terça-feira, 27 de agosto de 2013

A maioria dos estudos mostra haver uma correlação entre longevidade e religiosidade.

Ao contrário da correlação negativa entre inteligência e religiosidade, que atraiu a ira sobre quem a confirmou, a correlação entre longevidade e religiosidade não parece ter alguma vez causado grande incomodo nos meios de comunicação sociais. Ou em redes sociais. 

Aparentemente há um "bias" tremendo acerca do que pode ser um resultado cientifico face à imagem que dá à religião, e isso é mau sinal. Mas adiante.

Tal como o outro, estes estudos importam. Todos queremos viver bem e mais tempo (acho eu) e o melhor é tentar perceber o que há aqui. Os estudos são vários e sólidos na maioria dos casos. Não há grande razão para suspeitas, e censurar factos é um disparate.

A questão é se a religiosidade é ou não causa de maior longevidade. 

E a resposta parece ser sim. Mas só em determinados contextos. 

Na realidade, a maior parte dos estudos que chegam a esta conclusão são feitos nos E.U.A. Isso é normal, já que uma grande fatia da ciência é lá produzida, mas neste caso pode ser uma boa razão para que o resultado não possa ser generalizado para outras sociedades, mesmo ocidentais. 

Porque os E.U.A. são uma excepção no que toca à religiosidade e aceitação popular da ciência entre os países ocidentais de desenvolvimento sócio-económico semelhante. A maioria das pessoas são religiosas (excepto entre os cientistas de topo que são notoriamente ateus), os ateus são muito mal vistos na sociedade em geral  e o criacionismo (uma crença notoriamente anti-cientifica e ligada à religião)  é aceite por 40% da população. Isto são razões que levam a suspeitar que provavelmente haverá uma serie de factores que levam a vidas melhores e mais longas nos E.U.A. para quem for religioso mas que não se verificam obrigatoriamente  noutros países.

De facto, parece que o que leva a religiosidade a proporcionar vidas mais longas, não é nenhuma espécie de intervenção divina, mas sim a actividade social associada. E não há evidência de que a actividade social promovida pela religião seja especial para isso. A actividade social é importante para a longevidade só por si. Existem outras razões apontadas mas esta parece-me importante e capaz de clarificar as coisas. 

Porque pode ter outras formas, sobretudo em países menos religiosos. 

E podemos suspeitar pelos índices de longevidade e bem estar em países pouco religiosos como os do norte da Europa que isso deve acontecer. De facto, como esperado, estudos que envolvem esses países não mostram esta correlação como nos E.U.A. 

Adicionalmente e já que não é um efeito directo e intrínseco da religião, fora dos E.U.A., se os estudos feitos eliminarem factores sócio económicos (normalmente procuram-se isolar as variáveis em estudo), podem bem estar a tirar aos ateus e agnósticos todos os factores que lhes dão a eles maior longevidade (e os podem levar inclusivamente a ser menos religiosos) - estamos a propor que haja outro modo de ter um paralelo dos benefícios trazidos pela religião ou ir além deles.

Esta questão é provavelmente completamente diferente em países onde a longevidade e o bem estar são em média altos, e onde as pessoas não precisem tanto da religião por pressão ou desamparo social. Ou por terem um estado social e sistema de saúde mais eficaz.

Bibliografia e notas:





"The studies on organic religion overwhelmingly indicate that greater involvement in religious practices is associated with reduced hypertension, longevity, reduced depression, lower levels of alcohol and drug consumption, less engagement in risky sexual behavior, reduced risk of suicide, reduced delinquency, and reduced criminal activity. In the next section, 669 studies are reviewed concerning the relationship between religion and well-being. Taken together, the findings indicate that higher levels of religious involvement provide protective factors that generally reduce deleterious social outcomes. Greater involvement in religious practices conveys the sense of well-being, purpose, meaning, and educational attainment.":
https://www.ncjrs.gov/App/abstractdb/AbstractDBDetails.aspx?id=202135 



Mecanismos do efeito do casamento semelhante ao da religiosidade:http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/j.1728-4457.2003.00255.x/abstract

É explicado por um efeito da personalidade, hábitos, etc.:

http://psycnet.apa.org/journals/psp/97/5/866/

Prevê a longevidade de idosos pobres:
http://aje.oxfordjournals.org/content/119/3/410.short

Redes sociais são importantes para ambos mas a participação em organisações formais (como a religião) só tem valor preditivo para os americanos, comparando com os Suecos para quem o contacto com crianças era o factor relevante.
http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0167494398001356

Os efeitos são apenas resultado da participação em actividades sociais, sem que a religião seja uma actividade social melhor para o efeito:
http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/jssr.12006/full

Aumento da longevidade diminui a participação religiosa:
http://www.emeraldinsight.com/journals.htm?articleid=1917339

Correlação de governos seculares e saúde, ou seja, países mais religiosos têm sociedades com mais problemas de saúde. A grande excepção são os EUA:
http://moses.creighton.edu/jrs/2005/2005-11.pdf

Correlação entre longevidade, bem estar e ateísmo, por países: http://epiphenom.fieldofscience.com/2009/11/live-long-and-be-atheist.html

Correlação entre felicidade e religiosidade apenas nos estados unidos. Na Hollanda e na Dinamarca não era significativa:
http://cms.springerprofessional.de/journals/JOU=10902/VOL=2008.9/ISU=2/ART=9045/BodyRef/PDF/10902_2007_Article_9045.pdf


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