciclos com melhor distribuição dos esforços e da riqueza, num estado mais social e menos selvagem.
Não é preciso acabar com os ricos. Eles podem andar aí na sua vida de ricos que a mim tanto me faz. Mas não podem ser tão ricos. Têm de ajudar a acabar com a pobreza, a miséria e outras coisas que não têm nada de existir. É que num mundo de recursos limitados o que se acrescenta num lado tem de vir de outro. Só se houvesse recursos livres e ilimitados é que fazia sentido dizer que cada um tem o que se esforça por ter. Assim, o que uns têm é tirado a outros. E se razão pode haver para alguma, moderada e simbolica desigualdade, nada justifica a actual.
Exemplos empiricos: Eu sugiro o modelo nórdico para começar. E nunca, mas nunca por a democracia em causa.
Em vez de ir buscar o dinheiro onde ele está, a ideia da austeridade é tão burra como ir tentar buscar dinheiro a quem menos tem. E para dar a quem? A quem menos tem também? Para isso começavam por não o ir lá buscar.
Normalmente com o argumento que as empresas e os ricos criam postos de trabalho, e como se o verdadeiro objectivo das empresas não fosse apenas ter lucro, em vez de taxar o capital proveniente desse lucro, procura-se taxar o trabalho. É uma assimetria enorme nos esforços pedidos.
E uma data de gente sem capital, na esperança eventual de um dia ficar cheio de capital, talvez porque acredite que se vive numa meritocracia ( e cada um de nós tem tendencia para achar que é melhor que os outros), ou que vá ganhar a lotaria, defende que de facto os ricos merecem todo o dinheiro que têm. Ou talvez acreditem que todos podem abrir empresas e ficar com os lucros das suas próprias empresas como se houvessem recursos infinitos e espaços para infinitas empresas. Ou então ainda se calhar é para se armarem em fortes, tal qual o miudo que se espalha no chão e se levanta todo direitinho, a tentar não coxear e a dizer que não doeu nada.
Defendem portanto que 0,001% das pessoas merecem ter practicamente 20% da riqueza. E por aí fora a desporporção continua. 6 biliões de pessoas, ou seja 99,9% partilham apenas 19% da riqueza que sobra. Que moral é esta? Que discrepancia de mérito pode justificar isto?
Nesta sociedade todos parecem fazer falta para que tudo funcione. Se não igualmente, pelo menos nada que justifique uma diferença tão grande. Apenas há uns que se puseram na posição de fazer as regras e garantem que as regras dizem que os outros não valem grande coisa. Uns acumulam capital enquanto outros acumulam dividas a quem tem capital. E faz as regras. É que ter riqueza dá poder e poder dá riqueza.
Lutar por riqueza, recursos e ideias é em grande parte uma lotaria. Mandar o povo tornar-se empreendedor é como dizer: "amanhem-se!" mesmo sabendo que não dá nem para 1/3 destes.
Parece-me mesmo, tal como a austeridade é imposta, que estamos a pedir o maior esforço a quem mais as coisas custam. Com impacto na qualidade de vida, na saude, na própria e nos seus filhos e provavelmente por muitas gerações. Por isso não me falem em espantalhos de premiar quem mais merece. Nada justifica estas desigualdades e esta má distribuição dos esforços. Afinal o esforço devia ser premiado.
A solução, na minha maneira de ver, é substituir a austeridade por um estimulo economico com origem na redistribuição da riqueza. É preciso ir buscar o dinheiro onde ele está. Não onde ele não está.
Os seres humanos são notávelmente semelhantes entre si. De facto parece que descendemos todos de uma população ancestral de cerca de 10.000 individuos. Qualquer argumento que procure racionalizar a discrepancia de riqueza de um modo tão implacavel está condenada a falhar na justiça, na moralidade e na biologia. E não resta muito mais. Há!... resta na estabilidade mundial. Sim, está a falhar também. A crise é mundial - deixar alguns acumular riqueza sem limites e reger a seu belo prazer deu nisto - e agora é a teoria de que espremer os pobres que resolve o problema. E as desigualdades e o desemprego são causas de guerras. Já chega não?
Dizem também que são ciclos. Suavizem esses ciclos com melhor distribuição dos esforços e da riqueza, num estado mais social e menos selvagem.
Não é preciso acabar com os ricos. Eles podem andar aí na sua vida de ricos que a mim tanto me faz. Mas não podem ser tão ricos. Têm de ajudar a acabar com a pobreza, a miséria e outras coisas que não têm nada de existir. É que num mundo de recursos limitados o que se acrescenta num lado tem de vir de outro. Só se houvesse recursos livres e ilimitados é que fazia sentido dizer que cada um tem o que se esforça por ter. Assim, o que uns têm é tirado a outros. E se razão pode haver para alguma, moderada e simbolica desigualdade, nada justifica a actual.
Exemplos empiricos: Eu sugiro o modelo nórdico para começar. E nunca, mas nunca por a democracia em causa.
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sexta-feira, 12 de abril de 2013
Acerca dos problemas que temos para resolver.
Uma pessoa inteligente e bem informada respondeu à minha afirmação de que precisamos de abrandar o crescimento económico de modo a que este seja mais sustentável (e tenha menos precalços) com a seguinte questão:
- Que problemas é que a humanidade teve para resolver que não tenha resolvido?
...Sério? Parece-me uma resposta francamente insatisfatória. Este post é uma resposta curta que penso que toca nos pontos essenciais:
~oOo~
Eu sou um optimista. Não um optimista radical, mas um optimista moderado.
Não acho que vivemos no melhor dos mundos possíveis - como o optimismo criticado por Voltaire em "O Candido" - mas também não acho que vivemos no pior dos mundos possíveis. O que acho é que vivemos num mundo que não tem mais mal que bem e que ainda pode ser melhorado.
E sou optimista porque vejo que muitas coisas estão a melhorar face ao passado e outras vejo em que podemos compreender o que está a correr mal. Isso quer dizer que temos tomado, em relação a muita coisa, uma boa atitude: aprender e corrigir. E que podemos continuar a fazê-lo.
Mas isso é conseguido a custo. E não quer dizer que só porque estamos no bom caminho num numero notável de coisas, que qualquer ideia apresentada agora, seja uma ideia que nos mantenha nesse caminho. Esse é um argumento que dá para tudo. Para o que presta e para o que não presta. Não nos diz nada acerca das soluções que temos de encontrar. E as soluções podem bem passar por fazer algumas coisas de outra maneira, porque desta actual já não dá.
Não é um argumento capaz de mostrar que se pura e simplesmente não alterarmos o rumo de algumas coisas, que vamos continuar a trilhar uma via de melhorias. De facto, por tudo o que sabemos, temos de continuar a usar as coisas que nos levam a decidir melhor - a via que envolve esforços racionais e fisicos, discussão aberta, etc. Se o passado nos diz alguma coisa é que podemos aprender algo acerca do processo de fazer previsões, escolher explicações e compreender os desafios. Não que não temos de fazer adaptações. Pelo contrário.
Só porque estamos a fazer melhor numa grande quantidade de coisas e a resolver muitos problemas, isso não nos diz nada acerca de como devemos enfrentar alguns dos actuais problemas por resolver - salvo o facto de termos uma razão forte para dizer que aprendemos muito sobre como pensar sobre eles.
Temos de usar tudo o que sabemos para saber o rumo a seguir. E como aparentemente temos conceitos diferentes de como deve ser esse caminho, a discussão deve ser centrada no processo de decisão e não num argumento que qualquer um pode fazer seu, de dizer que "temos resolvido tudo até agora, logo a solução há de aparecer se continuarmos a fazer o que estamos a fazer". A lógica aqui não segue. É como o senhor que salta do 12º andar e em cada varanda por aí abaixo o ouvem dizer "so far so good". Se fizemos muita coisa bem foi também porque deixamos de fazer muita coisa mal.
Se calhar a solução é precisamente admitir que podemos fazer melhor, ver para onde apontam as evidências e adaptar o nosso comportamento face ao que queremos do futuro. O nosso progresso não nos garante por si, afirmar que passivamente e mágicamente, que podemos pura e simplesmente deixar-nos ir em vez de continuar a procurar arduamente como devemos fazer as coisas.
Dos problemas que temos para resolver:
- Fome no mundo - cerca de 1 bilião de pessoas está subnutrida. É mais de 10% da população mundial.
- Em paises como Moçambique, Nigéria, Máli, Rwanda e outros a mortalidade infantial (antes do 1 ano de vida) ronda os 10%.
- Miséria para além de apenas fome, com ausencia de meios de saúde ou acesso a estes, habitação e condições dignas de vida para muitos seres humanos.
- Desigualdades - Embora a diferença entre quaisquer dois seres humanos seja minima, (há mais diferença entre qualquer humano e um chimpanzé, ou entre dois chimpanzés, que entre qualquer humano e Einstein, por exemplo), as diferenças na distribuição da riqueza são gritantes (0,001% das pessoas tem 30% da riqueza) . E isso tem consequencias na saude, bem estar e até na estabilidade da sociedade.
- O aquecimento global antropogénico (e os fenomenos extremos e secas que estarão associados).
- A poluição.
- O esgotamento de recursos naturais de um mundo cada vez mais povoado.
- A perda de biodiversidade.
- Desertificação.
- Ciclos de crises profundas e bolhas especulativas.
São apenas alguns exemplos. Alguns são relativamente novos, outros são absolutamente velhos.
Estes problemas não têm qualquer garantia que vão desaparecer por si se não mudarmos alguns aspectos da nossa actividade à face da terra. Claro que eu confio na ciência e tecnologia, mas não estamos à porta de desenvolvimentos tecnologicos para resolver tudo isto. A ciencia ainda nos deixa ver, que em alguns casos, o melhor que podemos fazer agora, é moderar o nosso comportamento. Respeitar mais o ambiente, assumir a importancia de cada ser humano por si e de toda a vida. E de aceitar uma responsabilidade que temos também para as gerações futuras e o que vai em cima da bandeja que lhes damos.
PS: E claro, ninguém está a sair daqui com vida. Mas isso é algo que talvez possamos aspirar daqui a muitos , muitos avanços cientifico-tecnológicos...
Actualizado a 14/04/2013 para acrescentar a história que levou a este post e a miséria, desertificação e os ciclos de crises nos problemas por resolver.
- Que problemas é que a humanidade teve para resolver que não tenha resolvido?
...Sério? Parece-me uma resposta francamente insatisfatória. Este post é uma resposta curta que penso que toca nos pontos essenciais:
~oOo~
Eu sou um optimista. Não um optimista radical, mas um optimista moderado.
Não acho que vivemos no melhor dos mundos possíveis - como o optimismo criticado por Voltaire em "O Candido" - mas também não acho que vivemos no pior dos mundos possíveis. O que acho é que vivemos num mundo que não tem mais mal que bem e que ainda pode ser melhorado.
E sou optimista porque vejo que muitas coisas estão a melhorar face ao passado e outras vejo em que podemos compreender o que está a correr mal. Isso quer dizer que temos tomado, em relação a muita coisa, uma boa atitude: aprender e corrigir. E que podemos continuar a fazê-lo.
Mas isso é conseguido a custo. E não quer dizer que só porque estamos no bom caminho num numero notável de coisas, que qualquer ideia apresentada agora, seja uma ideia que nos mantenha nesse caminho. Esse é um argumento que dá para tudo. Para o que presta e para o que não presta. Não nos diz nada acerca das soluções que temos de encontrar. E as soluções podem bem passar por fazer algumas coisas de outra maneira, porque desta actual já não dá.
Não é um argumento capaz de mostrar que se pura e simplesmente não alterarmos o rumo de algumas coisas, que vamos continuar a trilhar uma via de melhorias. De facto, por tudo o que sabemos, temos de continuar a usar as coisas que nos levam a decidir melhor - a via que envolve esforços racionais e fisicos, discussão aberta, etc. Se o passado nos diz alguma coisa é que podemos aprender algo acerca do processo de fazer previsões, escolher explicações e compreender os desafios. Não que não temos de fazer adaptações. Pelo contrário.
Só porque estamos a fazer melhor numa grande quantidade de coisas e a resolver muitos problemas, isso não nos diz nada acerca de como devemos enfrentar alguns dos actuais problemas por resolver - salvo o facto de termos uma razão forte para dizer que aprendemos muito sobre como pensar sobre eles.
Temos de usar tudo o que sabemos para saber o rumo a seguir. E como aparentemente temos conceitos diferentes de como deve ser esse caminho, a discussão deve ser centrada no processo de decisão e não num argumento que qualquer um pode fazer seu, de dizer que "temos resolvido tudo até agora, logo a solução há de aparecer se continuarmos a fazer o que estamos a fazer". A lógica aqui não segue. É como o senhor que salta do 12º andar e em cada varanda por aí abaixo o ouvem dizer "so far so good". Se fizemos muita coisa bem foi também porque deixamos de fazer muita coisa mal.
Se calhar a solução é precisamente admitir que podemos fazer melhor, ver para onde apontam as evidências e adaptar o nosso comportamento face ao que queremos do futuro. O nosso progresso não nos garante por si, afirmar que passivamente e mágicamente, que podemos pura e simplesmente deixar-nos ir em vez de continuar a procurar arduamente como devemos fazer as coisas.
Dos problemas que temos para resolver:
- Fome no mundo - cerca de 1 bilião de pessoas está subnutrida. É mais de 10% da população mundial.
- Em paises como Moçambique, Nigéria, Máli, Rwanda e outros a mortalidade infantial (antes do 1 ano de vida) ronda os 10%.
- Miséria para além de apenas fome, com ausencia de meios de saúde ou acesso a estes, habitação e condições dignas de vida para muitos seres humanos.
- Desigualdades - Embora a diferença entre quaisquer dois seres humanos seja minima, (há mais diferença entre qualquer humano e um chimpanzé, ou entre dois chimpanzés, que entre qualquer humano e Einstein, por exemplo), as diferenças na distribuição da riqueza são gritantes (0,001% das pessoas tem 30% da riqueza) . E isso tem consequencias na saude, bem estar e até na estabilidade da sociedade.
- O aquecimento global antropogénico (e os fenomenos extremos e secas que estarão associados).
- A poluição.
- O esgotamento de recursos naturais de um mundo cada vez mais povoado.
- A perda de biodiversidade.
- Desertificação.
- Ciclos de crises profundas e bolhas especulativas.
São apenas alguns exemplos. Alguns são relativamente novos, outros são absolutamente velhos.
Estes problemas não têm qualquer garantia que vão desaparecer por si se não mudarmos alguns aspectos da nossa actividade à face da terra. Claro que eu confio na ciência e tecnologia, mas não estamos à porta de desenvolvimentos tecnologicos para resolver tudo isto. A ciencia ainda nos deixa ver, que em alguns casos, o melhor que podemos fazer agora, é moderar o nosso comportamento. Respeitar mais o ambiente, assumir a importancia de cada ser humano por si e de toda a vida. E de aceitar uma responsabilidade que temos também para as gerações futuras e o que vai em cima da bandeja que lhes damos.
PS: E claro, ninguém está a sair daqui com vida. Mas isso é algo que talvez possamos aspirar daqui a muitos , muitos avanços cientifico-tecnológicos...
Actualizado a 14/04/2013 para acrescentar a história que levou a este post e a miséria, desertificação e os ciclos de crises nos problemas por resolver.
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