quarta-feira, 25 de abril de 2012

Um Universo Vindo do Nada.



As críticas ao livro de Lawrence Krauss com este nome estão previstas logo na introdução.

 Aquilo a que ele chama nada já não é aceite como sendo nada. Porque já é algo, nomeadamente espaço, de onde surgem as coisas. Ele no entanto argumenta que espaço vazio é um nada tão nada quanto é possível ser nada. É um nada tão bom como sempre foi.

Nem porque haja já as leis que permitem que exista espaço vazio e de onde por sua vez as partículas possam começar a pular dentro e fora da existência, isso já é algo - insistem os críticos.
Mas por este andar, se nada é definido como sendo mesmo nada, sem sequer existirem possibilidades de virem existir coisas, então nunca existiu nada. Porque estamos cá.

Muito menos um nada cheio de deus. Seja o que for que seja o nada mais nada a que nos podemos referir, com ou sem deuses, tem de incluir a possibilidade de sofrer a entrada na existência.  

Voltamos atrás. É que nada em termos absolutos, não existe. É o que diz a palavra. Nada. Por definição e por lógica. Se o nada não existe, algo deve pelo menos manter a possibilidade de vir a existir. Se não houver nesse nada essa possibilidade, (com ou sem deuses), então não estaríamos aqui. E é plausível que estejamos aqui, mesmo que tudo seja uma ilusão. Como dizia Descartes "penso logo existo".

Se disserem, não foi o nada que tinha esse potencial de entrada na existência. Foi Deus. Então é caso para dizer que se Deus não é nada então nada não serve para descrever o momento anterior à existência ter surgido. Antes havia Deus e não nada. Estaremos então de acordo que havia algo. Tem sempre de ter existido algo. 

Insisto: Porque nada, nada não existe.  Nunca pode ter existido, a não ser que ainda hoje exista. Mas é como dizer o não-existe existe. Não serve para... Nada. E como negação da existência de outras coisas, como conceito relativo, como em "nada de nada" ou "nada de tudo", vamos ter sempre de chegar a um ponto onde não podemos negar a possibilidade da entrada na existência de algo. E creio que é nesse ponto que o livro de Krauss nos deixa.

Isto tudo para dizer que temos sempre de ter cuidado com o que queremos dizer com o conceito de nada. Que a nada faz referencia...

O universo nasce da possibilidade de uma flutuação quântica.  Daí surgem partículas. Claro que é um grande pontapé no sobrenaturalismo (tal com diz Dawkins). É uma afirmação bem sustentada pela teoria cientifica e aponta para um principio onde estamos bastante perto de não haver nada. Acrescentar um deus para um principio tão simples é complicar as coisas. Bastante.  Para a simplicidade de existirmos porque apenas podemos existir não precisamos de juntar nada ao kit de construção que seja complexo e com vontade própria. Isso é bastante mais longe de ser nada.

Talvez venhamos a descobrir porque temos estas leis que permitem que apareçam partículas do espaço puro. E depois porque existem essas leis que permitem as outras leis. E por aí fora.  Mas nesse sentido vai ter de haver sempre algo.

Mas ao que tudo indica não estamos a caminhar num sentido de precisar de nadas omnipotentes e omnipresentes, nem que estamos a caminhar num sentido em que nada possa significar realmente nada.
Ou então, pura e simplesmente, algumas coisas acontecem sem causa. Só porque podem. Mas esse é o nada de que estamos a descrever cientificamente. E não precisa de ser divinal, ao tudo indica. Não precisa de ser consciente e intencional. É apenas uma possibilidade.

O que estamos a fazer ao impor uma criação divina é dizer que só Deus pode vir do nada sem causa inicial, mais nada pode. Como sabemos isso já é um problema em si. Mas que assim estamos a dizer que a possibilidade de haver algo já existe desde sempre, já estamos.




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