terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Mutações cumulativas.

A questão de fundo do desígnio inteligente, e do criacionismo que no fundo são a mesma coisa, é que determinado nível de resultados não pode ser obtido a partir do acaso.

Mas por acaso, pode.

Por exemplo, vou tentar fazer uma analogia com um desenho. Como é que pontos feitos ao acaso numa folha de papel podem desenhar um gato?

Se houver um processo de selecção que leve a um acumulo dos pontos que foram feitos no sitio certo. Cada ponto feito fora do sitio é apagado. Cada ponto feito no sitio certo (na linha virtual do desenho) mantém-se. Ao fim de muitos pontos apagados e depois de ter saído um numero de pontos suficientes para quase cobrir a folha toda, o gato esta desenhado.

Agora que já desenhámos um gato com pontos feitos ao acaso, deixem-me falar da teoria da evolução.

Na teoria da evolução as coisas passam-se de uma forma parecida. Aparecem mutações ao acaso. Aquelas que estão "erradas", isto é, que não contribuem para o sucesso adaptativo são apagadas. Ficam as outras. Que se vão acumulando. É o efeito cumulativo de mutações que permite a evolução e o aparecimento de novas características.

E se no caso do desenho do gato se pode argumentar que ainda não podia ser totalmente ao acaso, quer seria preciso uma "inteligencia" para discernir os pontos certos dos mal colocados, no segundo caso teriamos de argumentar que a selecção natural é uma forma de inteligencia. Ou aceitar que depois do acaso, a selecção natural resolve o problema.
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