segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Auto-organização.

Auto organização é um tema fascinante. Quando Darwin estabeleceu a teoria da evolução estava também a descrever cientificamente um processo pelo qual a organização emergia espontâneamente. Estava pela primeira vez a romper com uma longa tradição intelectual assente em que as coisas mais complexas tinham de vir das mais complexas ainda. Por outro lado as leis da termodinâmica, provavelmente as leis mais bem estabelecidas de toda a ciência não apontavam claramente para essa possibilidade. A regra geral é a entropia. E a entropia é a desorganisação.

Hoje sabemos que a entropia é melhor compreendida como um noção estatística, de uma tendência. Num sistema que caminha para o seu fim entrópico, como previsto por estas leis, podem haver focos pontuais de organização. Se houver uma quantidade enorme de energia livre a desequilibrar o sistema. Formam-se as chamadas estruturas dissipativas, que por assim dizer "dissipam" o excesso de energia sob a forma bizarra (no contexto universal) de organização.

Adicionalmente, descobriu-se também que este fenómeno está-se sempre a dar a um nível molecular. Em milhares de moleculazinhas num determinado sistema, lá vão estar algumas (uma muito pequena minoria) que estão no sentido oposto ao da entropia. A energia não é distribuída perfeitamente e alguns focos de dissipação pontuais lá aparecem. É uma das razões pelas quais o campo da nanotecnologia pode ser tão importante. As nanocoisas podem ter propriedades que pela sua "improbabilidade nos grandes numeros" não aparecem em coisas grandes. E isto sem entrar em fenómenos quânticos mais hard-core.

Mas o primeiro fenómeno de auto-organisação bem explicado, é na realidade um dos ainda mais fascinates de estudar, o da própria evolução da vida. O assunto não é fácil e muitos ainda hoje  negam a possibilidade de existir algo como a auto-organização,  nomeadamente os adeptos de algumas crenças religiosas milenares.

Mas a vida conta com uma fonte de energia formidável à escala planetária que permite a sua evolução na Terra. É o Sol. E o que me motivou escrever este post foi uma experiência que encontrei há uns dias que ilustra o fenómeno de uma maneira muito simples e eficaz.

Ai está o vídeo:

http://vimeo.com/58651167#

Quando a luz acende as moléculas começam a organizar-se, quando apaga, a falta de energia  não o permite e começam a dispersar entropicamente. A explicação é a dada no texto acima.

Via Ars Technica, aqui.
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