sábado, 16 de julho de 2011

Pensamento, apresento-te o teu pensamento.

Muitos dos nossos pensamentos e muitas das nossas decisões, passam debaixo do radar da nossa consciência sem que tenhamos uma visão completa deles próprios. As respostas intuitivas emergem no nosso fluxo de consciencia e temos a tentação de as agarrar como verdades sem duvidar, apenas porque são nossas.

Pensamento crítico não é simplesmente criticar isto ou aquilo,

Pensamento crítico é antes de mais tornar o processo de pensamento acerca de algo um processo consciente. É um processo metacognitivo – é pensar sobre o pensamento. Conscientemente fazer as perguntas certas em cada passo do processo do raciocínio, dissecando um argumento nas suas pequenas partes.

Tornar o processo consciente é a maneira de conseguir uma abordagem sistemática e metódica de qualquer argumento.

Ao fim e ao cabo é por isso que temos consciencia (ver António Damásio, O Livro da Consciencia). Porque nos permite tomar melhores decisões. E é tirar o máximo partido do processo consciente do raciocínio que se pretende numa abordagem critica. Embora com mais esforço, é verdade, do que se aceitarmos a primeira coisa que nos vem à cabeça. Usar técnicas de pensamento crítico requer maior esforço do que não usar e naturalmente leva mais tempo. Mas chega a melhores conclusões. De facto implica perder tempo, entre outras coisas, a pesquisar mais informação.

Outra das competências que se espera treinar no pensamento critico é a capacidade de gerar mais hipóteses. Fazer um “brainstorm” como se diz em Inglês, e só depois de uma lista de alternativas possíveis elaborada, é que se passa para a avaliação sistemática de cada uma. Por isso alguns autores falam em pensamento critico-criativo.

No estudo do pensamento crítico procuramos adquirir as técnicas e ferramentas que nos permitam chegar às melhores conclusões possiveis, qualquer que seja a área que abordemos. E a aprendizagem prática do pensamento crítico, fazendo exercícios, é tão importante como o conhecimento simplesmente teórico destas ferramentas de raciocínio. É preciso criar hábitos de pensamento critico. Como na matemática ou no desporto é preciso praticar para se saber efetivamente usar essas técnicas.

Tal como em muitas outras coisas, sugere-se que a própria aprendizagem do pensamento crítico seja sistemática. Isto é, após aprender cada conceito novo devemos praticar a sua aplicação antes de passar para o seguinte. Embora talvez se possa aprender algum pensamento crítico enquanto se aprendem outras coisas, como história, matemática, lógica, etc, é provável que a aprendizagem directa e a prática especifica seja a maneira mais eficaz, já que nos dirigimos às questões diretamente e podemos pensar sobre elas. Tornamos a aprendizagem consciente, e ficamos conscientes da universalidade das técnicas de pensamento crítico.

Em conclusão, o pensamento critico é um processo consciente, sistemático e metódico que é aplicável a todo o pensamento e que visa chegar a melhores conclusões através da análise do próprio raciocínio.

Leitura adicional sugerida e bibliografia:

1 – Fisher, “Critical Thinking, an Introduction”. (Este livro é um verdadeiro achado, tem os fundamentais, imensos exercícios e é baratíssimo na amazon).

2 –Manual do Pensamento Crítico do Prof. Ludwig Krippahl da U.N.L – no site da disciplina (inclui aulas gravadas, aconselho especialmente a aula de pensamento científico), aqui: http://ssdi.di.fct.unl.pt/pc/teoricas.html
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